Mercado em foco — 29 de julho: Fed segura os juros, mas guerra segue no radar

Dia de decisão nos Estados Unidos: o Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira que vai manter a taxa básica de juros americana inalterada, na faixa entre 3,50% e 3,75%. É a terceira reunião seguida sem mexer nos juros, e a decisão foi quase unânime — só o diretor Stephen Miran votou contra, defendendo juros mais baixos, como já vinha fazendo há seis reuniões consecutivas.

Por que o Fed ficou de mãos atadas
O comitê segue em um impásse clássico: de um lado, o núcleo do PCE (a inflação preferida do Fed) segue rodando em 3,1%, bem acima da meta de 2%. Do outro, o conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel já completou dois meses e segue pressionando os preços globais de energia, dificultando a leitura de até onde vai o impacto sobre crescimento e inflação americanos. O Fed reconheceu que é cedo demais para calibrar totalmente a resposta a esse cenário.

Pode ter sido a última reunião de Powell
O comunicado de hoje deve ter sido o último emitido sob o comando de Jerome Powell à frente do Fed. No mesmo dia, o Comitê Bancário do Senado americano, controlado pelos republicanos, votou por 13 a 11 para avançar a indicação de Kevin Warsh, escolhido por Donald Trump para suceder Powell — a confirmação pelo plenário do Senado é esperada para o mês que vem. Powell concede coletiva de imprensa às 15h30 (horário de Brasília) para detalhar a decisão de hoje.

No Brasil: alívio da inflação e olho na Petrobras
Por aqui, o clima segue mais ameno depois que o IPCA-15 de julho, divulgado ontem, veio abaixo do esperado pelo mercado, reforçando as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic já na reunião do Copom do mês que vem. Também entrou no radar o relatório de produção e vendas da Petrobras (PETR4) referente ao segundo trimestre, divulgado ontem à noite. Bancos como BTG Pactual, Santander e JPMorgan projetavam um trimestre forte, com crescimento de 4% a 5% na produção de petróleo, puxado pelo avanço do pré-sal em campos como Búzios — o número serve de prévia para o balanço financeiro completo, que sai em 6 de agosto.

Resumo da fita
Dia de cautela e muita informação para digerir: Fed segurando os juros em meio a um conflito geopolítico que já dura dois meses, possível despedida de Powell, avanço da indicação de Warsh, e no Brasil um misto de alívio inflacionário com expectativa em torno dos números operacionais da Petrobras. Amanhã tem mais: o mercado ainda vai reagir aos balanços de Microsoft e Meta, divulgados após o fechamento de hoje.

— Maickel Katz