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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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O que realmente afetou o mercado nesta quarta-feira, 29 de julho

Enquanto o mercado processa a manhã desta quinta-feira, vale voltar um passo e destrinchar em mais detalhes o que realmente moveu os ativos nesta quarta-feira, 29 de julho — o dia da tão aguardada decisão do Federal Reserve.

O Fed não mexeu, mas o motivo importa mais que a decisão em si
Manter os juros entre 3,50% e 3,75% já era o cenário mais esperado pelo mercado. O que realmente chamou atenção foi a justificativa: o Fed admitiu estar em um impásse real entre um núcleo de inflação (PCE) ainda rodando a 3,1%, bem acima da meta de 2%, e um mercado de trabalho que “pouco se alterou”, mesmo com a economia crescendo em “ritmo sólido”. Ou seja: não há urgência nem pra cortar, nem pra subir. Isso tende a manter os juros americanos parados por mais tempo do que investidores mais otimistas gostariam.

A guerra no Oriente Médio como pano de fundo invisível
O conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel completou dois meses nesta terça-feira (28), e o Fed foi explícito ao dizer que ainda é cedo para medir o impacto total sobre a economia americana. Esse é o tipo de incerteza que trava decisões de política monetária: o petróleo mais caro tanto pode esfriar o crescimento quanto reacender a inflação, e o comitê preferiu não apostar em nenhuma das duas hipóteses por enquanto.

A política entrou na sala do Fed
Não dá pra separar a decisão de ontem do contexto político. Foi possivelmente a última reunião de Jerome Powell no comando, e no mesmo dia o Comitê Bancário do Senado avançou por 13 votos a 11 a indicação de Kevin Warsh, escolhido por Donald Trump, pra sucedê-lo. Trump vem pressionando publicamente por juros mais baixos há meses, e o mercado já começa a se perguntar como a política monetária americana pode mudar de tom quando Warsh assumir.

Brasil: o dia foi mais sobre alívio do que sobre euforia
Por aqui, o destaque ficou com o IPCA-15 de julho, divulgado na terça-feira, que veio abaixo do esperado pelo mercado. Isso reforçou as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic já na próxima reunião do Copom, em agosto — uma boa notícia pra quem tem financiamento ou cartão de crédito no vermelho. Some a isso o relatório de produção e vendas da Petrobras, divulgado na terça à noite, que serviu de termômetro pra um trimestre que analistas do BTG, Santander e JPMorgan já esperavam forte, puxado pela produção do pré-sal em campos como Búzios.

O que fica de lição do dia
Quando o Fed não faz nada, às vezes é a decisão mais difícil de interpretar. O mercado vai passar os próximos dias tentando decifrar quanto da pausa de ontem é técnica (dados mistos) e quanto é política (a transição Powell-Warsh no horizonte).

— Maickel Katz

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