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Mercado Financeiro

Mercado em foco — 29 de julho

O pregão de terça-feira (28/07) na B3 trouxe um alívio bem-vindo para quem estava carente de boas notícias na frente da inflação. O Ibovespa fechou em alta de 0,70%, aos 176.564 pontos, depois de rodar entre uma mínima de 175.326 e uma máxima de 178.539 pontos, com giro financeiro de R$ 22 bilhões. Nada espetacular em volume, mas o suficiente para sustentar o movimento até o fechamento.

O gatilho: IPCA-15 mais fraco que o esperado

O grande destaque do dia foi a prévia da inflação de julho. O IPCA-15 subiu apenas 0,06%, número bem abaixo do que o mercado projetava. Isso derrubou os juros futuros ao longo da curva e deu fôlego extra para as ações mais sensíveis a juros, com bancos entre os destaques positivos da sessão. Quando a inflação surpreende para baixo, o mercado local costuma reagir rápido — e foi exatamente isso que vimos ontem.

Petrobras rema contra a maré do petróleo

Chamou atenção também o comportamento da Petrobras, que conseguiu fechar em alta mesmo com o petróleo em queda no mercado internacional. É um daqueles dias em que o peso da estatal no índice ajuda mais do que atrapalha, e mostra como o fluxo doméstico — impulsionado pela notícia da inflação — falou mais alto do que o cenário externo de commodities.

Dólar sobe de leve, na expectativa do Fed

Do lado cambial, o dólar à vista encerrou em alta de 0,17%, cotado a R$ 5,1219, com o contrato futuro de agosto operando perto de R$ 5,1240. A leitura aqui é mais de cautela do que de fuga para o dólar: o mercado global está no aguardo da decisão do Federal Reserve, que sai hoje (29/07), ao final de mais uma reunião do FOMC. A expectativa majoritária é de manutenção da taxa básica americana na faixa de 3,50% a 3,75% — a quinta reunião seguida sem mudança —, mas o debate sobre o que vem depois está mais aberto do que em meses recentes, com o mercado dividido entre a possibilidade de um novo corte ainda em 2026 ou uma pausa mais longa.

O que fica da leitura de ontem

Na prática, o dia confirma um padrão que já vem se repetindo: o mercado brasileiro segue extremamente sensível aos dados de inflação local, muitas vezes reagindo mais forte a eles do que ao ruído externo. Um IPCA-15 bem-comportado como o de julho reforça a leitura de que o ciclo de juros no Brasil pode ter mais espaço para alívio adiante — o que explica o movimento simultâneo de queda nos juros futuros e alta da bolsa. Do outro lado do Equador, a decisão do Fed desta quarta-feira tende a pautar o humor dos mercados globais nos próximos dias, então vale acompanhar de perto os desdobramentos.

Como sempre, fica o alerta: dados de um único dia não fazem tendência sozinhos, e decisões de investimento merecem análise própria e, se possível, ajuda de um profissional qualificado. Mas de olho no que se move, seguimos por aqui, comentando o mercado com vocês todos os dias.

— Maickel Katz

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