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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Mercado em foco — 2 de agosto

O mercado parou, mas as perguntas que ficaram da última semana não pararam.

Hoje é domingo e a B3 não opera aos finais de semana. Em vez de comentar o pregão do dia, prefiro usar este espaço para colocar em perspectiva o que ficou de julho e o que vem pela frente: o Ibovespa fechou o mês passado em alta expressiva, e a semana que começa amanhã carrega uma das decisões mais aguardadas do semestre.

Um julho de recuperação

O principal índice da bolsa brasileira encerrou julho perto dos 178 mil pontos, acumulando alta de cerca de 3,5% no mês e superando 10% de valorização no ano. Depois de uma sequência de meses mais fracos, o movimento foi puxado por commodities, pelo setor financeiro e por um ambiente externo mais favorável, com as bolsas americanas em bom momento. É um resultado que anima, mas também é o tipo de número que costuma atrair investidor querendo ‘chegar atrasado’ numa alta — e aí mora um risco comportamental clássico.

Copom: a decisão que abre agosto

Nos dias 4 e 5 desta semana, o Comitê de Política Monetária se reúne pela primeira vez no segundo semestre. A Selic está em 14,25% ao ano, e o consenso de mercado aponta para manutenção, com o Banco Central mantendo cautela diante de uma inflação que ainda resiste acima do teto da meta. As projeções mais recentes do boletim Focus indicam a Selic encerrando o ano perto de 14%, o que sugere, na prática, espaço para no máximo mais um corte de 0,25 ponto até dezembro.

Inflação perde fôlego, mas não sai da mira

A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, desacelerou para 0,06% em julho — bem abaixo dos 0,41% de junho —, puxada principalmente pela queda nos preços de alimentos. Em 12 meses, porém, o índice ainda roda acima de 4,5%, fora do intervalo de tolerância da meta, com o grupo de habitação, pressionado pela energia elétrica, como ponto de atenção. É um sinal positivo, mas ainda insuficiente para o Banco Central declarar vitória.

O que isso significa para quem investe

Juros elevados por mais tempo do que o desejável seguem sendo o pano de fundo do mercado brasileiro. Isso não é, por si só, nem bom nem ruim — é apenas o cenário com o qual qualquer estratégia de longo prazo precisa conviver. Em ciclos como este, tende a valer mais a disciplina do que a pressa: manter a carteira diversificada entre renda fixa e renda variável, evitar decisões tomadas no calor de uma alta pontual do Ibovespa e lembrar que juro real elevado muda a régua de comparação para qualquer ativo de risco.

O real também voltou a se desvalorizar frente ao dólar em julho, lembrete de que o câmbio segue sensível tanto à política monetária doméstica quanto ao humor global. Para quem tem parte do patrimônio exposta a ativos internacionais, isso reforça a importância de pensar em proteção cambial como parte da estratégia, não como aposta pontual.

Entramos em agosto com a bolsa em um dos melhores momentos do ano, mas com a decisão de juros de quarta e quinta-feira prestes a definir o tom das próximas semanas. Vale acompanhar de perto — sem pressa e sem euforia.

Maickel

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