O que moveu o mercado nesta segunda-feira, 3 de agosto
O pregão desta segunda-feira, 3 de agosto, foi marcado por um cabo de guerra dentro do próprio Ibovespa: de um lado, a queda das commodities pressionando Vale e Petrobras; do outro, a força dos bancos sustentando o índice perto da estabilidade. O resultado foi um fechamento praticamente no zero a zero, com o Ibovespa em 178.000,24 pontos, oscilando entre uma mínima de 176.783,14 pontos e uma máxima de 178.556,60 pontos ao longo do dia.
O que puxou o índice para baixo
O minério de ferro caiu pela sétima sessão consecutiva na China, pressionado pela demanda fraca das siderúrgicas e pelo aumento dos estoques nos portos chineses. Isso derrubou Vale (-2,15%) e arrastou junto nomes como CSN (-6,82%), a maior queda do dia. No petróleo, o Brent recuou cerca de 4,7%, para perto de US$ 83,82 o barril, depois que os Estados Unidos sinalizaram disposição de adiar uma ação militar contra o Irã à espera de avanço nas negociações sobre o Estreito de Ormuz — soma-se a isso o aumento de produção da Opep+ pelo quinto mês seguido. Prio (-3,86%) e PetroReconcavo (-3,19%) sentiram o movimento.
O que sustentou o índice
Do lado positivo, destaque para Hapvida (+5,59%), Cury (+4,52%) e C&A (+3,60%), enquanto os bancos ajudaram a segurar o Ibovespa longe de perdas mais expressivas. No fim das contas, o mercado local ficou dividido entre o alívio geopolítico que animou lá fora e o desconto nas commodities que pesa por aqui — típico de uma bolsa com peso relevante em matérias-primas.
Câmbio
O dólar operou próximo da estabilidade frente ao real ao longo do dia, refletindo um misto de cautela e alívio dos investidores diante do noticiário externo. Sem grandes sustos no câmbio, o foco do dia ficou mesmo por conta da bolsa e das commodities.
Cenário externo em foco
Wall Street teve um dia de otimismo acentuado. O Dow Jones subiu 1,32%, fechando em novo recorde, aos 53.178,41 pontos; o S&P 500 avançou 1,48%, para 7.600,50 pontos; e o Nasdaq disparou 2,13%, a 25.913,90 pontos. O gatilho foi o mesmo que derrubou o petróleo por aqui: sinais de que os EUA recuariam de uma ação militar contra o Irã, com Trump citando pedidos de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar para o cancelamento de ataques. Tecnologia e comunicação lideraram os ganhos — Meta subiu 6%, Amazon avançou mais de 4% e bateu US$ 3 trilhões em valor de mercado, enquanto Nvidia, Alphabet e Microsoft subiram perto de 5% cada.
O que fica de lição
O dia de hoje resume bem o momento: o exterior comemora o afastamento de um risco geopolítico, mas esse mesmo alívio — via aumento de oferta de petróleo e recuo de commodities — tira força justamente das ações que pesam mais no Ibovespa. É um lembrete de que nem sempre notícia boa lá fora significa notícia boa aqui dentro, principalmente numa bolsa concentrada em Vale, Petrobras e bancos. Vale acompanhar nos próximos dias se a queda do minério e do petróleo é pontual, ligada à trégua diplomática, ou reflete algo mais estrutural do lado da demanda chinesa e da oferta da Opep+.
— Maickel