Ativo Certo

Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Mercado em foco — 3 de agosto

A última sessão de negócios antes deste início de semana — a sexta-feira, 31 de julho — resumiu bem o clima do mercado brasileiro nas últimas semanas: sobressaltos técnicos, um evento corporativo de peso e um pano de fundo externo que segue determinando o humor por aqui. Vale revisitar os principais pontos antes de olhar para o que vem pela frente.

Ibovespa fecha julho em alta, apesar do imprevisto na B3

O pregão de sexta-feira começou com mais de duas horas de atraso por causa de uma falha técnica na B3, mas isso não impediu o Ibovespa de fechar em alta de 0,47%, aos 177.999 pontos — o melhor nível de fechamento desde meados de maio. No mês, o índice acumulou avanço de 3,47%, interrompendo uma sequência de quatro meses seguidos de perdas. O suporte veio das ações ligadas a commodities e do setor financeiro, embalado ainda pelo desempenho positivo das bolsas americanas no fim da semana.

Santander rouba a cena com oferta pela subsidiária brasileira

O destaque corporativo do mês ficou por conta do Santander: o banco espanhol anunciou a intenção de lançar uma oferta pública para adquirir a totalidade das ações do Santander Brasil (SANB11) que ainda não possui, com prêmio da ordem de 15% e valor que pode superar R$ 11 bilhões. A operação prevê a troca por certificados de ações (BDRs/ADSs) da própria matriz espanhola, e não pagamento em dinheiro. A notícia fez as units do banco dispararem mais de 13% no pregão, puxando o índice e reacendendo o debate sobre a onda de fechamentos de capital que a Bolsa brasileira vem enfrentando nos últimos anos.

Fed mantém juros, mas com dissidência incomum

Do lado externo, o Federal Reserve manteve a taxa básica americana na faixa de 3,50% a 3,75% em sua reunião de 29 de julho — a quinta decisão seguida sem alteração —, só que desta vez com três votos dissidentes, o que ampliou a incerteza sobre os próximos passos da autoridade monetária dos EUA. Wall Street reagiu mal no dia da decisão, mas recuperou o fôlego graças a balanços corporativos positivos, sobretudo de big techs, o que ajudou a sustentar o apetite por risco também por aqui.

Câmbio, tarifas e o pano de fundo doméstico

O dólar encerrou julho perto de R$ 5,08, acumulando queda superior a 8% em doze meses frente ao real — reflexo, entre outros fatores, do diferencial de juros que ainda favorece ativos brasileiros, com a Selic em 14,25% ao ano. Some-se a isso um capítulo mais delicado: entrou em vigor no fim de julho a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros — calçados, vestuário, autopeças, químicos e madeira, entre outros —, resultado da investigação da Seção 301 concluída pelo USTR. É um fator que já aparece nas conversas sobre risco setorial e que deve continuar no radar nas próximas semanas.

O que observar agora

Com o Copom sem reunião em julho, a atenção do mercado se volta justamente para os dias 4 e 5 de agosto, quando o comitê volta a se reunir para definir os rumos da Selic. Depois de uma sequência de altas expressivas na Bolsa e um real relativamente valorizado, a decisão desta semana tende a funcionar como um novo termômetro para saber se o ciclo de juros no Brasil já encontrou seu topo — e é isso que deve nortear o humor dos investidores nos próximos pregões.

Minha leitura

Fico com a sensação de que o mercado brasileiro segue surfando uma combinação favorável — juro real elevado, dólar comportado e eventos corporativos que mantêm o fluxo de notícias aquecido —, mas isso não deve ser confundido com ausência de riscos. Entre a tarifa americana, o desfecho da OPA do Santander e a decisão do Copom nesta semana, há gatilhos suficientes para justificar cautela na leitura de qualquer euforia de curto prazo. Como sempre, vale acompanhar os fatos com atenção e evitar decisões precipitadas baseadas apenas no noticiário do dia.

Maickel

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