O que moveu o mercado nesta terça-feira, 4 de agosto
A B3 fechou mais uma terça-feira de pregão nervoso, com o Ibovespa oscilando entre ganhos e perdas ao longo do dia até terminar praticamente estável, com viés de leve queda, na casa dos 177,7 mil a 177,9 mil pontos. O volume ficou dentro da média recente e o índice segue acumulando um ganho expressivo no ano, acima de 10%, o que mostra que o fôlego da bolsa brasileira em 2026 continua firme mesmo em dias de digestão como o de hoje.
Bancos e Petrobras pesaram, Vale segurou o índice
O principal destaque negativo do dia ficou por conta do setor financeiro: Itaú (ITUB4) recuou mais de 2%, em movimento de cautela às vésperas da divulgação do balanço do segundo trimestre. Petrobras (PETR4) também operou no vermelho, refletindo a queda do petróleo no mercado internacional. Do lado positivo, Vale (VALE3) se destacou com alta acima de 2%, ajudando a segurar o Ibovespa, enquanto papéis de segunda linha como Pague Menos (PGMN3) chamaram atenção com ganhos superiores a 6%. A temporada de resultados corporativos segue como o principal motor de curto prazo para as ações individuais, e tende a continuar ditando o ritmo do mercado nas próximas semanas.
Dólar sem direção clara
O dólar também não mostrou uma tendência definida ao longo do pregão, alternando entre leves altas e quedas e fechando próximo da estabilidade, na faixa de R$ 5,08 a R$ 5,12. A moeda segue reagindo mais ao cenário externo — sobretudo às expectativas para os próximos passos do Federal Reserve — do que a fatores domésticos, num momento em que o mercado local está com atenção voltada para os balanços das empresas.
Cenário externo: petróleo em queda e Wall Street em máxima
Lá fora, o dia foi marcado pelo recuo do petróleo, com o Brent perdendo força diante do arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio — a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz e o avanço nas negociações entre EUA e Irã retiraram parte do prêmio de risco que vinha sustentando os preços da commodity. Esse movimento tem um efeito duplo: alivia a pressão inflacionária global e reforça a leitura de que o Federal Reserve pode ter mais espaço para cortar juros a partir de setembro, caso a inflação continue arrefecendo. Não por acaso, as bolsas americanas engataram outra sessão de força, com S&P 500, Nasdaq e Dow Jones em alta firme e novas máximas históricas no radar.
O que fica para o investidor
O dia de hoje reforça um padrão que vem se repetindo: o mercado brasileiro segue dividido entre o otimismo com os balanços corporativos e a cautela pontual com bancos e estatais mais sensíveis a notícias específicas. Já o cenário externo, com petróleo em queda e expectativa de juros mais baixos nos EUA, tende a ser um vento favorável para ativos de risco como um todo — incluindo os emergentes. Vale manter o olho na temporada de resultados, que ainda tem nomes pesados por vir, e no noticiário internacional, que segue sendo o principal termômetro para o apetite ao risco global. Como sempre, a leitura aqui é de contexto, não de recomendação — cada decisão de investimento deve considerar o perfil e os objetivos de cada um.
Maickel