Mercado em foco — perspectivas para 21 de agosto de 2026
A sexta-feira começa com a Bolsa brasileira tentando engatar um segundo dia de recuperação, depois de uma quinta-feira que, à primeira vista, parecia apenas mais uma sessão morna, mas que carregava um simbolismo importante: o Ibovespa fechou em alta de 0,06%, aos 167.927 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões seguidos de queda. Não é um estopim de euforia — foi um avanço tímido —, mas depois de mais de duas semanas de pressão vendedora, qualquer sinal verde tende a ser lido como alívio.
Commodities no comando
O que sustentou o índice ontem foi o de sempre em momentos de tensão geopolítica: Vale e Petrobras. As duas registraram altas acima de 2%, com a petroleira ganhando fôlego adicional com o petróleo Brent se aproximando dos US$ 94 por barril, maior patamar em um mês. O gatilho foi a escalada retórica de Trump em relação ao Irã, com o anúncio de uma “guerra econômica” que reacendeu o prêmio de risco geopolítico nos preços da energia. Para quem acompanha o mercado brasileiro, o recado é direto: enquanto o conflito no Oriente Médio não arrefecer, Petrobras deve seguir como termômetro de curto prazo do Ibovespa, para o bem e para o mal — dependendo de como o noticiário evoluir ao longo do dia.
Câmbio ainda tenso
Do lado cambial, o cenário é mais desconfortável. O dólar fechou quinta-feira em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,193, muito por conta da combinação entre piora do ambiente externo e saída de capital estrangeiro da B3. Esse movimento de saída não é gratuito: ele reflete a cautela crescente dos investidores diante do calendário eleitoral, que já entrou de vez no radar do mercado. Uma pesquisa recente mostrando redução na vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro chegou a aliviar a curva de juros dias atrás, e agora o presidente reforçou sua presença na campanha ao entrar diretamente na disputa pelo governo de Alagoas, pedindo voto para Renan Filho. São sinais de que a temporada eleitoral vai seguir pautando o humor do real e dos ativos locais nas próximas semanas, com volatilidade extra sempre que novas pesquisas ou movimentos políticos vierem à tona.
Exterior: semicondutores em festa, Wall Street em compasso de espera
Enquanto o Brasil navega entre commodities e eleições, a Ásia viveu um dia de forte recuperação. O Kospi disparou quase 6%, revertendo a queda de quase 6% da véspera, com Samsung subindo 9,5% e SK Hynix avançando expressivos 12,7% após anunciar recompra relevante de ações. É um respiro importante para o setor de semicondutores, que vinha sob pressão, e pode ajudar a sustentar o apetite por risco globalmente hoje. Já Wall Street amanhece mais cautelosa: os futuros recuavam levemente após a fala do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre uma possível ampliação das recompras de títulos públicos — um tema que ganha peso justamente quando a dívida americana ultrapassa a marca de US$ 40 trilhões. No campo dos criptoativos, vale registrar que o bitcoin voltou a chamar atenção ao bater US$ 72.850, acumulando alta de 14% em quatro dias.
O que observar hoje
Não há feriado nem reunião do Copom na pauta — o próximo encontro do colegiado só ocorre em 15 e 16 de setembro, após o corte de 0,25 p.p. que levou a Selic a 14% a.a. no início do mês. O grande destaque do dia fica por conta dos PMIs preliminares de agosto na Europa, Reino Unido e Estados Unidos, que devem mostrar expansão moderada, mas com sinais de acomodação. Na zona do euro, a leitura final do CPI de julho deve confirmar inflação de 2,9% em 12 meses, ainda acima da meta do BCE, o que mantém viva a possibilidade de nova alta de juros na reunião de setembro. Para o investidor brasileiro, o dia deve ser de olho simultâneo no petróleo, no câmbio e no noticiário eleitoral — três variáveis que, juntas, seguem ditando o ritmo de um Ibovespa que só agora conseguiu, ainda que modestamente, dar uma trégua à sequência negativa.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças