Resumo do mercado — 26 de agosto de 2026: Ibovespa estende sequência de altas com IPCA-15 benigno, dólar sobe e mercado aguarda Nvidia
O pregão desta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, confirma um momento de fôlego renovado para a bolsa brasileira. Depois de fechar terça-feira em alta de 1,55%, a 174.577 pontos — quinta sessão consecutiva de ganhos —, o Ibovespa abriu o dia aos 175,7 mil pontos e, por volta de 10h23, já operava com alta de 0,86%, aos 176.080,39 pontos, caminhando para a sexta sessão positiva em sequência. É um movimento que chama atenção não só pela consistência, mas pelo pano de fundo que o sustenta: uma leitura de inflação mais tranquila no Brasil, justamente no dia em que o mercado global se prepara para dois eventos de peso — o dado de inflação nos EUA e o balanço trimestral da Nvidia.
IPCA-15 surpreende e anima o mercado
O gatilho da manhã foi a prévia da inflação oficial. O IPCA-15 de agosto caiu 0,40%, revertendo a alta de 0,06% de julho e superando as expectativas do mercado, que apontavam para uma deflação mais modesta, de 0,30%. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,24%, de 4,52% no período anterior. É a primeira deflação do indicador desde agosto de 2025. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, colocou o resultado em perspectiva: reforça a trajetória de descompressão da inflação na margem, mas boa parte da queda foi puxada por componentes voláteis e administrados, como energia elétrica e passagens aéreas — enquanto os serviços subjacentes, que refletem mais genuinamente a dinâmica de preços, aceleraram acima do esperado. É um dado bom, mas que pede cautela na leitura: nem toda deflação pontual sinaliza uma tendência estrutural resolvida.
Do lado técnico, sinal de força
Analistas do InfoMoney notam que o Ibovespa passou a negociar acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos no gráfico diário — um indicador tecnicamente favorável à continuidade do movimento. As resistências relevantes ficam na faixa entre 180.680 e 187.780 pontos, patamares que, se rompidos, poderiam validar uma extensão mais robusta da alta. Vale lembrar, porém, que análise técnica não é garantia de trajetória, apenas leitura de padrões — o próprio mercado tratou o tema com a devida cautela.
Dólar sobe discretamente, mercado de olho nos EUA
Na contramão da bolsa, o real perdeu um pouco de força. Por volta das 10h16, o dólar à vista subia 0,39%, cotado a R$ 5,160 na venda, enquanto o dólar futuro para setembro cedia 0,05%, a R$ 5,152. Minutos depois, o Money Times já registrava a moeda em R$ 5,1596, alta de 0,37%, num movimento que acompanha o fortalecimento global do dólar — o índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas fortes, avançava 0,20%. Nos EUA, o núcleo do índice de inflação PCE subiu 0,2% em julho, dentro do esperado, o que tira parte da pressão sobre o mercado antes do simpósio de Jackson Hole, onde o presidente do Fed, Kevin Warsh, discursa na sexta-feira.
Nvidia no radar: o grande evento da noite
Depois do fechamento em Nova York, todos os olhos se voltam para o balanço trimestral da Nvidia, empresa mais valiosa do mundo e termômetro do apetite global por inteligência artificial. As ações do setor de semicondutores vinham de sua maior sequência de perdas desde 2022, e uma recuperação nos preços antes da divulgação sugere que parte do mercado já reposiciona apostas para o resultado.
Setores: petróleo pesa, bancos e varejo sobem
O padrão setorial de terça se repete nesta quarta: Vale, grandes bancos e varejistas sobem, enquanto a Petrobras recua, pressionada pela nova queda do petróleo — o Brent cedia cerca de 2,9%, para perto de US$ 86, em meio ao alívio das tensões no Oriente Médio. Na sessão anterior, os destaques positivos ficaram com Banco do Brasil (+5,2%), Magazine Luiza (+9,1%) e as construtoras Cury e Tenda (cerca de 7,5% cada). Do lado negativo, a Braskem despencou 13,1% após pedir recuperação extrajudicial, sendo removida do Ibovespa — um caso que a Nova Futura resumiu bem ao apontar o “risco de diluição” como o tema central para os acionistas da companhia.
Projeções mais conservadoras para o Ibovespa em 2026
Uma pesquisa da Reuters trouxe um dado relevante para colocar a euforia recente em perspectiva: a mediana das projeções de 14 estrategistas de mercado, consultados entre 12 e 26 de agosto, indica que o Ibovespa deve encerrar 2026 em 179.000 pontos — bem abaixo dos 195.000 pontos estimados em maio. É a primeira revisão para baixo nas expectativas na história recente do levantamento trimestral, embora o índice ainda deva fechar o ano em território positivo. Heitor De Nicola, da AVIN, resumiu o principal receio do mercado: o risco para 2027 é fiscal, não eleitoral — uma leitura que ajuda a entender por que, mesmo com os bons números de inflação, o otimismo do mercado vem com ressalvas.
Radar corporativo movimentado
Fora do índice, o dia trouxe decisões relevantes. A CVM determinou, por unanimidade, que a gestora americana Centaurus deverá fazer uma oferta pública de aquisição das ações da Oncoclínicas, decisão que pode exigir um desembolso superior a R$ 6 bilhões. O Bradesco negou ter fechado acordo com Advent e Bain para a compra da Amil, deixando claro que não há contrato formal firmado — o que não descarta, mas também não confirma, conversas em andamento. A Hapvida, por sua vez, avançou em gestão de passivos, aprovando o uso de até R$ 250 milhões para recompra de debêntures e liquidação de hedge, com deságio médio de 23%. E a Justiça do Rio decretou a falência da Oi, encerrando um capítulo longo e conturbado da companhia.
No conjunto, o dia reforça um padrão que já dura seis pregões: otimismo com a inflação e o cenário técnico, mas atenção redobrada aos riscos fiscais domésticos e aos desdobramentos internacionais que ainda estão por vir — a começar pelo balanço da Nvidia, hoje à noite.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças