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Mercado em foco — perspectivas para 31 de agosto de 2026

A semana começa na B3 sob um contraste que resume bem o momento do mercado brasileiro: um Ibovespa embalado por uma sequência de oito pregões consecutivos de alta e ganho de 2,7% na semana passada, mas um pano de fundo externo que voltou a ficar mais desconfortável depois da fala do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole. É esse embate entre otimismo doméstico recente e cautela importada dos Estados Unidos que deve dar o tom do pregão de hoje, segunda-feira.

O que ficou da sexta-feira

No fechamento de sexta (28), o Ibovespa avançou 0,30%, aos 175.664,62 pontos, puxado por Petrobras (+1,99%) e Banco do Brasil (+1%). Já o dólar caminhou na direção oposta, subindo 0,66%, para R$ 5,1959, e fechou a semana acumulando alta de 1%. Do lado corporativo, houve movimentação relevante de casas de análise: o JPMorgan elevou o preço-alvo de Itaúsa (ITSA4) de R$ 18 para R$ 18,50, mantendo recomendação de compra, enquanto o Bradesco BBI elevou a recomendação para Petrobras. No campo macro, o Caged trouxe um dado que reforça a leitura de desaceleração da atividade: apenas 58.568 novas vagas formais em julho, queda de 57,2% frente ao mês anterior — número que tem alimentado apostas em novos cortes de juros por aqui.

O recado duro de Wall Street

Do outro lado do Atlântico, o clima foi menos ameno. Warsh classificou a inflação americana como “alta demais” e disse que a estabilidade de preços será o foco predominante do Fed — discurso hawkish o suficiente para elevar de forma expressiva as apostas de alta de juros na reunião de setembro, que saltaram para 57%. Wall Street reagiu com quedas pontuais na sexta (Nasdaq -0,52%, S&P 500 -0,25%, Dow Jones -0,02%), embora a semana como um todo tenha fechado positiva para os três índices. Nos treasuries, o rendimento da T-note de 10 anos subiu para 4,72% e o título de 30 anos foi a 5,21%, sinalizando que o mercado já precifica juros americanos mais altos por mais tempo — fator que tende a pressionar moedas emergentes, incluindo o real.

Radar internacional da manhã

A agenda de hoje é movimentada lá fora. Na China, o PMI industrial oficial saiu em linha com o esperado, mostrando ainda contração da atividade (projeção de 49,7 ponto, ante 49,2 antes), enquanto o Caixin é aguardado com atenção especial por ser referência de apetite por commodities — tema sensível para papéis como Vale e Petrobras. Na Europa, o IPC da Alemanha deve funcionar como termômetro para a inflação da zona do euro, com projeção de alta de 2,8% na comparação anual.

No Brasil, dia de agenda protocolar — mas atenção ao que vem depois

Por aqui, o calendário de hoje é mais de bastidores: o Boletim Focus, às 8h25, e os dados fiscais de julho (dívida bruta e líquida, resultados primário e nominal), às 8h30 — a última leitura mostrava dívida bruta em 81,9% do PIB e líquida em 68,5%. O grande evento da semana, porém, vem amanhã: o PIB do segundo trimestre, que vai indicar se a economia perdeu fôlego após o crescimento de 1,1% do primeiro trimestre. Não há Copom hoje — o colegiado só volta a se reunir em 15 e 16 de setembro, após ter cortado a Selic para 14% ao ano na reunião de agosto.

Fator eleitoral no radar

Some-se a isso o componente político: a confirmação de Aécio Neves como candidato a senador por Minas Gerais reforça um quadro eleitoral mais movimentado, em meio a pesquisas que mostram corrida presidencial mais acirrada — tema que tem, em pregões recentes, mexido com o prêmio de risco do real e merece acompanhamento nas próximas semanas.

O que observar hoje

Com a agenda doméstica esvaziada, o pregão brasileiro deve navegar essencialmente ao sabor do exterior: o resultado do PMI chinês, o desdobramento da fala de Warsh sobre os juros americanos e o comportamento do dólar, que fechou a semana passada perto de R$ 5,20. Vale também ficar de olho em eventuais novas revisões de bancos sobre ações do Ibovespa, como as recentes atualizações de JPMorgan e Bradesco BBI, e na expectativa que já começa a se formar em torno do PIB de amanhã.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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