Mercado em foco — perspectivas para 3 de setembro de 2026
O pregão desta quinta-feira começa em clima de ressaca positiva. Depois de uma quarta-feira histórica, em que o Ibovespa disparou 3,05%, para 185.205,09 pontos — a maior alta percentual em um único dia desde março —, o mercado brasileiro chega à sessão de hoje tentando entender se o movimento tem fôlego para continuar ou se foi um susto isolado de otimismo. Foi a 11ª sessão seguida de fechamento positivo para o índice, que na máxima do dia bateu 186.028,06 pontos, patamar não visto desde o início de maio. O volume também chamou atenção: R$ 40,86 bilhões negociados, bem acima da média diária do ano, de cerca de R$ 32 bilhões.
O gatilho foi político, não econômico
Vale reforçar que o combustível dessa alta recorde não veio de dados de atividade ou de sinalização do Banco Central, mas de uma pesquisa eleitoral. A Quaest mostrou empate técnico entre Lula (42%) e o senador Flávio Bolsonaro (41%) no primeiro turno, e o mercado leu isso como um sinal de que uma eventual mudança de governo poderia significar uma guinada mais ortodoxa na política econômica. É um raciocínio recorrente entre investidores — a incerteza fiscal costuma pesar mais do que qualquer promessa de campanha —, mas vale lembrar que pesquisas de mais de um ano antes do pleito têm volatilidade própria, e apostar todas as fichas nesse tipo de leitura antecipada é, na melhor das hipóteses, arriscado.
No campo corporativo, a Azzas 2154 roubou a cena com uma reestruturação societária que fez a ação disparar, enquanto Vale, bancos e Petrobras deram sustentação ao índice como um todo. Magalu também apareceu entre os destaques do pregão.
Dólar em queda e o papel do Banco Central
O reflexo cambial foi imediato: o dólar comercial fechou a R$ 5,10, com mínima em R$ 5,098 e máxima em R$ 5,170, acompanhando o recuo dos juros futuros. Nos bastidores, o Banco Central seguiu atuando na ponta técnica — vendeu 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro — e revelou que o fluxo cambial total de agosto (até o dia 28) foi negativo em US$ 3,095 bilhões. É um dado que merece acompanhamento, porque mostra que, apesar do otimismo da bolsa, o fluxo de capital não necessariamente acompanhou o mesmo entusiasmo.
Wall Street também respirou aliviada, mas com ressalvas
Do lado americano, os três principais índices fecharam em alta na quarta, interrompendo três sessões seguidas de perdas. O Dow subiu 0,56%, o Nasdaq 0,45% e o S&P 500 0,46%, puxados por um alívio pontual nos juros longos do Tesouro — mesmo com o rendimento da T-note de 10 anos batendo o maior nível desde novembro de 2023. Nvidia (+3,21%) e Dell (+15,7%, após resultados acima do esperado) foram os nomes de destaque.
Mas há um dado que merece atenção redobrada: o relatório ADP de emprego privado mostrou criação de apenas 38 mil vagas em agosto, abaixo da expectativa de 48 mil, com julho revisado para baixo. Isso reacende o debate sobre o payroll oficial de sexta-feira, quando o mercado vai calibrar suas apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve — especialmente após o tom mais duro do chair Kevin Warsh em Jackson Hole ter pressionado os ativos de risco nos últimos dias.
Agenda de hoje e o que vem pela frente
No Brasil, o dia é mais tranquilo, com PMI de Serviços e PMI Composto de agosto saindo às 10h. Não há reunião do Copom — o próximo encontro do colegiado só acontece nos dias 15 e 16 de setembro. Nos Estados Unidos, a agenda é mais carregada, com balança comercial, pedidos de seguro-desemprego, PMIs e o ISM de Serviços, todos servindo de aquecimento para o payroll de sexta.
No pano de fundo internacional, o risco geopolítico segue latente: ataques atribuídos à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã contra bases americanas no Kuwait, Jordânia, Bahrein, Emirados Árabes e Iraque mantiveram o petróleo elevado, com o Brent fechando em alta de 1,03%, a US$ 95,63 o barril, e ameaças cruzadas entre Washington e Teerã no radar.
O quadro que se desenha para hoje é de um mercado dividido entre o otimismo doméstico — impulsionado por fatores político-eleitorais e um dólar mais fraco — e a cautela externa, com Treasuries em patamares de anos, petróleo pressionado pela tensão no Oriente Médio e a expectativa crescente pelo payroll de sexta-feira, que pode redefinir o humor dos mercados globais na virada da semana.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças