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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Bolsa e câmbio dançam ao ritmo das pesquisas: como a eleição de outubro virou o principal termômetro do mercado

Se tem um fio que amarra tudo o que está acontecendo no mercado financeiro brasileiro nas últimas semanas, é a disputa presidencial de outubro. Não é exagero dizer que o Ibovespa e o dólar hoje se movem menos por balanços trimestrais ou decisões de política monetária e mais pela última pesquisa de intenção de voto divulgada. É um comportamento típico de ano eleitoral, mas a intensidade que estamos vendo em 2026 chama atenção.

Nesta terça-feira (8/9), o dólar à vista fechou em queda de 0,79%, a R$ 5,08, menor cotação desde 7 de agosto. O Ibovespa, por sua vez, avançou 1,24%, encerrando o dia aos 187.451,80 pontos, depois de ter tocado 189.487,70 na máxima do pregão. O movimento foi puxado pelo retorno de investidores estrangeiros à bolsa brasileira e por novas pesquisas que reforçam o cenário de disputa equilibrada na corrida presidencial. O real também se valorizou, fechando a 5,0858 por dólar, ganho de 0,88%, num dia em que o Banco Central anunciou leilão de venda de até US$ 1 bilhão à vista, reduzindo a oferta de dólares no mercado doméstico.

O contraste com Nova York ajuda a entender o momento: enquanto o S&P 500 caiu 0,58% e o Dow Jones recuou 1,18% na mesma terça-feira, o Ibovespa subiu 1,20%. O Brasil, mais atrelado a commodities como petróleo e minério de ferro do que às gigantes de tecnologia americanas, tem sido lido pelo mercado como um ativo relativamente mais barato neste momento.

O salto de 3% que mudou o clima

Vale voltar um pouco no calendário para entender a origem desse otimismo recente. No dia 3 de setembro, o Ibovespa deu um salto de 3,05%, fechando a 185.205 pontos — o maior nível em quase quatro meses. O gatilho foi claramente político: uma pesquisa mostrando Lula estatisticamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno reduziu o temor do mercado quanto a uma mudança abrupta de política econômica. No mesmo dia, um acordo entre Magazine Luiza e Mercado Livre turbinou as ações do varejo, e o real se fortaleceu 1,25% frente ao dólar. Àquela altura, o índice já estava 32% acima de sua mínima de 52 semanas, registrada em 139.864 pontos — um giro e tanto em relação ao fundo da recente derrocada do ano.

Essa sequência positiva, aliás, rompeu um período de forte estresse: dias antes, a bolsa havia amargado um “rali reverso” de 11 sessões seguidas de alta puxado justamente pelo avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas — um sinal claro de como o apetite do mercado por risco oscila junto com cada nova rodada de levantamentos eleitorais. No acumulado, o Ibovespa já soma alta de 4,48% no terceiro trimestre e 11,54% no ano.

Por que a eleição pesa tanto: o nó é fiscal, não partidário

Analistas de mercado costumam ser enfáticos num ponto: não é exatamente “quem vai ganhar” que move os preços, mas a percepção sobre o rumo do ajuste fiscal. Matheus Spiess, da Empiricus Research, resume bem: o início de uma campanha eleitoral costuma ser historicamente estressante para o mercado brasileiro porque o eixo de transmissão para os ativos financeiros é fiscal — e o país vive, segundo ele, uma insustentabilidade de gastos públicos que preocupa investidores independentemente da cor partidária do próximo governo. A recomendação da casa não é tentar adivinhar o resultado das urnas, tratado como um verdadeiro “jogo de azar” para carteiras de investimento, mas montar posições mais equilibradas e diversificadas, capazes de proteger patrimônio em cenários adversos e ainda capturar ganhos caso o país avance na agenda fiscal.

Um relatório do BTG Pactual, apresentado recentemente na CEO Conference em São Paulo, mostra que investidores institucionais já estão desenhando estratégias para dois cenários distintos — reeleição de Lula ou vitória de Flávio Bolsonaro —, o que influencia desde decisões sobre ações até o fluxo de capital estrangeiro. Segundo o levantamento, no cenário de reeleição de Lula, cresce a preferência por empresas exportadoras e companhias com maior previsibilidade operacional, com nomes como Suzano, Itaú e WEG citados como exemplos dessa categoria. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, resume o momento dizendo que o cenário eleitoral se tornou um dos principais vetores de preço dos ativos brasileiros.

Selic: o ciclo de cortes andando em ritmo de lesma

Outro capítulo importante é a trajetória dos juros. O Copom se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para decidir se dá sequência ao ciclo de corte da Selic, hoje em 14% ao ano, com decisão anunciada na noite do dia 16 e ata prevista para 22 de setembro. Depois disso, restam ainda duas reuniões em 2026: 3 e 4 de novembro, e 8 e 9 de dezembro.

As projeções do Boletim Focus indicam uma trajetória de queda bem mais lenta do que se imaginava no início do ano: Selic de 13,75% no fim de 2026, 12% em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029. Como a taxa atual está em 14%, isso significa apenas mais 0,25 ponto percentual de corte até dezembro — um ritmo que sugere juros elevados por bastante tempo ainda. Vale lembrar que a Selic começou 2026 em 15%, com expectativa de corte de até 3 pontos no ano, mas o conflito no Irã, em junho, quase paralisou o ciclo. O corte prosseguiu depois, com o Copom aprovando em agosto sua quarta redução consecutiva, de 0,25 ponto, levando a taxa aos atuais 14%.

Ouro: o ano do metal precioso e a crise de confiança nos EUA

Em paralelo ao noticiário eleitoral, 2026 também ficará marcado como o ano em que o ouro voltou a ser protagonista global. Depois de subir mais de 60% em 2025, o metal emplacou uma escalada ainda mais vertiginosa neste ano: em 28 de janeiro, a onça troy chegou a ser negociada a US$ 5.326, então a maior cotação já registrada para o ouro à vista, acumulando alta superior a 90% em 12 meses. No dia seguinte, 29 de janeiro, o metal tocou uma máxima histórica de US$ 5.594 por onça — para, na sequência, cair 9% e recuar a mínimas intradiárias de US$ 4.400, evidenciando a volatilidade do movimento.

Por trás dessa disparada está um fator digno de nota: o anúncio de que promotores federais americanos abriram uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que teria decorrido da resistência do Fed em seguir as preferências da Casa Branca quanto aos juros. O episódio levou investidores a reduzir exposição a ativos americanos e buscar proteção em ouro e prata, ambos batendo recordes históricos. Outros fatores citados por analistas incluem a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e as tensões entre Washington e o regime iraniano, além de compras contínuas de ouro por bancos centrais asiáticos, com destaque para o Banco Popular da China ampliando reservas ao longo do ano.

O UBS, mesmo após a correção de fevereiro, mantém viés altista, projetando preços de até US$ 6.200 por onça em meados do ano, com consolidação para US$ 5.900 até dezembro, e recomenda uma alocação moderada em ouro para quem busca proteção contra inflação e riscos geopolíticos. No Brasil, porém, o metal mostrou acomodação recente: a grama do ouro 24k estava cotada em R$ 729,87 em 4 de setembro, abaixo do fechamento de 2025, de R$ 767,12 — um lembrete de que, mesmo em ativos considerados “portos seguros”, a volatilidade em reais pode surpreender.

O pano de fundo: petróleo e Oriente Médio

Não dá para entender o apetite recente por commodities e por ouro sem olhar para o Oriente Médio. Segundo a Forbes, Wall Street já se prepara para a possibilidade de que as interrupções no transporte marítimo na região se estendam até 2027, com bancos como Goldman Sachs e HSBC revisando para cima suas previsões de preço do petróleo. Um dado ilustra bem o tamanho do problema: o número de navios que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para sete na segunda-feira (8/9), ante oito no dia anterior — antes dos ataques de EUA e Israel contra o Irã em fevereiro, cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo passava por ali.

Diante desse cenário — eleição apertada, fiscal sob pressão, juros lentos para cair e um mundo em polvorosa geopolítica —, o investidor brasileiro segue diante de um quebra-cabeça incomum: tentar separar o que é ruído de curto prazo movido por pesquisa eleitoral do que é, de fato, mudança estrutural de cenário. Como bem resumem os analistas consultados, apostar no resultado das urnas é jogo de azar; entender os mecanismos de transmissão para os preços dos ativos, esse sim, é trabalho que vale a pena fazer com cuidado nas próximas semanas.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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