Mercado em foco — perspectivas para 10 de setembro de 2026
O pregão desta quinta-feira começa sob o peso de um cenário externo que azedou rápido. Depois de um início de semana animado, com o Ibovespa surfando o fluxo estrangeiro e o real se valorizando, a quarta-feira trouxe a virada: o índice fechou em queda de 0,93%, aos 185.629,04 pontos, e o dólar avançou 0,51%, para R$ 5,112, num movimento clássico de fuga para ativos considerados mais seguros. O pano de fundo é geopolítico, e o gatilho tem nome e sobrenome: petróleo.
Petróleo e Oriente Médio no centro das atenções
Ataques das forças Houthi, apoiadas pelo Irã, contra cidades da Arábia Saudita levaram os contratos futuros do Brent a subir 2,9%, para US$ 100,78 o barril. Não é pouca coisa: petróleo acima de US$ 100 reacende o temor de repique inflacionário justamente num momento em que bancos centrais ao redor do mundo tentavam sinalizar o fim dos apertos monetários. O resultado foi visto ontem nas bolsas europeias, com o STOXX 600 recuando 1,41%, o DAX alemão caindo 1,49%, o CAC 40 francês perdendo 1,89% e o FTSE 100 britânico cedendo 0,97%. Em Nova York, o Dow Jones e o Nasdaq também fecharam no vermelho, com apenas os setores de energia e tecnologia sustentando algum fôlego.
BCE decide juros hoje
O grande evento do dia fica por conta da reunião do Banco Central Europeu. O consenso entre analistas aponta para uma alta de 25 pontos-base, levando a taxa de depósito a 2,5%, segundo estimativa da Allianz Global Investors. A leitura da Oxford Economics de que a decisão é “negócio fechado” resume bem o clima: com a inflação da zona do euro acelerando para 3,3% em agosto e o petróleo pressionando ainda mais os preços, Christine Lagarde deve manter o discurso duro na coletiva desta tarde. É um contraste interessante com o que se espera no Brasil, onde o mercado já precifica um novo corte da Selic na reunião do Copom marcada para os dias 15 e 16 — um movimento oposto ao dos principais bancos centrais globais, sustentado pelo ciclo de afrouxamento iniciado em março.
Agenda doméstica movimentada
Por aqui, o dia é recheado de indicadores: a Fipe traz o IPC mensal, a FGV divulga a primeira prévia do IGP-M de setembro, e o IBGE apresenta a Pesquisa Mensal de Serviços de julho (com expectativa de alta de 0,2%) e a Pesquisa Industrial Regional. Mas o dado que realmente vai pautar o humor do mercado sai amanhã: o IPCA de agosto, com projeção de recuo de 0,26%, puxado principalmente pela queda nos preços de energia elétrica em razão do bônus de Itaipu, segundo o Bradesco.
Focus e o ambiente político
O Boletim Focus divulgado na terça trouxe uma redução da projeção de IPCA 2026 de 5,01% para 5%, com câmbio mantido em R$ 5,20 e Selic ainda projetada em 13,75% ao ano. No campo político, a tensão institucional em torno do STF — com o afastamento de dirigentes da PF determinado por André Mendonça e a expectativa de julgamento pela Segunda Turma — segue como fonte de ruído, ainda que o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral tenha, paradoxalmente, ajudado a reduzir a percepção de risco de cauda nos últimos meses.
O que observar hoje
Depois de uma sequência de 11 altas seguidas que somaram 11,34% em agosto e setembro, o Ibovespa testa agora sua resiliência diante de um cenário externo mais adverso. Com futuros de Nova York pressionados, Ásia sem direção única e Europa em compasso de espera pelo BCE, a abertura por aqui tende a repetir o tom cauteloso de quarta-feira, com atenção redobrada à reação do dólar e aos desdobramentos da decisão europeia no fim do pregão local.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças