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Guerra no Irã, ouro em queda livre e Selic travada: o quebra-cabeça do investidor em setembro de 2026

Tem semana que resume um ano inteiro. Esta é uma delas. Nos próximos dias, o Copom decide o rumo da Selic, o mercado ainda digere o IPCA mais fraco em meses e o petróleo volta a testar a casa dos US$ 100 por barril por causa de uma guerra que já dura mais de um ano e meio. Se você é investidor brasileiro e está tentando entender por que seu FII andou de lado, por que o ouro que parecia infalível derreteu, ou por que o Bitcoin não descolou mesmo com todo esse caos, a resposta passa por entender como essas peças conversam entre si.

O fio condutor: a guerra que não sai da conta de ninguém

Desde o final de fevereiro de 2026, quando Israel e Estados Unidos lançaram um ataque conjunto contra o Irã — batizado de “Operação Leão Rugidor” pelos israelenses e “Operação Fúria Épica” pelo Pentágono —, o mercado global vive sob a sombra do que analistas já chamam de maior choque de oferta desde a crise do petróleo dos anos 70. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde passava cerca de 31% do petróleo transportado por via marítima no mundo, tirou do tabuleiro uma quantidade de barris que o mercado simplesmente não consegue repor rapidamente. Não é acaso que, em 9 de setembro, o Brent voltou a furar os US$ 100, com pico de US$ 100,95, algo que não acontecia desde maio. Dias antes, uma nova onda de ataques entre os dois países já havia deixado investidores em alerta. O resultado prático: títulos do governo americano sob pressão de venda, com o rendimento do papel de 10 anos rondando os 5% — nível que não se via há quase duas décadas.

Ouro: do recorde histórico à ressaca de 25%

Se existe um ativo que resume a montanha-russa de 2026, é o ouro. Depois de subir 65% em 2025 e mais 15% só no primeiro mês deste ano, o metal bateu recorde atrás de recorde, chegando a US$ 5.405 a onça-troy segundo o Conselho Mundial do Ouro — com fontes como a CBS News apontando picos ainda maiores, acima de US$ 5.589. A prata surfou na mesma onda, com valorização acumulada superior a 127% em 2025. Bancos centrais asiáticos, com destaque para o Banco Popular da China, compraram pesado como parte de uma estratégia de reduzir dependência do dólar.

Só que o enredo mudou de figura a partir de meados do ano. Em vez dos cortes de juros que o mercado apostava no fim de 2025, o consenso passou a ser o oposto: pelo menos uma alta de juros do Federal Reserve ainda em 2026, possivelmente até outubro, com movimento semelhante esperado do Banco da Inglaterra, do BCE e do Banco do Japão. Ouro não paga juros — e essa simples equação derrubou o metal em mais de 25% desde o pico de janeiro. Hoje, segundo o TradingEconomics, a cotação ronda US$ 4.350, com o mercado de olho nos próximos dados de inflação americana. A lição fica para quem trata o ouro como proteção automática contra crise: mesmo com guerra ativa no Oriente Médio, o metal não é imune ao humor dos bancos centrais.

Bitcoin: sem euforia, mesmo em ano de caos geopolítico

Quem esperava que instabilidade global turbinasse as criptomoedas também teve surpresa. Em 12 de setembro, o Bitcoin capitalizava US$ 1,56 trilhão, ainda 38,6% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080. O volume negociado em 24 horas, de US$ 21,92 bilhões, mostra um mercado mais morno que efervescente. O mesmo pano de fundo que empurra o ouro — petróleo em alta, juros americanos subindo, com o Brent chegando a saltar 5,9% numa única sessão — tem pesado sobre ativos de risco como as criptomoedas. Do lado otimista, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, disse recentemente acreditar que o fundo do ciclo já ficou para trás, projetando US$ 400 mil para o Bitcoin até 2030. Tecnicamente, segundo a CryptoQuant, o próximo teste relevante é a média móvel de 365 dias, em torno de US$ 81.700 — nível que, historicamente, precisa ser rompido para que um novo ciclo de alta se confirme.

Brasil: Selic parada, inflação surpreendendo — mas com pegadinha

No front doméstico, o Copom se reúne nesta terça e quarta-feira (15 e 16) para decidir o futuro da Selic, hoje em 14% ao ano. As projeções do boletim Focus indicam apenas mais um corte de 0,25 ponto até dezembro, encerrando o ano em 13,75% — um ritmo bem mais lento do que se imaginava em janeiro, quando o mercado apostava em três pontos percentuais de corte ao longo do ano. A guerra no Irã ajuda a explicar essa recalibragem: com petróleo mais caro e juros americanos em alta, o espaço para afrouxamento monetário no Brasil encolheu.

O IPCA de agosto, divulgado pelo IBGE em 11 de setembro, trouxe um dado chamativo: deflação de 0,32%, levando o índice acumulado em 12 meses a 4,22%, dentro do teto da meta. Mas antes de comemorar, vale o alerta: boa parte dessa queda veio de um efeito temporário, o crédito extraordinário do Bônus de Itaipu, que baratou artificialmente a energia elétrica. É um respiro real no bolso, mas não necessariamente um sinal de que a inflação estrutural cedeu. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, resumiu bem a cautela da autoridade monetária ao dizer que “não há porta fechada nem seta dada” para as próximas decisões.

O que fica para o investidor

O retrato de setembro de 2026 é de um mundo em que nenhum ativo oferece proteção garantida. Ouro corrigiu forte mesmo com guerra em curso. Bitcoin segue represado apesar do caos. E a renda fixa brasileira, ainda que atrativa em termos nominais, opera num ambiente de cortes lentos e imprevisíveis, reféns de uma equação global que passa por Ormuz, pelo Federal Reserve e por decisões tomadas a milhares de quilômetros daqui. Entender essas conexões é, hoje, tão importante quanto escolher onde alocar o próximo real.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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