O que moveu o mercado nesta quinta-feira, 13 de agosto
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (13) com queda de 0,23%, aos 167.100 pontos, oitava sessão consecutiva no vermelho — a mais longa sequência de perdas do índice em bastante tempo. O dia começou de forma mais animada, com o índice chegando a bater 168.309 pontos na máxima, mas perdeu força ao longo da tarde sob pressão de balanços corporativos e da saída persistente de capital estrangeiro. O dólar, na ponta oposta, subiu 0,25% e fechou cotado a R$ 5,193, a quarta alta seguida da moeda americana, que já acumula ganho de mais de 2% tanto na semana quanto no mês.
Balanços que mexeram com o índice
A temporada de resultados do segundo trimestre voltou a ditar o ritmo do pregão. O destaque negativo ficou por conta da Hapvida (HAPV3), cujas ações desabaram cerca de 20% após o mercado reagir mal a margens pressionadas e ao aumento da judicialização no setor de saúde suplementar — de longe o pior desempenho do Ibovespa no dia. O Banco do Brasil (BBAS3) também surpreendeu, mas pelo lado inverso do esperado: mesmo com lucro acima das projeções, as ações chegaram a cair mais de 4% na mínima intradiária, fechando com perdas relevantes, sinal de que o mercado está de olho em outros pontos do balanço, como provisões e qualidade da carteira de crédito. Do lado positivo, a Petrobras (PETR4) andou na contramão do índice, com viés de alta em meio à movimentação dos preços internacionais do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) chamou atenção com o anúncio de um novo projeto de flotação de partículas grossas, iniciativa que mira ganhos de eficiência na produção de minério.
Estrangeiro segue de saída, e a eleição pesa no radar
Oito pregões seguidos de perdas não acontecem por acaso. O pano de fundo segue sendo a saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira, movimento que gestores globais atribuem à cautela crescente com o cenário eleitoral e com a trajetória fiscal do país. Somando as perdas dos últimos pregões, as empresas listadas na B3 já viram bilhões de reais em valor de mercado evaporarem nesse período. É um lembrete de que o humor do mercado local nem sempre acompanha o exterior — e de que ruído político tende a pesar mais sobre o câmbio e a bolsa do que qualquer dado isolado de resultado corporativo.
Lá fora, o cenário é mais ameno
Nos Estados Unidos, dados de inflação ao produtor vieram estáveis em julho e os pedidos de auxílio-desemprego subiram para 209 mil, um conjunto de números que reduziu a probabilidade de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve neste segundo semestre. Os futuros de Wall Street reagiram bem, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operando em alta ao longo do dia, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram, o que em tese deveria aliviar a pressão sobre moedas e bolsas de mercados emergentes. O Brasil, no entanto, não conseguiu surfar esse alívio externo — sinal de que os problemas do momento são mais domésticos do que importados. Tensões no Oriente Médio e a oscilação dos preços do petróleo também seguiram no radar dos investidores.
Minha leitura
O que chama atenção nessa sequência de oito quedas não é necessariamente a magnitude — em termos percentuais, os recuos diários têm sido moderados — mas a persistência. Quando o mercado ignora um alívio externo relevante, como o de hoje, para continuar caindo, é sinal de que o desconforto tem raiz local: câmbio pressionado, calendário eleitoral e questão fiscal. Balanços corporativos, como os de Hapvida e Banco do Brasil, mostram que a seletividade também aumenta nesse tipo de ambiente — o mercado castiga com rigor qualquer sinal de fragilidade, mesmo quando os números gerais não são ruins. Para quem investe, a lição de sempre continua valendo: entender os fatores em jogo é mais útil do que tentar adivinhar quando a sequência de quedas vai parar.
Maickel