Mercado em foco — 14 de agosto
O pregão de quinta-feira (13/8) fechou mais uma vez no vermelho para o Ibovespa, que recuou 0,23%, encerrando perto dos 167,1 mil pontos. Foi a oitava sessão seguida de perdas — a sequência negativa mais longa em três anos —, com uma queda acumulada de cerca de 6% desde o início de agosto e algo como R$ 279 bilhões em valor de mercado evaporados das empresas listadas na B3 nesse período.
Estrangeiro na saída, dólar na ponta
O principal vilão da vez segue sendo o fluxo de capital estrangeiro. Só no dia 11 de agosto, a B3 registrou saída líquida de R$ 4,72 bilhões — a maior desde fevereiro de 2021 —, e o acumulado de resgates já soma quase R$ 12 bilhões no mês. Não à toa, o dólar voltou a subir, fechando cotado a R$ 5,19, a quarta alta seguida, consolidando o real como uma das moedas emergentes de pior desempenho em agosto.
Balanços do segundo trimestre pesam no humor
Além do fluxo, a temporada de resultados do segundo trimestre também contribui para o desconforto. Banco do Brasil, Sabesp e Equatorial figuraram entre os destaques negativos, com números que acenderam um sinal amarelo sobre inadimplência, despesas operacionais e margens. Como bancos, Petrobras e Vale somam cerca de metade do peso do índice, qualquer soluço nesse grupo tende a contaminar o Ibovespa como um todo — e foi mais ou menos isso que se viu ao longo da semana.
Lá fora, um pano de fundo mais ameno
Do lado externo, o cenário chega a soar mais favorável: o CPI americano de julho veio suave, com núcleo em alta de apenas 0,2%, o que reforça a leitura de um Federal Reserve com menos pressa para manter juros elevados e tende a enfraquecer o dólar no mundo todo. O problema é que, no Brasil, esse alívio global está sendo ofuscado por um fator bem mais local — e político.
O prêmio eleitoral já está sendo cobrado
Com o primeiro turno das eleições gerais marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno em 25 de outubro, o mercado começou, na prática, a cobrar um pedágio para atravessar esse período. A ausência de sinais mais claros sobre como o próximo governo pretende lidar com um déficit fiscal rondando 8% do PIB é o tipo de incerteza que investidores institucionais gostam cada vez menos de carregar às vésperas de uma eleição — e é isso que parece estar, hoje, no centro do prêmio de risco embutido nos preços dos ativos brasileiros.
O que fica
Sequências de oito quedas seguidas chamam atenção, mas raramente contam a história toda sozinhas. O que este agosto está mostrando é a sobreposição de três camadas distintas — resultados corporativos mistos, fluxo estrangeiro nervoso e um calendário eleitoral que começa a entrar na conta — que juntas explicam boa parte da volatilidade recente. Para quem acompanha o mercado de perto, vale menos tentar acertar o fundo do poço e mais entender que esse tipo de ruído tende a se intensificar conforme outubro se aproxima. Diversificação e paciência continuam sendo, como sempre, os ativos mais subestimados desta fase.
Até amanhã.
Maickel