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O que moveu o mercado nesta segunda-feira, 17 de agosto

A bolsa brasileira fechou mais uma segunda-feira sob pressão. O Ibovespa até tentou emplacar uma recuperação logo na abertura, embalado pelo avanço do petróleo e pelas ações da Petrobras, mas perdeu força ao longo do dia e voltou a operar no vermelho, encerrando o pregão perto dos 166,5 mil pontos. Foi mais uma sessão de nervosismo em um mês de agosto que já acumula perdas relevantes, com o índice completando praticamente dez pregões seguidos sem conseguir emplacar uma recuperação consistente.

Ibovespa: o mercado ainda não encontrou chão

O destaque positivo do dia ficou por conta da Ultrapar, que subiu com força e foi a maior contribuição individual para o índice. Do lado negativo, os bancões voltaram a pesar: Itaú Unibanco e Bradesco tiveram um dia fraco e travaram qualquer tentativa mais consistente de recuperação. Não é a primeira vez que vemos esse padrão nas últimas semanas — o mercado sobe puxado por commodities e cai puxado pelo setor financeiro, o que mostra o quanto o humor dos investidores em relação à política doméstica ainda pesa mais do que qualquer notícia isolada do exterior.

No pano de fundo, seguem as mesmas dúvidas que vêm dominando agosto: a incerteza eleitoral, que ganhou um capítulo novo com o início oficial das campanhas e novas pesquisas de intenção de voto, e a apreensão do mercado com o tamanho do ajuste fiscal esperado para 2027. Some-se a isso um dado de atividade fraco — a prévia do PIB (IBC-Br) de junho recuou 0,6%, abaixo do esperado — e temos o coquetel que explica por que o índice não consegue esboçar uma reação mais firme, mesmo com o petróleo ajudando pontualmente.

Câmbio e juros

Do lado cambial, o dia foi de alívio: o dólar caiu cerca de 0,4% ante o real, cotado perto de R$ 5,20, interrompendo uma sequência recente de altas. É um respiro depois de um período de pressão sobre a moeda, mas vale lembrar que os juros futuros seguiram avançando ao longo do pregão — sinal de que o mercado ainda cobra um prêmio de risco pela indefinição fiscal e eleitoral por aqui. Câmbio mais calmo e curva de juros mais tensa raramente andam juntos por muito tempo; é um descompasso que vale acompanhar nos próximos dias.

O que veio de fora

No exterior, o clima ajudou mais do que atrapalhou. Dados mais fracos da economia americana — varejo em queda em julho e confiança do consumidor em deterioração em agosto — fizeram o mercado reduzir bastante a aposta em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em setembro, com a probabilidade recuando de cerca de 50% para perto de 30% na semana. Wall Street operou sem direção única, e os futuros europeus fecharam em leve alta. Ou seja: o exterior deu um empurrãozinho, mas não foi suficiente para segurar o Ibovespa diante do peso das questões domésticas.

O que fica da sessão

O recado do dia é o de sempre nesta fase do ano: o mercado brasileiro está precificando incerteza política e fiscal, não só o cenário de juros globais. Enquanto não houver mais clareza sobre o rumo da corrida eleitoral e sobre o desenho do ajuste fiscal para 2027, é natural que o Ibovespa continue reagindo de forma nervosa a qualquer notícia — boa ou ruim. Para quem acompanha o mercado de perto, o momento pede paciência e olhar de médio prazo, sem se deixar levar pelo ruído de curto prazo que tem marcado as últimas sessões.

Maickel

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