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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Resumo do mercado — 20 de agosto de 2026: Ibovespa segura estabilidade enquanto petróleo dispara com tensão entre EUA e Irã

O pregão desta quinta-feira na B3 foi de acomodação depois de dias turbulentos. O Ibovespa fechou com alta discreta de 0,06%, aos 167.927,15 pontos, encerrando a sessão na casa dos ganhos pela segunda vez seguida. Não é muito, mas simbolicamente importa: o índice vinha de uma sequência de 11 quedas consecutivas — a mais longa desde 2023 — que chegou a apagar 6,12% do valor de mercado desde o início de agosto. Interromper essa espiral na quarta-feira e confirmar a recuperação nesta quinta, ainda que de forma tímida, é o tipo de sinal que o mercado local estava precisando.

Dito isso, é preciso relativizar o otimismo. O Ibovespa chegou a subir com mais força ao longo do dia, mas devolveu boa parte do ganho até o fechamento. No gráfico diário, o índice segue abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos — uma configuração técnica que analistas classificam como ainda cautelosa. Ou seja: recuperação, sim, mas reversão de tendência, ainda não.

Petróleo e a escalada EUA-Irã ditam o humor global

O grande fator de risco do dia veio de fora. Os Estados Unidos redobraram a pressão sobre o Irã, reduzindo as esperanças de um fim próximo para o conflito que já dura quase seis meses no Golfo. Washington chegou a cobrar publicamente que aliados e a própria China se unam à campanha para isolar a economia iraniana e provocar, nas palavras usadas, “o colapso” do governo de Teerã. O resultado direto foi o petróleo disparando: o Brent para outubro avançou 2,36%, a US$ 93,78, enquanto o WTI subiu 2,33%, a US$ 87,83.

Esse movimento tem duas leituras para o investidor brasileiro. No curto prazo, sustenta o desempenho de empresas ligadas a commodities — não à toa, a Petrobras foi a principal responsável por puxar o Ibovespa para cima hoje. Mas, como pondera Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a alta do petróleo funciona como uma faca de dois gumes: pressiona a inflação e reduz o espaço para novos cortes de juros no Brasil, um efeito que tende a se sobrepor ao benefício de curto prazo assim que o mercado digerir melhor o cenário.

Dólar sobe com busca por proteção

Reflexo direto dessa tensão geopolítica, o dólar comercial fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,1933, revertendo a queda da véspera. O movimento acompanhou a valorização do dólar no exterior, com investidores globais buscando proteção diante da escalada entre EUA e Irã e da alta dos juros globais, que também pressionou os títulos do Tesouro americano.

Wall Street no vermelho

Do outro lado do Atlântico, o dia foi de perdas. Os índices americanos fecharam em baixa, pressionados pela retomada da trajetória de alta dos Treasuries e pelo próprio avanço do petróleo. O Nasdaq foi o mais penalizado, recuando 1,00%, aos 26.067,17 pontos, afetado também pela piora nas ações de tecnologia e consumo.

Vencedoras e perdedoras do pregão

Entre as maiores altas do Ibovespa, destaque para Minerva (BEEF3), que saltou 7,00%, seguida por Marcopolo (POMO4), com 6,46%, SLC Agrícola (SLCE3), com 5,72%, MBRF (MBRF3), com 5,55%, e Cyrela (CYRE3), com 4,01%. No lado oposto, Vamos (VAMO3) foi a maior queda do dia, com recuo de 8,49%, seguida por Hapvida (HAPV3), que caiu 7,16%, Cury (CURY3), com baixa de 4,77%, CSN Mineração (CMIN3), com perda de 4,74%, e Magazine Luiza (MGLU3), que fechou 4,20% abaixo.

Copom: sem reunião hoje, mas o cenário segue no radar

Vale lembrar que não houve decisão de política monetária nesta quinta. A última reunião do Copom ocorreu nos dias 4 e 5 de agosto, quando o comitê cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano — quarto corte consecutivo em 2026 e o menor patamar desde o início do atual ciclo de aperto. A decisão foi unânime e totalmente precificada pelo mercado, mas o comunicado veio com tom mais restritivo do que se esperava, um detalhe que ajuda a explicar por que o mercado segue cauteloso quanto ao ritmo de novos cortes. A próxima reunião está marcada para 15 e 16 de setembro, e as projeções atuais apontam para uma Selic de 13,75% no fim do ano — o que embutiria apenas mais um corte, provavelmente em novembro.

Outros pontos de atenção

No radar de commodities agrícolas, a Datagro projetou que o déficit no mercado de milho brasileiro deve saltar para 7,2 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, ante 2,7 milhões na temporada anterior, puxado pela maior demanda das usinas de etanol. Já no setor de aço, o Inda registrou queda de 4,4% nas vendas de aços planos por distribuidores em julho na comparação anual, embora tenha havido alta de 3,9% frente a junho. Paira ainda sobre o mercado o pano de fundo fiscal e eleitoral: na semana anterior, investidores estrangeiros retiraram R$ 4,72 bilhões de ativos do país em uma única sessão, reflexo de preocupações crescentes com o rumo das eleições e seus possíveis impactos sobre o déficit fiscal.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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