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Mercado em foco — perspectivas para 20 de agosto de 2026

O pregão desta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, começa sem grandes sustos por aqui — a B3 funciona normalmente, sem feriado no calendário —, mas o ambiente externo continua ditando o tom, e não é um tom particularmente tranquilo. Os futuros de Wall Street amanheceram no vermelho claro, com o S&P 500 recuando 0,1%, o Nasdaq 0,2% e o Dow Jones 0,3%, movimento puxado por uma nova pressão sobre as taxas de juros da dívida americana. O rendimento dos Treasuries de 10 anos voltou a subir e tocou 4,69% pela manhã, revertendo parte do alívio visto na quarta-feira, quando o mercado ainda digeria o anúncio do Tesouro dos EUA sobre a ampliação do seu programa de compra de títulos.

Petróleo em disparada e o pano de fundo geopolítico

O dado mais chamativo da manhã é o salto de 3% do petróleo WTI, que passou dos US$ 86,93. Não é um movimento isolado de oferta e demanda — está diretamente ligado à escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã. Na terça-feira, Donald Trump afirmou não esperar que o Irã aceite um acordo nos termos que Washington considera aceitável, e sinalizou que não pretende prorrogar a trégua firmada em 17 de junho, cujo prazo de 60 dias já expirou. A resposta de Teerã veio rápido: um representante iraniano declarou à Reuters que o país adotará postura militar “totalmente ofensiva”, mantendo o Estreito de Ormuz fechado até que os EUA cumpram as condições do acordo provisório, incluindo o fim do bloqueio marítimo e das sanções. É esse quadro que sustenta a commodity em alta forte e que tende a repercutir positivamente sobre papéis ligados a petróleo no Ibovespa, caso de Petrobras — sempre vale lembrar que desempenho recente não é garantia de trajetória futura, e o próprio contexto geopolítico é volátil por natureza.

Corporativo americano no radar

Do lado das empresas americanas, o Walmart caiu 6,5% no pré-mercado mesmo depois de reportar lucro e receita do segundo trimestre acima das expectativas e elevar suas projeções — a reação negativa veio das vendas comparáveis relativamente fracas, um detalhe que pode contaminar o humor do varejo listado por aqui, setor sensível a sinais de consumo. Na ponta positiva, a Deere subiu ligeiramente após elevar o piso da previsão de lucro líquido para 2026, mostrando que nem tudo é pessimismo no consolidado corporativo dos EUA.

Agenda doméstica: CMN no radar, Copom em pausa

Por aqui, não há reunião do Copom hoje. A última, a 280ª, ocorreu em 4 e 5 de agosto e trouxe corte da Selic de 14,25% para os atuais 14% ao ano, com ata já divulgada em 11 de agosto — o próximo encontro só deve ocorrer em setembro ou outubro, seguindo a regra de intervalos de 45 dias. O destaque local do dia fica por conta da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), acompanhada de perto pelos mercados. Lá fora, os investidores também vão dissecar a ata da última reunião do Banco Central Europeu, publicada nesta quinta. Vale lembrar que a semana já trouxe o IBC-Br, prévia do PIB, divulgado na segunda-feira.

Gerdau sob os holofotes

No campo corporativo nacional, chamou atenção a informação divulgada pela própria Gerdau na quarta-feira de que a gestora americana BlackRock reduziu sua participação na siderúrgica, com a posição agregada — que soma ações preferenciais e instrumentos derivativos referenciados — recuando para perto de 9,99%. Movimentos de grandes gestoras passivas costumam gerar leituras diversas no mercado, e cabe a cada investidor avaliar o contexto antes de tirar conclusões precipitadas sobre o que isso sinaliza para o papel.

Em resumo, o dia combina uma pauta doméstica mais monetária e institucional com um exterior tensionado por geopolítica e juros — uma combinação que tende a manter a volatilidade elevada até o fechamento.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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