Mercado em foco — perspectivas para 25 de agosto de 2026
A semana começou com o pé no freio para o investidor brasileiro, e nesta terça-feira o cenário não muda muito: o Ibovespa segue sob pressão do noticiário eleitoral, que voltou ao centro das atenções depois de um breve alívio na quarta-feira passada, quando o índice conseguiu encerrar uma sequência de 11 pregões negativos. Foi um respiro pontual, puxado pela melhora nos rendimentos dos Treasuries americanos, mas que não resistiu ao reencontro com os velhos fantasmas domésticos: incerteza eleitoral, dúvidas fiscais e juros elevados por aqui.
Na segunda-feira, o Ibovespa abriu em baixa, na casa dos 169,4 mil pontos, e o pano de fundo ajuda a explicar o nervosismo: agosto tem sido um mês de fuga de capital estrangeiro da bolsa brasileira, com mais de R$ 7 bilhões deixando a B3 até o dia 10, segundo dado citado pela Bloomberg Línea. Não é um movimento trivial. Quando o capital externo sai em volume relevante, o mercado local fica mais dependente do humor doméstico — e esse humor, no momento, não está generoso.
O fator eleitoral e o carry trade
Vale reparar num detalhe que diz muito sobre como o mercado internacional está lendo o Brasil agora: bancos como o Citi passaram a tratar o real com mais cautela, tendo retirado a moeda da cesta de operações de carry trade para emergentes, justamente pela percepção de risco eleitoral. A leitura de analistas internacionais é direta — independentemente de quem vencer a eleição, o próximo governo vai ter que conviver com juros reais de um dígito alto e um déficit fiscal que não desaparece por decreto. É um recado que vale para qualquer gestão que assuma o Planalto.
Dólar e o câmbio nervoso
O dólar também reflete esse ambiente. Na quinta-feira passada, a moeda subiu a R$ 5,19, em movimento associado a notícias sobre possível escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. É o tipo de gatilho que reforça como o câmbio por aqui está sensível a qualquer ruído geopolítico, além do doméstico.
Amanhã tem IPCA-15 — e ele importa
O grande destaque da agenda doméstica não sai hoje, mas amanhã: o IPCA-15 de agosto, prévia oficial da inflação, com estimativas institucionais apontando para uma queda mensal de 0,31%, levando a taxa anual a 4,34%. O Bradesco atribui boa parte dessa queda ao repasse do bônus de Itaipu nas contas de luz, que reduziu artificialmente os preços de energia elétrica. É um número a ser lido com esse filtro — alívio real na inflação corrente, mas com efeito não totalmente estrutural.
Jackson Hole no radar, e a Nvidia também
Lá fora, o grande evento da semana é o Simpósio de Jackson Hole, que começa quinta-feira e vai até sexta, com discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, marcado para sexta-feira. Segundo o BofA, o simpósio virou o principal evento de risco para os Treasuries e o dólar neste momento, com expectativa de que o Fed reforce seu compromisso com a meta de inflação de 2% via PCE. Antes disso, porém, quarta-feira já traz dois catalisadores pesados: o próprio dado de PCE de julho nos EUA e o balanço trimestral da Nvidia, divulgado após o fechamento em Nova York — um resultado capaz de definir o tom do setor de tecnologia global bem na véspera de Jackson Hole.
Ruídos que também merecem atenção
Do lado geopolítico, o vencimento do prazo de 60 dias do memorando entre Estados Unidos e Irã segue gerando cautela nas bolsas europeias, com o Ibex 35 tendo perdido a marca dos 20.000 pontos na semana anterior. Na Ásia, a volatilidade em ações chinesas — caso do tombo de mais de 10% da Alibaba após uma oferta bilionária de ações em Hong Kong — e a alta do ouro como proteção reforçam esse clima defensivo global. Por aqui, vale ainda observar o desempenho de papéis ligados à construção civil, depois que dados da CBIC/Brain mostraram queda nos lançamentos e alta nas vendas de imóveis no segundo trimestre — um contraste que pode gerar leituras distintas conforme a exposição de cada incorporadora.
Em resumo, é uma terça-feira de transição: o mercado brasileiro navega entre a ressaca eleitoral e a expectativa pelo tríplice evento de quarta e quinta — IPCA-15, PCE americano e Nvidia — antes do desfecho em Jackson Hole na sexta-feira. Prudência parece ser a palavra de ordem até lá.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças