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Mercado em foco — perspectivas para 26 de agosto de 2026

O pregão desta quarta-feira começa com o Ibovespa embalado, mas a real definição do dia deve vir só à noite. A bolsa brasileira encerrou a terça-feira em alta de 0,51%, aos 171.907 pontos, estendendo uma sequência de ganhos puxada principalmente por Vale, que subiu 2,80% e voltou a carregar o índice nas costas. Do lado oposto, Braskem foi a grande fraqueza do dia, com queda de 6,71% em meio a novidades desfavoráveis no processo de recuperação judicial da companhia. No câmbio, o dólar fechou a R$ 5,1531, com alta de 0,27%, num movimento modesto de enfraquecimento do real.

IPCA-15 é o termômetro doméstico da manhã

O grande evento local do dia é a divulgação do IPCA-15 de agosto, prévia da inflação oficial. O consenso de mercado aponta para uma deflação de 0,31% no mês, com o índice acumulado em 12 meses recuando para 4,34%. Segundo o Bradesco, essa deflação pontual deve refletir a queda nos preços de energia elétrica por conta do bônus de Itaipu — um efeito mais técnico do que estrutural, portanto, e que merece leitura cuidadosa por parte de quem acompanha a trajetória de preços no país. Um número muito distante do esperado, para cima ou para baixo, tende a mexer com as apostas para a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 15 e 16 de setembro. Vale lembrar que não há encontro do comitê nesta semana, mas análises da Febraban já sinalizavam que dados mais fracos de atividade e inflação podem reforçar as apostas na continuidade do ciclo de corte da Selic.

Agenda cheia na semana

Além do IPCA-15, a quarta-feira ainda traz a Sondagem da Construção, o INCC-M, o Fluxo Cambial Semanal e o ICEI. A semana segue movimentada: na quinta-feira saem a Sondagem da Indústria, o Saldo em Transações Correntes, o Investimento Direto no País, a taxa de desemprego da PNAD Contínua e um leilão de NTN-F e LTN; na sexta, chegam o IGP-M, sondagens de comércio e serviços, o Caged, o resultado primário do governo central e a definição da bandeira tarifária de energia. É uma bateria de indicadores capaz de recalibrar expectativas para o câmbio e para os juros nas próximas semanas.

Nvidia e PCE: o verdadeiro capítulo do dia é à noite

Enquanto o Brasil olha para a inflação pela manhã, o mercado global inteiro está com os olhos voltados para o fim da tarde americana. A Nvidia divulga seus resultados trimestrais após o fechamento de Wall Street, e o número deve dar o tom para todo o setor de inteligência artificial e semicondutores — um segmento que tem sido o motor das bolsas americanas ao longo do ano. A CrowdStrike também reporta resultados no mesmo dia. Some-se a isso a divulgação do índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de julho, a métrica de inflação preferida do Federal Reserve, além da segunda estimativa do PIB americano do segundo trimestre e os pedidos de bens duráveis. É uma combinação de dados capaz de reprecificar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos, especialmente às vésperas do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira.

Petróleo em queda ajuda o humor externo

Wall Street fechou terça-feira em alta moderada — Nasdaq (+0,66%), S&P 500 (+0,32%) e Dow Jones (+0,30%) —, favorecida em parte pela continuidade da queda dos preços do petróleo, que encerrou uma sequência de seis altas consecutivas na segunda-feira. Os futuros negociavam em terreno positivo na véspera, sugerindo abertura construtiva por lá. Ainda assim, o pano de fundo geopolítico segue como fator de atenção: a tensão em torno do Estreito de Ormuz e o alerta do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre sanções a países que mantiverem laços financeiros com o Irã continuam no radar de riscos, junto com o temor de uma eventual desvalorização do dólar.

Balanços: temporada praticamente encerrada

No noticiário corporativo local, a Caixa Seguridade fecha hoje a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026, segundo apurado pelo Money Times. No campo, o setor do agronegócio segue às voltas com margens apertadas: a área plantada de soja para 2026/27 foi estimada em 49,2 milhões de hectares, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, num cenário descrito pelo presidente da Agroconsult, André Pessôa, como de crescimento lateral, sem grandes surpresas.

Com o Ibovespa perto dos 171,9 mil pontos e o dólar rondando os R$ 5,15, o mercado brasileiro tende a operar de forma cautelosa até a noite, quando os holofotes se voltam definitivamente para os números da Nvidia e para o PCE americano — dois eventos capazes de definir o rumo dos ativos de risco globais nos próximos dias.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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