Resumo do mercado — 27 de agosto de 2026: Nvidia anima exterior, mas Ibovespa abre em compasso de espera com Pnad e dólar no radar
O pregão desta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, começou sob um contraste interessante: de um lado, um exterior eufórico com o balanço da Nvidia; de outro, um mercado doméstico mais cauteloso, atento a indicadores de emprego e ao próximo passo do Banco Central. Antes de entrar no que se sabe até agora sobre o dia de hoje, vale relembrar de onde o Ibovespa parte.
O que ficou de quarta-feira
O Ibovespa fechou a quarta-feira praticamente estável, com alta de apenas 0,01%, aos 174.586,26 pontos — o sexto pregão consecutivo de avanço, mesmo que modesto. O índice chegou a bater máxima intradiária de 176.296,49 pontos, quase 1% acima do fechamento anterior, mas perdeu força depois que a inflação americana veio mais forte do que o esperado, reacendendo o debate sobre uma possível alta de juros pelo Federal Reserve. Esse tipo de dado costuma azedar o apetite por risco em mercados emergentes, e foi exatamente o que se viu na reta final da sessão. Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 2,08%; no ano, sobe robustos 8,35%, ainda que em agosto esteja no vermelho, com retração de 1,92%.
O dólar, por sua vez, subiu 0,22% na quarta-feira e fechou em R$ 5,15, acumulando alta de 1,61% no mês — embora no acumulado de 2026 ainda registre queda expressiva de 6,15%. Entre as ações, o dia foi de dispersão: bancos como Bradesco (+1,25%) e Itaú (+0,03%) tiveram desempenho positivo, enquanto Braskem despencou 14,4% e Assaí recuou 6,6%. No setor de petróleo, o pano de fundo foi o novo declínio dos preços da commodity no exterior, que pressionou papéis como Prio, Brava Energia e PetroRecôncavo.
Nvidia é o catalisador do dia no exterior
O grande fator externo desta quinta é, sem dúvida, o resultado da Nvidia. A fabricante de chips viu suas ações dispararem mais de 6% no after-market depois de projetar crescimento de cerca de 70% na receita para o ano fiscal de 2028 — bem acima dos 44% esperados pelo mercado — e prever faturamento de US$ 108 bilhões para o próximo trimestre. O trimestre recém-encerrado trouxe receita de US$ 96,2 bilhões, alta de 106% em um ano. O CEO Jensen Huang reforçou que a demanda por aceleradores de inteligência artificial continua em trajetória de crescimento constante, um discurso que ajuda a esfriar temores recentes sobre uma eventual bolha na economia ligada à IA. O resultado deu impulso à Nasdaq Futuro, ainda que os índices futuros americanos, de forma geral, operassem entre perdas e ganhos.
No Brasil, olhos na Pnad e no dólar
Enquanto isso, o mercado doméstico amanheceu com o foco menos no exterior e mais na divulgação da Pnad Contínua de desemprego, prevista para as 9h, com expectativa de taxa entre 5,3% e 5,4%. O dólar abriu a sessão em R$ 5,1530, leve alta de 0,02%, e o Ibovespa futuro caía 0,15%, aos 177.775 pontos, pouco depois da abertura — um sinal de cautela que contrasta com o otimismo do Nasdaq Futuro. Não havia agenda relevante de resultados corporativos no Brasil hoje, o que deixou o protagonismo do pregão concentrado em dados macro e no comportamento dos setores mais sensíveis a juros, como bancos e varejo.
ICI da FGV reforça cautela na indústria
Um dado que já chegou fechado nesta quinta é o Índice de Confiança da Indústria da FGV IBRE, que caiu 3,5 pontos em agosto, para 93,7 pontos. Na média móvel trimestral, o recuo foi de 1,1 ponto, para 97,0 pontos — um sinal de que o setor industrial ainda navega com pé no freio, mesmo após o ciclo de cortes de juros iniciado pelo Banco Central.
Copom fora do radar imediato
Vale lembrar que não há reunião do Copom nesta semana. O colegiado cortou a Selic para 14,00% em 5 de agosto, a quarta redução consecutiva e a primeira, entre as recentes, por decisão unânime — movimento que o mercado de opções já precificava com cerca de 95% de probabilidade na véspera. A próxima decisão só ocorre em 15 e 16 de setembro, o que deixa o mercado a rigor navegando por dados de atividade e emprego até lá.
Como os números de fechamento de hoje ainda não estavam consolidados no momento desta apuração, o cenário que se desenha é de um dia decisivo para testar se o real vai defender a faixa de R$ 5,15 ou buscar as mínimas de início de agosto, perto de R$ 5,08, e se o Ibovespa consegue equilibrar o entusiasmo externo com a IA e a cautela local diante dos dados de emprego. Fica para o fechamento a confirmação dessas tendências.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças