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Com dividendos tributados e Selic em queda, FIIs ganham vantagem na corrida pela renda passiva

Setembro começa com o investidor brasileiro diante de um recálculo que não se via há décadas. De um lado, a Selic, fixada em 14% ao ano desde a reunião do Copom de 5 de agosto, deve seguir caindo — o Focus mais recente aponta 13,75% ao ano até dezembro, espaço para mais um corte de 0,25 ponto percentual. De outro, entrou em vigor este ano a Lei nº 15.270/2025, que devolveu a tributação sobre lucros e dividendos ao Brasil depois de trinta anos de isenção. A combinação dessas duas forças está mudando, na prática, a hierarquia dos investimentos voltados a quem vive de renda passiva.

O fim da isenção de dividendos e o que muda de fato

Desde janeiro, toda vez que uma empresa paga, credita ou entrega mais de R$ 50 mil em lucros e dividendos a uma mesma pessoa física em um único mês, passa a haver retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre o total distribuído. Não é uma cobrança definitiva: funciona como antecipação de um valor que pode ser exigido no ajuste anual, dentro do novo Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo, que atinge quem recebe mais de R$ 600 mil por ano, com alíquota progressiva até 10% para quem passa de R$ 1,2 milhão. Na ponta de baixo, a mesma lei ampliou a isenção total de IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês — hoje o limite é de dois salários mínimos, R$ 3.036. A engenharia fiscal por trás disso é direta: a renúncia de R$ 27 bilhões ao ano com a nova faixa de isenção precisou ser compensada, e o Congresso topou fazer isso taxando dividendos de quem recebe valores altos.

Vale um ponto de honestidade com o leitor: como o gatilho é alto — R$ 50 mil por mês, por CNPJ pagador —, a grande maioria dos investidores de bolsa não sente essa cobrança no bolso. O debate mais aceso, aliás, está nos tribunais: há disputa sobre se a regra também vale para optantes do Simples Nacional, com a Receita defendendo cobrança universal e decisões judiciais contestando esse entendimento.

FIIs seguem isentos e ampliam a base de investidores

Nesse cenário, um detalhe frequentemente esquecido ganha peso estratégico: fundos imobiliários, Fiagro, poupança, LCI e LCA continuam de fora da nova tributação. Não por acaso, os FIIs vivem uma expansão recorde de pulverização. A base de investidores saltou de cerca de 3,033 milhões em janeiro para 3,297 milhões em julho, um crescimento de 14,2% em nove meses, com 410 mil novos cotistas desde outubro do ano passado. O perfil é majoritariamente de pequeno investidor: pessoas físicas somam 73,7% da base, e metade delas tem carteiras de até R$ 5 mil na classe. O patrimônio total do mercado cresceu quase R$ 40 bilhões em um ano, embora o desempenho de preço tenha sido mais modesto — o IFIX fechou março com alta mensal de 2,4%, mas ainda acumulava queda de 1,1% no ano, com logística, recebíveis imobiliários e renda urbana entre os segmentos mais negociados.

Renda fixa perde força, mas ainda não muda de regra

Para quem está em CDB, LCI/LCA ou Tesouro Direto, a queda gradual da Selic tende a reduzir a atratividade de papéis pós-fixados nos próximos meses, ainda que o corte projetado para dezembro seja modesto. Um detalhe técnico merece atenção: mesmo que a Selic recue para 13,75%, a regra da poupança não muda, porque isso só ocorre se a taxa cair para 8,5% ao ano ou menos — hoje ainda distante. Do lado da inflação, o IPCA-15 de agosto trouxe deflação de 0,40%, sinal de alívio que reforça a expectativa de novos cortes, mas o Banco Central mantém discurso cauteloso diante dos riscos ainda presentes.

O que fica para o investidor

Não há fórmula única nem recomendação pronta — cada carteira responde a objetivos e prazos diferentes. Mas o desenho ficou mais claro: dividendos de ações agora competem em desvantagem tributária relativa com FIIs isentos, enquanto a renda fixa começa a perder o prêmio dos juros de dois dígitos altos. Entender essas peças é o primeiro passo antes de qualquer decisão de realocação de portfólio.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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