Mercado em foco — perspectivas para 7 de setembro de 2026
Hoje é feriado nacional, e a B3 não abre para negociação. Não há pregão de ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs ou derivativos, tampouco liquidação de operações ou movimentação de garantias na Central Depositária. O Tesouro Direto também fica parado, sem negociação nem confirmação de operações, e os bancos não têm atendimento presencial. A rotina só volta amanhã, terça-feira, dia 8. Para completar o cenário de liquidez enxuta, os Estados Unidos também estão de feriado hoje, em razão do Labor Day, o que reduz ainda mais o fluxo global nesta segunda.
O rali que ficou para trás — e o que ele significa
Se hoje não há pregão, o que importa é entender com que pé o mercado brasileiro chega à reabertura de terça. E o pé é de euforia recente: o Ibovespa encadeou onze pregões consecutivos de alta até quarta-feira passada, rompeu a marca de 186 mil pontos — o maior nível desde maio — e fechou a semana com avanço superior a 5%. O dólar, na contramão, cedeu cerca de 1,3% na semana, mesmo com uma alta pontual na sexta-feira que levou a moeda a R$ 5,11.
O que chama atenção é a origem desse movimento. Segundo a analista Bruna Sene, da Rico, o rali teve caráter eminentemente doméstico: pesquisas eleitorais mostrando uma disputa presidencial mais equilibrada — com avanço de Flávio Bolsonaro nos levantamentos — levaram o mercado a reprecificar o risco fiscal para o período pós-2027. Trata-se, na leitura dela, de um “rali de expectativa”, movido por antecipação política e não por fundamentos econômicos consolidados. É um alerta importante: rali de expectativa tende a vir acompanhado de volatilidade alta, sobretudo enquanto o quadro eleitoral não ganha mais clareza.
Payroll americano muda o tom em Wall Street
Enquanto o Brasil comemorava, os Estados Unidos tiveram uma sexta-feira mais dura. O payroll veio acima do esperado, superando as apostas de mercado, e isso reacendeu o temor de uma postura mais dura do Federal Reserve na reunião de setembro — a probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual saltou para a faixa de 58% a 60%. A reação foi imediata: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam em queda, e o rendimento do Treasury de dois anos subiu para perto de 4,37%. É um contraponto relevante para quem acompanha o apetite por risco global e pode se tornar um freio ao otimismo brasileiro na reabertura.
Selic no radar: corte praticamente dado como certo
Do lado da política monetária doméstica, a curva de juros já precifica com quase certeza absoluta um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom marcada para 15 e 16 de setembro — e aposta em cerca de 68% de chance de nova redução em novembro. É a continuidade do movimento de “calibração” iniciado em agosto.
Balança comercial forte, mas PIB perde fôlego
Um dado que passou relativamente despercebido em meio ao noticiário eleitoral foi o superávit comercial de agosto, de US$ 7,4 bilhões, acima do consenso e do próprio número de agosto do ano passado. No acumulado em 12 meses, o superávit chegou a US$ 80,2 bilhões, o maior desde outubro de 2024. Ao mesmo tempo, a XP reduziu sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 de 2,0% para 1,7%, um sinal de que a atividade econômica pode estar perdendo tração mesmo com o comércio exterior indo bem.
A semana que se abre: inflação em três frentes
A agenda de terça a sexta é claramente macro, sem grandes eventos corporativos previstos. Na terça, a B3 divulga a carteira teórica definitiva do Ibovespa, válida até dezembro, e saem o Boletim Focus e o IGP-DI. Na quinta, o Banco Central Europeu anuncia sua decisão de juros, com expectativa de manutenção em 2,50% na taxa de depósito, seguida de coletiva de Christine Lagarde — e nos EUA sai o PPI. A sexta-feira concentra o prato principal: o IPCA de agosto no Brasil, que deve balizar as próximas decisões do Copom, e o CPI americano, no mesmo dia. A China completa o quadro com balança comercial e inflação.
Com o mercado brasileiro carregado por um rali de origem política e o americano mais cauteloso após o payroll, a semana promete testar até que ponto o otimismo doméstico resiste a um pano de fundo externo menos favorável.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças