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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Bolsa, dólar e Selic viram termômetro da eleição: como o mercado já precifica 2026

Faltam poucas semanas para o primeiro turno e o mercado financeiro brasileiro já deixou de olhar só para inflação, juros e balanços de empresas. Nesta reta final de campanha, o Ibovespa, o dólar e até o mercado de opções passaram a reagir, sessão a sessão, ao vaivém das pesquisas presidenciais. É um fenômeno que qualquer investidor deveria entender antes de tirar conclusões precipitadas sobre “a bolsa está subindo, logo está tudo bem”.

O rali que tem nome de candidato

Na semana passada, a bolsa brasileira encerrou um rali de 11 sessões seguidas de alta — e a Bloomberg Línea foi direta ao apontar a causa: o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, com o dólar subindo a R$ 5,11. Mais do que isso, houve uma forte demanda por opções de compra do índice puxada pela redução da vantagem de Lula sobre Bolsonaro nas pesquisas mais recentes. Isso é um dado técnico relevante: quando o mercado de derivativos precifica cenário eleitoral, significa que gestores estão comprando proteção ou posição na expectativa de uma eventual mudança de governo, com agenda potencialmente mais afinada à ortodoxia fiscal.

Os números de fechamento reforçam o quadro: setembro acumula alta de 1,30%, o terceiro trimestre já soma 4,48% e o ano avança 11,54%, com o Ibovespa fechando recentemente a 179.722,48 pontos. Casas de análise já reiteram valor justo do índice em 200 mil pontos para o fim de 2026 — um salto expressivo frente aos níveis atuais, que só se sustenta se o cenário político não trouxer sobressaltos.

Petrobras como motor, mas não o único

Vale destacar que nem tudo é eleição. Petrobras PN avançou 4,11% e a ON subiu 4,14%, favorecidas pela alta do petróleo internacional e por reajuste de 13,9% no preço médio de venda de querosene de aviação, além de recorde de produção nacional de 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP. Há ainda um capítulo tributário em aberto: o TRF-1 derrubou liminar que suspendia a cobrança de imposto de 12% sobre exportação de petróleo, tema que deve voltar a pautar o setor nas próximas semanas.

Empate técnico em três pesquisas, mesmo recado

Quaest, PoderData e Datafolha, todas divulgadas na primeira semana de setembro, convergem para o mesmo retrato: Lula lidera o primeiro turno (37% a 38%), mas Flávio Bolsonaro reduziu distância (30% a 34%), e no segundo turno simulado o resultado é empate técnico dentro da margem de erro em todos os institutos. A queda de indecisos — de 51% para 42% em um mês, segundo a Quaest — sugere um eleitorado se decidindo rapidamente, o que tende a aumentar a volatilidade do mercado nas próximas semanas. Um fator técnico não menos importante: o TSE tem até 14 de setembro para homologar ou barrar registros de candidaturas, incluindo a situação de Pablo Marçal, hoje inelegível. Isso pode gerar novo soluço nos preços, para o lado que for.

Juros: Selic em 14% e Copom no radar do dia 16

No pano de fundo está a Selic, hoje em 14% ao ano, após corte de 0,25 ponto na reunião de 5 de agosto — trajetória que vinha de 15% no início do ano e de 14,25% em junho. A próxima decisão do Copom, marcada para 16 de setembro, é aguardada com projeções bastante divergentes entre casas como XP, BTG Pactual, MAG Investimentos, Pilar Capital e Armos Capital, que vão de 14% a 14,5% para o fechamento de 2026. Essa dispersão reflete pressão inflacionária ligada a choque do petróleo e riscos climáticos do El Niño, conforme revisão do BTG, que elevou a projeção de IPCA de 4,9% para 5,3%. Com Selic e CDI nesse patamar, títulos pós-fixados como Tesouro Selic e CDBs atrelados a 100% do CDI seguem em vantagem expressiva sobre a poupança — um contraste que vale a pena o investidor colocar na ponta do lápis antes de qualquer decisão.

Tarifaço americano: negociação reaberta, mas sem desfecho

Do lado externo, o tarifaço de Trump ao Brasil segue como fator de risco para exportadoras e câmbio. Depois da tarifa de 50% anunciada em julho de 2025 e do tarifaço adicional de 25% mais sobretaxa de 12,5% por alegações de trabalho forçado — este último citando inclusive práticas do Pix e do mercado de etanol —, as negociações foram retomadas após telefonema entre Lula e Trump em 21 de agosto. Até onde a apuração alcança, não há desfecho definido, e esse é um ponto que merece acompanhamento nas próximas semanas.

Cripto: recorde de volume, Bitcoin longe do pico

Por fim, um contraponto interessante: enquanto a bolsa bate recorde, o mercado cripto brasileiro também emplacou marca histórica. Segundo a Receita Federal, o setor movimentou R$ 283,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, a maior cifra desde 2019, com stablecoins respondendo por 91% das negociações e mais de 4 milhões de CPFs entrando no mercado por mês. Nesse total, o Bitcoin negociou R$ 13,2 bilhões e o Ethereum, R$ 3,5 bilhões — volumes relevantes, mas que mostram um mercado cripto brasileiro muito mais movido a stablecoins do dólar do que a especulação em ativos voláteis.

O quadro geral, somando esses quatro eixos, é de um mercado que aprendeu a operar com um olho na política e outro na macroeconomia. Não é exagero dizer que, até o fim de setembro, tanto o resultado do Copom quanto a definição das candidaturas pelo TSE vão pesar tanto quanto qualquer dado de inflação para explicar o próximo movimento do Ibovespa e do dólar.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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