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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Mercado em foco — perspectivas para 16 de setembro de 2026

A “Super Quarta” chegou e, pela primeira vez em muito tempo, ninguém no mercado tem certeza absoluta de como ela termina. Copom e Federal Reserve anunciam suas decisões de juros no mesmo dia, e o pano de fundo dessa coincidência de calendário é uma combinação incomum: petróleo disparando, bancos europeus sob pressão e um Fed que, pela primeira vez em anos, está genuinamente dividido sobre o que fazer.

O gatilho do petróleo

Vale começar pelo que moveu os mercados na véspera. Na terça-feira, o Brent avançou 2,31%, a US$ 108,12, chegando perto de US$ 110, enquanto o WTI subiu 2,64%, a US$ 104,07. O motivo foi a escalada do conflito no Oriente Médio, agravada pelo fechamento do oleoduto Leste-Oeste pela Arábia Saudita — rota alternativa ao Estreito de Ormuz — depois de uma série de ataques na semana anterior. Esse tipo de choque de oferta é o pesadelo de qualquer banco central: ele empurra a inflação para cima justamente no momento em que o mundo discute cortar ou subir juros. Não à toa, os juros de 10 anos dos Treasuries bateram o maior nível desde 2007, e o apetite por risco minguou até nas criptomoedas, com o bitcoin recuando 1,22%, a US$ 76.932.

Europa sente o calor nos bancos

Os índices europeus fecharam a terça em queda, pressionados pelo setor bancário e pela aversão a risco generalizada. UBS caiu 3,4%, Deutsche Bank recuou 2,4%, Société Générale cedeu 0,9% e UniCredit perdeu 2,2%. É um lembrete de que o nervosismo em torno de juros mais altos por mais tempo não fica restrito a Wall Street — ele reverbera em qualquer sistema financeiro alavancado.

Copom: corte praticamente dado, mas com ressalvas

Por aqui, a expectativa é de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. O mercado projeta redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano, movimento que confirmaria o padrão dos cortes anteriores — em agosto, a taxa já havia caído de 14,25% para 14%, o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto. O argumento a favor do corte é forte: a inflação de agosto fechou em -0,32%, o menor índice em quatro anos. Mas há um contraponto que não pode ser ignorado — o Focus projeta inflação de 4,9% para o fim de 2026, ainda acima do teto da meta de 4,5%. Ou seja, o Banco Central corta juros com uma inflação projetada desconfortavelmente alta, o que só reforça como o espaço para cortes futuros pode ser mais estreito do que parece à primeira vista.

Fed: a decisão mais indefinida em anos

Do lado americano, a situação é ainda mais delicada. Os futuros de fed funds mostram divisão quase equilibrada entre manter a taxa no intervalo atual de 3,5% a 3,75% ou elevá-la em 0,25 ponto — o que marcaria a primeira alta do ciclo sob o comando de Kevin Warsh. Uma eventual alta, puxada pela disparada do petróleo, é um cenário que a própria Bloomberg Economics chegou a citar como provável. Como setembro é reunião trimestral, o mercado ainda vai dissecar o dot plot atualizado e a coletiva de imprensa em busca de pistas sobre o resto do ano.

Ibovespa embalado por Petrobras, mas com ressalvas

O Ibovespa fechou terça em alta de 0,54%, aos 186.502,64 pontos, puxado pela disparada de mais de 3% da Petrobras, que atingiu o maior valor de mercado de sua história, R$ 692,35 bilhões — um ganho de mais de R$ 22 bilhões em um único dia, refletindo diretamente a alta do petróleo. É um rali que ilustra bem a ambiguidade do momento: o mesmo choque que anima a estatal também é fonte de risco inflacionário global. O dólar também subiu, fechando perto de R$ 5,15/5,16, e o Banco Central precisou atuar no câmbio oferecendo casadão de até US$ 1 bilhão.

Fiscal e política somam ruído

No campo fiscal, o relatório Prisma trouxe um respiro: a mediana para o déficit primário de 2026 caiu para R$ 52,271 bilhões, e a de 2027 para R$ 45,350 bilhões. Por outro lado, a dívida bruta projetada para 2026 subiu para 83,20% do PIB. No radar político, o julgamento de Alexandre de Moraes envolvendo Daniel Vorcaro e uma pesquisa CNT/MDA mostrando Lula com 40,6% contra 30,4% de Flávio Bolsonaro seguem no fundo do noticiário, sem tirar o protagonismo da decisão dupla de juros.

O que observar

Com Copom e Fed anunciando à noite, após o fechamento da B3, o pregão de hoje tende a ser mais especulativo do que definitivo — os grandes movimentos devem ficar para quinta-feira. Soma-se a isso o vencimento simultâneo de opções e futuros na sexta-feira, a “bruxaria tripla”, que deve manter a volatilidade elevada até o fim da semana. É um momento em que vale mais cautela analítica do que pressa para tirar conclusões precipitadas sobre o rumo dos ativos.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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