Mercado em foco — perspectivas para 21 de setembro de 2026
A semana começa com a B3 operando em pregão regular, sem feriado à vista, mas o clima que se desenha para esta segunda-feira é de cautela redobrada. O Ibovespa encerrou a última sexta-feira em queda de 0,41%, aos 185.229 pontos, acumulando perda de 1,06% na semana — a primeira depois de quatro semanas consecutivas de ganhos. O dólar, por sua vez, subiu 0,27%, fechando em R$ 5,1427, com alta semanal de 0,43%. Ainda assim, o quadro de médio prazo continua favorável aos ativos brasileiros: o Ibovespa acumula alta de 4,4% no mês e de 15% no ano, embalado pela expectativa de alternância de poder e por um discurso de maior austeridade fiscal.
O fator eleitoral continua no centro das atenções
A pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou empate técnico num eventual segundo turno: Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% e o senador com 36%. O dado é relevante porque o mercado vinha precificando um avanço mais consistente do candidato de oposição, e a ausência desse movimento tende a esfriar um pouco o chamado “trade eleitoral” — a aposta de investidores em ativos brasileiros na expectativa de mudança de governo. Não é à toa que o dólar já opera em leve alta nesta segunda-feira, refletindo essa reprecificação.
Pressão externa também pesa
O ambiente internacional ficou mais desafiador nesta manhã. O rendimento da T-Note de 10 anos voltou a superar os 5%, em meio à disparada do dólar contra o iene após o Banco do Japão elevar sua taxa básica para 1,25%. Em Wall Street, o tom é misto: S&P 500 e Dow Jones oscilam, enquanto o Nasdaq 100 se destaca positivamente, puxado por papéis como Strategy, SanDisk e Seagate. Do lado positivo, o mercado observa com atenção as negociações entre EUA e China em Nova York, com a cúpula Trump-Xi prevista para o fim da semana — Bessent já discutiu temas como inteligência artificial, tarifas e terras raras com o vice-premiê chinês. É um contraponto num cenário ainda pressionado por conflitos geopolíticos, preocupações inflacionárias e pelo apetite crescente de capital destinado à infraestrutura de IA.
Banco Central atua para dar liquidez ao câmbio
Vale notar que o Banco Central tem usado seus instrumentos para conter movimentos mais bruscos no dólar. Na sexta-feira, vendeu US$ 1 bilhão em leilão de linha, dando liquidez ao mercado à vista. O contexto ajuda a entender a urgência: apenas nos primeiros 11 dias de setembro, saíram do Brasil US$ 5,987 bilhões líquidos, um fluxo de saída relevante em período pré-eleitoral.
Semana decisiva para os sinais do Copom
O grande evento doméstico da semana chega já na terça-feira, às 8h, com a divulgação da ata da última reunião do Copom, que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Na quinta, o Banco Central complementa o pacote de comunicação com o Relatório de Política Monetária trimestral. O mercado vai garimpar nesses documentos qualquer sinalização sobre o espaço para novos cortes de juros — informação especialmente sensível num momento em que o Fed acabou de subir juros nos Estados Unidos pela primeira vez em três anos.
Agenda de hoje é mais tranquila
Para esta segunda-feira, especificamente, a agenda brasileira é mais fraca: o Boletim Focus sai às 8h25 e a balança comercial semanal da Secex é divulgada às 15h. Nos EUA, o Fed publica às 9h30 seu índice de atividade regional. Nenhum resultado corporativo de peso está previsto na B3 para hoje — o verdadeiro teste da semana vem com a ata do Copom na terça e, na sexta, com o IPCA-15 de setembro, que o mercado espera em torno de 0,55% na variação mensal, após o IPCA de agosto ter recuado 0,32% e a inflação em 12 meses desacelerar para 4,22%.
Diante desse conjunto de fatores — eleição apertada, exterior mais adverso e semana carregada de comunicação do Banco Central — a tendência é de um pregão inicial mais cauteloso, com investidores evitando posições mais arriscadas até que a ata do Copom traga mais clareza sobre os próximos passos da política monetária.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças