Mercado em foco — perspectivas para 23 de setembro de 2026
O Ibovespa chega a esta quarta-feira embalado por uma sequência de sessões positivas, depois de fechar terça-feira em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos. O índice andou de lado boa parte do pregão, oscilando entre 184.976,81 e 187.671,74 pontos, mas conseguiu reverter a queda do início do dia — um comportamento que já virou marca registrada do mercado brasileiro neste segundo semestre. A explicação para o vaivém está numa combinação que já não surpreende ninguém que acompanha o noticiário: repercussão da ata do Copom, movimento do petróleo e o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU mexendo com o humor dos investidores.
Sinal externo positivo, mas sem euforia
Os futuros fecharam terça em terreno construtivo — Ibovespa Futuro em alta de 0,49%, a 188.795 pontos, Nasdaq subindo 0,45%, enquanto o Dow Jones cedeu 0,36%. Isso sugere abertura com viés positivo por aqui, mas é preciso cautela antes de comemorar. Na noite anterior, o quadro internacional já mostrava recuperação: Kospi disparando 1,65%, Hang Seng e CSI 300 em alta, Stoxx 600 rompendo três semanas seguidas de perdas. Só que nesta terça pela manhã as bolsas asiáticas fecharam praticamente estáveis, e os futuros de Wall Street chegaram a operar no vermelho antes do discurso de Trump na ONU. Ou seja, o apetite por risco global está presente, mas ainda é frágil e reage a cada declaração política.
Petróleo é o nome do jogo
Se tem um ativo que está ditando o ritmo dos mercados nas últimas semanas, é o petróleo. O WTI recuou para 94,69 dólares (-1,14%) e o Brent caiu para 99,46 dólares (-0,88%), rompendo a casa dos 100 dólares depois de quatro pregões seguidos de queda. O alerta que merece atenção redobrada hoje vem de Scott Bessent, que sinalizou possível paralisação de voos comerciais iranianos justamente a partir desta quarta-feira. Esse é o tipo de gatilho geopolítico que pode injetar volatilidade tanto no petróleo quanto no dólar ao longo do dia, e vale ficar de olho nos desdobramentos.
Agenda doméstica mais tranquila
Sem reunião do Copom hoje — a Selic já foi cortada para 13,75% a.a. na semana passada, e a ata, divulgada terça, reforçou o tom cauteloso do Banco Central mesmo após o corte. A agenda local é mais protocolar: IPC-S semanal da FGV pela manhã e Fluxo Cambial do BCB à tarde. Lá fora, o destaque fica com os PMIs compostos da Alemanha, da Zona do Euro e dos Estados Unidos, que vão ajudar a calibrar a leitura sobre a saúde da atividade industrial e de serviços nas principais economias.
Focus reforça expectativa de novo corte
O Boletim Focus da última segunda trouxe um recado relevante: a mediana da Selic para o fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50%, embutindo mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro. Ao mesmo tempo, a inflação projetada subiu de 4,90% para 4,92% e o câmbio segue estável em R$ 5,20 na mediana. É um cenário de convivência entre juros ainda em queda e inflação um pouco mais pressionada — combinação que tende a manter o mercado atento a cada dado de atividade e preços que sair pela frente.
Dividendos e eventos corporativos movimentam o pregão
Hoje é dia de “ex” para alguns papéis relevantes. As ações da Allos (ALOS3) passam a negociar ex-direito ao primeiro dividendo de R$ 0,29 por ação, com pagamento previsto para 2 de outubro. Já a B3 (B3SA3) fica ex-JCP, com valor líquido estimado de R$ 0,06 por ação mais R$ 0,12 de JCP extraordinário, a serem pagos em 7 de outubro. Esse tipo de ajuste técnico costuma provocar pequenos descolamentos de preço nos papéis logo na abertura, sem necessariamente refletir mudança de fundamento.
O pano de fundo do ano
Vale lembrar o contexto mais amplo: o Ibovespa acumula alta de 16,32% no ano e 5,64% só em setembro, já superando com folga a projeção de 180 mil pontos que boa parte dos gestores latino-americanos consultados pelo BofA via como meta para o fim de 2026. É um desempenho que reflete tanto o ciclo de corte de juros quanto o apetite por ativos emergentes num momento de acomodação nos preços de commodities. Mas o mercado segue devendo confirmação nos próximos dias, com o Relatório de Política Monetária do BC na quinta e o IPCA-15 na sexta prometendo testar se esse otimismo tem lastro ou se é hora de moderar as expectativas.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças