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Mercado em foco — perspectivas para 5 de outubro de 2026

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais mudou o tom do mercado financeiro brasileiro antes mesmo de a B3 abrir nesta segunda-feira. Com Flávio Bolsonaro à frente da apuração — 47,37% dos votos válidos contra 44,76% de Lula, segundo os números da Justiça Eleitoral na noite de domingo — e os dois candidatos confirmados para o segundo turno em 25 de outubro, o humor dos investidores virou de forma abrupta. Em determinado momento da apuração, Flávio chegou a superar 51% dos votos válidos, o que chegou a sugerir, por alguns minutos, uma possível definição ainda no primeiro turno. Esse cenário, lido pelo mercado como mais favorável a uma agenda liberal, foi o suficiente para provocar uma reação forte nos ativos negociados fora do pregão brasileiro.

A euforia que já apareceu fora do horário da B3

O termômetro mais imediato dessa reação veio do EWZ, o ETF que replica o Ibovespa em dólar nos Estados Unidos: por volta das 21h48 de domingo, horário de Brasília, o papel disparava 8,72%, a US$ 41,52, reagindo em tempo real à sinalização de vitória de Flávio. Analistas consultados por agências de notícias já trabalhavam com a expectativa de que os números oficiais do TSE deveriam animar o mercado doméstico nesta segunda-feira — e os indicadores de pré-abertura pareciam confirmar isso. O Ibovespa futuro operava em 193.308 pontos, alta de 2,82%, enquanto a última referência do índice à vista mostrava 192.115 pontos, alta de 2,63%. É um movimento que soma a um fechamento de sexta-feira já forte, quando o Ibovespa bateu o maior patamar desde abril e o dólar comercial recuou a R$ 5,2165, em um pregão de demanda elevada por opções de compra à medida que as pesquisas mostravam a vantagem de Lula encolhendo.

Pano de fundo histórico e cautela necessária

Vale lembrar que o mercado vinha citando um dado estatístico para justificar o apetite por risco às vésperas do pleito: desde 1994, o Ibovespa subiu em 87,5% dos meses de outubro em anos de eleição presidencial. É uma estatística interessante, mas que não deve ser tratada como garantia — o segundo turno ainda está a três semanas de distância, e o mercado tende a operar com volatilidade elevada nesse intervalo, reagindo a cada nova pesquisa e a cada declaração de campanha.

Cenário externo também ajuda

O pano de fundo internacional contribui para o otimismo. Wall Street fechou sexta-feira em alta, com o Dow Jones subindo 0,49% e o S&P 500 avançando 0,73%, enquanto o VIX caiu 4,33%, sinalizando apetite por risco elevado globalmente. Os futuros para a abertura de hoje nos EUA seguiam positivos, com destaque para o Nasdaq futuro subindo 1,33%. Na Europa, o fechamento de sexta também foi de alta generalizada, liderada pelo DAX. Na Ásia, o Nikkei disparava mais de 2% na madrugada desta segunda, embora a China permaneça fechada por conta do feriado do Golden Week.

Agenda que pode confirmar ou testar o otimismo

Localmente, o dia traz o primeiro Boletim Focus pós-primeiro turno, às 8h25, que deve revelar como os economistas ajustaram suas projeções de câmbio, Selic, PIB e inflação diante do novo cenário eleitoral — um termômetro importante para calibrar se o otimismo do pré-mercado tem lastro mais duradouro ou é apenas um solavanco de curto prazo. Também sai o PMI composto de setembro, às 10h. Não há reunião do Copom esta semana — a Selic segue em 13,75% ao ano, com o próximo encontro do comitê marcado para 3 e 4 de novembro —, de modo que o fator político deve dominar o noticiário até, pelo menos, a divulgação do IPCA de setembro na sexta-feira, com projeções de aceleração da inflação mensal entre 0,75% e 0,79%.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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