Mercado em foco — perspectivas para 9 de outubro de 2026
O pregão desta sexta-feira começa com os olhos do mercado divididos entre dois eixos que pouco têm a ver entre si, mas que juntos definem o humor dos investidores: a inflação doméstica e a tensão geopolítica no Oriente Médio. É uma combinação que costuma deixar os preços nervosos, e não seria surpresa ver essa volatilidade se refletir já nas primeiras horas de negociação.
Ibovespa reage, mas segue perto dos 206 mil pontos
Depois de duas rodadas de perdas, o Ibovespa conseguiu respirar na quinta-feira, subindo 0,94% e fechando aos 206.220,24 pontos, com giro financeiro robusto de R$ 60,60 bilhões. A amplitude do pregão — entre mínima de 203.984,57 e máxima de 207.953,74 pontos — mostra um mercado testando os dois lados, sem direção muito clara. O Ibovespa futuro, por sua vez, vinha de uma abertura discreta na véspera, em leve queda de 0,11%, reforçando a ideia de que a casa dos 206 mil pontos segue sendo uma espécie de zona de equilíbrio provisório, mais do que um piso ou teto consolidado.
IPCA de setembro é o grande teste do dia
O IBGE divulga às 9h o IPCA de setembro, e a expectativa do mercado está concentrada numa faixa entre 0,70% e 0,82% no mês — um salto expressivo frente aos números mais contidos de junho a agosto (+0,16%, +0,07% e -0,32%). Casas de análise já trabalham com uma leitura próxima de +0,70%, puxada por energia elétrica (+7,90%) e por uma forte alta nas passagens aéreas (+9,82%), o que levaria o acumulado em 12 meses para algo em torno de 4,46% — colando no teto da meta de 4,50%. Vale lembrar que o Banco Central, em seu Relatório de Política Monetária, havia projetado algo mais ameno, 0,65% para setembro, e o próprio IPCA-15 já havia surpreendido para cima, em 0,70%, acima da mediana da pesquisa Reuters. Se o número de hoje confirmar essa pressão, é provável que o mercado reprecifique expectativas para a Selic, hoje em 13,75% após a última reunião do Copom em 16 de setembro, ainda que não haja decisão de juros marcada para esta sexta.
Petróleo e o fantasma da escalada no Irã
Do lado externo, o que mexeu com Wall Street na quinta-feira foi a notícia, via NBC News, de que Trump e sua equipe de segurança nacional discutiram retomar operações militares de grande escala contra o Irã. O resultado foi imediato: o WTI disparou 3,6%, fechando a US$ 91,49 o barril, pressionando os Treasuries de 10 anos para 5,327% e derrubando as bolsas americanas — Nasdaq (-1,25%) e S&P 500 (-0,47%) sofreram mais que o Dow Jones, que fechou levemente positivo. Esse tipo de movimento tende a contaminar a abertura brasileira, especialmente em papéis ligados a Petrobras e ao setor de energia, que historicamente reagem rápido a notícias de tensão no Oriente Médio.
Eleição ainda manda mais que os indicadores
Por mais relevante que seja o IPCA de hoje, o fator que realmente tem ditado o câmbio nas últimas semanas é a disputa eleitoral. Com o primeiro turno encerrado em 4 de outubro e o segundo marcado para 25 de outubro, o dólar tem mostrado sensibilidade extrema a qualquer ruído político — a moeda chegou a fechar a R$ 5,2264 há poucas semanas, maior valor desde março, em reação a pesquisas desfavoráveis. Mesmo com a valorização acumulada do real em mais de 10,9% em 2026 e o dólar fechando a R$ 5,024 na quinta, a cautela segue sendo a palavra de ordem até que o quadro eleitoral se defina.
Entre o resultado do IPCA, o desenrolar da crise no Irã e os próximos capítulos da corrida eleitoral, o investidor tem motivos de sobra para acompanhar o pregão de perto hoje — sem, no entanto, perder de vista que boa parte desses movimentos tende a ser de curto prazo, e que decisões de investimento pedem sempre uma análise mais ampla do que a notícia do dia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças