Mercado em foco — perspectivas para 13 de outubro de 2026
O mercado brasileiro volta a operar nesta terça-feira depois do feriado de Nossa Senhora Aparecida, que deixou a B3 fechada na segunda. Isso significa que o pregão de hoje carrega, represado, todo o impacto das notícias de sexta-feira e do fim de semana — e o ponto de partida é animador: o Ibovespa fechou a última sessão em recorde histórico, aos 209.066,90 pontos, alta de 1,38% no dia e 8,82% na semana, com volume robusto de R$ 56,5 bilhões. O dólar, na mesma sessão, recuou 0,78% e fechou a R$ 4,98. São números que mostram um apetite por risco elevado, mas também levantam a pergunta inevitável: até onde esse fôlego se sustenta?
Agenda doméstica: dia de digestão, não de gatilho
Por aqui, a terça-feira é mais de “assimilar dados” do que de grandes sustos. Às 8h25 sai o Boletim Focus, que deve atualizar as projeções do mercado para Selic, câmbio, PIB e inflação — um termômetro importante depois de um IPCA de setembro que veio mais forte que o esperado, subindo 0,82% (maior para o mês desde 2021, puxado pelas contas de luz) e acumulando 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central. Às 15h, a Secex divulga a balança comercial semanal. Não há reunião do Copom nesta semana — a Selic segue em 13,75% ao ano, e o próximo encontro do comitê só ocorre em 3 e 4 de novembro. Mas o IPCA pressionado tende a manter viva a discussão sobre o ritmo (ou a pausa) dos próximos cortes.
O verdadeiro catalisador do dia vem de fora: balanços bancários nos EUA
O evento que mais deve mexer com o humor global hoje é a abertura oficial da temporada de resultados do terceiro trimestre pelos grandes bancos americanos. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo divulgam seus números ainda no pré-mercado de Nova York. O JPMorgan reporta por volta das 8h30 (horário do Leste dos EUA), com projeções de EPS em torno de US$ 5,93 e receita perto de US$ 51,7 bilhões. O Goldman Sachs sai ainda mais cedo, às 7h30, com teleconferência às 9h30, e analistas esperam receita de US$ 16,83 bilhões e LPA de US$ 12,86 — números que superariam o ano anterior, mas ficariam abaixo do segundo trimestre. Bank of America, Morgan Stanley e BlackRock completam o quadro amanhã. Como esses resultados costumam dar o tom do apetite por risco em Wall Street, vale acompanhar a reação dos futuros, que amanheceram em alta moderada: Dow Jones subindo 0,21%, S&P 500 avançando 0,25% e Nasdaq 100 ganhando 0,15%.
Tensão geopolítica e dólar global no radar
Há também um pano de fundo mais delicado: um ataque em Riade elevou o risco geopolítico e pressionou o petróleo, justamente às vésperas de dados de inflação e balanços bancários nos EUA. O índice DXY, que mede a força do dólar globalmente, está por volta de 102,55 pontos, reflexo da cautela entre investidores diante da escalada de tensões no Oriente Médio somada ao temor inflacionário. É um lembrete de que o otimismo recente do Ibovespa convive com riscos externos que não desaparecem da noite para o dia.
O que vem pela frente
Amanhã, quarta-feira, sai o CPI americano de setembro — pesquisa da Reuters projeta inflação anual de 3,7% e núcleo de 2,5%, ainda acima da meta de 2% do Federal Reserve. Esse número deve pesar nas apostas para a reunião do FOMC, marcada para 27 e 28 de outubro. Na sexta-feira, o IBC-Br de agosto (com expectativa de alta de 0,3%, segundo o Bradesco) dá mais uma pista sobre o ritmo da atividade econômica brasileira. No front político, o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, continua no radar, com pesquisas eleitorais que devem sair ao longo da semana e seguir influenciando o humor dos investidores locais.
Em suma, o mercado chega a esta terça-feira embalado por um recorde do Ibovespa e um dólar mais comportado, mas o verdadeiro teste da semana ainda está por vir — entre a reação aos balanços bancários de hoje, o CPI americano de amanhã e o IBC-Br na sexta. É um momento de observar com atenção os desdobramentos, sem pressa para tirar conclusões precipitadas sobre a continuidade do rali.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças