Mercado em foco — perspectivas para 16 de outubro de 2026
O pregão desta sexta-feira começa sob o peso de uma quinta-feira dura para os ativos brasileiros. O Ibovespa fechou em queda de 1,06%, aos 204.324,26 pontos, na terceira baixa seguida, enquanto o dólar comercial subiu 1,17%, encostando em R$ 5,087 — o maior fechamento da moeda desde o início de outubro. Na mínima do dia, o índice chegou a tocar 203.110 pontos, um recuo expressivo que reforça o nervosismo que já vinha se acumulando ao longo da semana. No acumulado de sete dias, a bolsa cede 2,28%, mas ainda sustenta ganhos robustos de 9,64% no mês e 26,80% no ano — números que colocam em perspectiva o tamanho do solavanco recente sem, por ora, comprometer a trajetória de 2026.
O fator eleitoral dominando o humor do investidor
Não é novidade que o mercado financeiro reage a pesquisas eleitorais, mas o momento atual escancara isso. A pesquisa Quaest, que apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula, e o Datafolha divulgado à noite — mostrando o primeiro com 47% das intenções de voto contra 45% do petista, ou 51% a 49% em votos válidos — foram os gatilhos diretos da aversão a risco que derrubou o Ibovespa e pressionou o câmbio. Vale notar que a vantagem encontrada pelo Datafolha encolheu em relação à semana anterior, quando era de quatro pontos. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, faltam poucos dias para essa indefinição se resolver, e é razoável esperar que qualquer nova pesquisa — seja ela Quaest, Datafolha ou Genial/Quaest — continue provocando reações imediatas e por vezes desproporcionais nos preços dos ativos. É o tipo de ruído que tende a aumentar a volatilidade justamente na reta final da campanha.
Wall Street destoa, mas as camadas internas mostram tensão
Enquanto o Brasil penava, os índices americanos fecharam em alta na quinta-feira — o Dow Jones subiu 1,08%, puxado por Nike, Salesforce e Home Depot, numa sessão que interrompeu três dias seguidos de perdas do S&P 500. Mas vale destacar que, por trás da alta, há um movimento de rotação relevante: ações de chips como Nvidia, AMD e Micron ficaram entre os destaques negativos, pressionadas por notícias de desaceleração de receita em empresas ligadas a inteligência artificial e por preocupações crescentes com o endividamento de operadoras de data centers, caso da CoreWeave — que, aliás, conseguiu se recuperar e fechar em alta de 5% após ter desabado 15% no dia anterior. Esse tipo de oscilação forte em nomes ligados à narrativa de IA é um ponto que merece acompanhamento nas próximas semanas, pois sinaliza que o apetite por esse tema pode estar mais frágil do que aparenta.
Inflação americana segue no radar
Os dados de PPI e vendas no varejo nos EUA vieram acima do esperado, um dia depois de o CPI também superar as projeções — uma combinação que mantém o mercado em alerta quanto aos próximos passos do Federal Reserve, cuja próxima reunião do FOMC está marcada para 27 e 28 de outubro. Some-se a isso o índice de manufatura do Fed da Filadélfia, que caiu para 20,9 em outubro ante 37,8 no mês anterior — abaixo do esperado, embora componentes como novos pedidos e emprego ainda tenham ficado em território positivo.
Agenda do dia no Brasil
Por aqui, o destaque fica por conta do IBC-Br de agosto, divulgado pelo Banco Central às 9h, com o mercado projetando variação mensal de 0,3%. O indicador fecha o pacote de dados de atividade econômica da semana, depois de o IBGE já ter divulgado números de serviços e varejo para o mesmo período. Antes disso, às 8h, sai o IPC-S semanal da FGV, mais um termômetro de preços num momento em que a inflação segue no centro das atenções, tanto aqui quanto lá fora.
Câmbio e comércio exterior
No campo cambial, chama atenção o ritmo das exportações brasileiras, que cresceram 29,6% na segunda semana de outubro ante igual período do ano passado, somando US$ 12,99 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,4%. É um fluxo comercial aquecido que, em condições normais, tenderia a dar algum suporte ao real — mas que, no cenário atual, divide espaço com a incerteza eleitoral como fator determinante da cotação do dólar.
Com a Selic parada em 13,75% ao ano e sem reunião do Copom nesta semana — a próxima está marcada para 3 e 4 de novembro —, o mercado doméstico segue sem um gatilho de política monetária para equilibrar o nervosismo político. Resta observar como a abertura do pregão vai digerir esse mosaico de sinais mistos entre Wall Street em recuperação, Ásia com humor ainda incerto e uma disputa eleitoral que promete seguir pautando os preços até o dia 25.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças