Entre o ouro nas alturas e o caso Master: como proteger o bolso na reta final da eleição
Faltam dez dias para o segundo turno e o mercado brasileiro já deu seu veredito provisório: ansiedade. O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas — Quaest aponta 46% a 44%, Datafolha mostra 47% a 45% — acabou com a euforia que tomou conta dos ativos logo após o primeiro turno. Na semana passada, o dólar chegou a cair de R$ 5,22 para R$ 5,00 em uma única sessão, refletindo a aposta de que um governo Flávio seria mais disciplinado fiscalmente. Essa aposta começou a ser recalculada.
O câmbio virou o termômetro político
Até 7 de outubro, o real vivia um dos melhores anos da história recente, com valorização de 10,19% frente ao dólar — atrás apenas de 2016 e 2025. Mas o aperto nas pesquisas inverteu a rota rapidamente. Na quinta-feira (15/10), o dólar fechou a R$ 5,087, o maior valor desde 2 de outubro, enquanto o Ibovespa recuou 1,06%. O detalhe que chama atenção de quem acompanha mercado: o índice internacional do dólar (DXY) caía 0,53% no mesmo horário. Ou seja, a moeda americana subiu no Brasil mesmo enfraquecendo lá fora — um sinal clássico de que o que está em jogo é risco Brasil, não força do dólar global. Como resumiu o economista-chefe da Monte Bravo, Felipe Tavares, “a eleição abriu a caixa de Pandora”.
Juros em queda, mas com ressalvas
O Copom já cortou a Selic quatro vezes seguidas neste ciclo, de 15% em março para 13,75% em setembro, com viés de continuidade dado o cenário de desinflação. É uma notícia boa para quem financia dívida e para a atividade econômica, mas vale um alerta: os juros mais longos, que baliza os títulos IPCA+ e refletem a percepção de disciplina fiscal do próximo governo, voltaram a oscilar com a aproximação do segundo turno. Isso significa que o apetite por manter prazo mais longo em renda fixa também está sendo repreçado pelo mercado em tempo real — vale acompanhar de perto antes de travar posições longas.
Ouro: o recorde que reflete desconfiança global, não só brasileira
Enquanto o Brasil discute eleição, o ouro corre por fora batendo recordes globais. O contrato para dezembro fechou a US$ 4.170,10 a onça-troy em 15 de outubro, alta de 1,51% no dia, dentro de um intervalo de 52 semanas que vai de US$ 3.890,70 a impressionantes US$ 5.626,80. Parte do movimento tem explicação clássica: expectativa de juros baixos nos Estados Unidos, ainda que o mercado veja 70,7% de chance de manutenção na reunião de outubro do Fed. Mas há um ingrediente novo e relevante para quem pensa em diversificação: a venda acentuada de ações de tecnologia e de empresas ligadas a inteligência artificial tem empurrado capital para ativos considerados seguros, como ouro e títulos públicos. É um movimento que vale observar — não como recomendação de compra, mas como termômetro de que parte do mercado global está reduzindo exposição a risco.
Banco Master: a lição que todo poupador precisa aprender
Se há um caso que resume os riscos de perseguir rentabilidade fácil, é o do Banco Master. A instituição vendia CDBs com taxas de até 140% do CDI, sempre reforçando que o dinheiro estava protegido pelo FGC — o fundo que garante até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra do banco. Em 18 de novembro de 2025, o Master foi liquidado extrajudicialmente e seu controlador, Daniel Vorcaro, preso por lavagem de dinheiro. O rombo é histórico: estimativa de R$ 41 bilhões de perda para o FGC, o maior já registrado na história do fundo. Em março de 2026, o STF ordenou nova prisão de Vorcaro, agora em um caso de fraude avaliado em até R$ 12 bilhões. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, já soma 13 prisões e atinge executivos do Master, do BRB, funcionários do Banco Central e até parlamentares — tudo ainda em apuração, sem condenações definitivas até aqui.
O recado para o investidor pessoa física é direto: taxa muito acima da média de mercado é sinal de alerta, não de sorte. O FGC existe e funciona, mas tem limite de R$ 250 mil por instituição e por CPF — quem concentra mais que isso em um único banco, por maior que seja a rentabilidade prometida, está assumindo risco que pode não estar coberto.
O que fica dessa fotografia de outubro
Juros ainda em dois dígitos, ouro em máxima histórica, câmbio reagindo a cada pesquisa eleitoral e um escândalo bancário bilionário ainda sendo digerido pelo sistema financeiro. O denominador comum é a incerteza — e, nesse ambiente, diversificação e atenção aos limites de proteção (como o teto do FGC) importam mais do que tentar acertar o próximo movimento do dólar ou da bolsa. O resultado das urnas em 25 de outubro deve dar a próxima pista relevante para quem acompanha o mercado de perto.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças