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Mercado em foco — perspectivas para 19 de outubro de 2026

A semana decisiva antes do segundo turno presidencial começa com a B3 em pregão normal — sem feriado nesta segunda-feira — mas com um cardápio pesado de indicadores domésticos e um ambiente externo que não ajuda muito. O investidor brasileiro chega a esta segunda tendo que equilibrar dois movimentos opostos: a cautela que vem de fora, puxada pelo tombo da tecnologia em Wall Street na sexta, e o apetite por risco doméstico, ainda contaminado pela expectativa em torno da eleição marcada para 25 de outubro.

O que ficou de sexta-feira

O Ibovespa fechou a última sessão da semana passada com alta de 0,54%, aos 205.430,33 pontos, impulsionado por Petrobras (+4%) e Magazine Luiza (+6,9%). Foi a única alta da semana: no acumulado de cinco dias, o índice recuou 1,74%, interrompendo duas semanas positivas seguidas. Ainda assim, o saldo do ano permanece espetacular — alta de 27,50% em 2026 e de 10,24% só em outubro. O dólar seguiu na direção oposta, caindo pela primeira vez após três altas consecutivas, fechando a R$ 5,072/5,073 na ponta de venda e compra, acompanhando a queda de 0,25% do índice DXY.

Wall Street e Ásia dão o tom externo

A sessão de sexta em Nova York foi dura para quem aposta em tecnologia: o Nasdaq caiu 2,1%, para 26.140 pontos, o S&P 500 recuou 1,1%, a 7.659 pontos, e até o mais defensivo Dow Jones cedeu 0,3%. O pano de fundo é a desconfiança crescente sobre se os bilhões investidos no boom de inteligência artificial vão realmente se converter em retorno — um debate que deve ganhar ainda mais força com a temporada de resultados corporativos que avança nos EUA, com nomes como Netflix, Tesla e Meta no radar.

Essa ansiedade contaminou a Ásia nesta madrugada: o Nikkei recuou 0,7% (depois de cair mais de 2% na abertura), enquanto o Shanghai subiu discretamente 0,2%, auxiliado por um PIB chinês do terceiro trimestre acima do esperado (+4,5% ante previsão de 4,4%). A Bolsa de Hong Kong ficou fechada por feriado, e a australiana destoou, fechando em alta de 0,4% com apoio do setor de energia e de fusões e aquisições. No petróleo, o recuo do Brent (-1,6%, a US$ 108,06) e do WTI (-0,7%, a US$ 100,70) — reflexo da suspensão parcial de sanções dos EUA à Rússia anunciada por Trump — deu algum alívio aos mercados, limitando perdas mais profundas.

Agenda doméstica: o dia é de inflação e Focus

No Brasil, o pregão de hoje deve ser menos sobre o fechamento de sexta e mais sobre os números que saem ao longo do dia. Às 5h já saiu o IPC da Fipe; às 8h a FGV divulga o IGP-10 de outubro, com variação indicada de 1,44% — uma desaceleração ante os 1,5% de setembro, caso se confirme; e às 8h25 chega o Relatório Focus semanal, que vai recalibrar as apostas do mercado para a Selic, hoje em 13,75% ao ano, com a próxima decisão do Copom marcada apenas para 3 e 4 de novembro. À tarde, às 15h, a Secex divulga os dados semanais da balança comercial.

O pano de fundo eleitoral ainda pesa

Com o segundo turno a seis dias de distância, entre Lula e Flávio Bolsonaro — que venceu o primeiro turno com 47,03% contra 45,16% —, o mercado segue de olho nas pesquisas que começam a sair hoje (AtlasIntel, Nexus e PoderData), com novos números de Real Time/Big Data amanhã e da Quaest na quarta. O movimento de otimismo visto após o primeiro turno, quando o real chegou a valorizar 4,7% na semana e o Ibovespa subiu cerca de 14% em dólares, mostra o quanto o fluxo eleitoral tem dominado os preços dos ativos locais nas últimas semanas — e qualquer surpresa nas pesquisas desta semana tende a provocar reação rápida.

O que observar no curto prazo

A combinação de Wall Street fraca, Ásia mista e abertura doméstica movida a indicadores de inflação sugere um pregão sem direção única e com viés de cautela. O dólar deve seguir testando a faixa entre R$ 5,00 e R$ 5,10, citada como referência técnica no mercado, enquanto o Ibovespa tende a navegar entre a realização de lucros ligada ao exterior e o fôlego doméstico associado à pauta eleitoral. Mais à frente na semana, o IPCA-15 de sexta-feira deve ser o dado mais aguardado, com bancos como Itaú e Bradesco já projetando pressão de até 0,51% no índice, puxada por alimentos e combustíveis — parcialmente compensada pela mudança da bandeira tarifária de energia para verde.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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