Coluna publicada em 27 de julho de 2026, às 7h (horário de Brasília).

A semana que se inicia promete tensão entre dois movimentos opostos: em Wall Street, o mercado segue em clima defensivo por causa dos gastos bilionários das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial, enquanto no Brasil os olhos estarão voltados para a ata do Copom e o rumo da Selic.

Wall Street: tecnologia sob pressão, Dow Jones mais resiliente

Segundo reportagem do Sunday Guardian, os futuros do S&P 500 devem abrir mistos a levemente defensivos nesta segunda-feira, 27 de julho, refletindo uma queda de braço entre a correção forte no setor de tecnologia e um fluxo de capital migrando para setores mais tradicionais. Os resultados de Alphabet e Tesla, divulgados na semana passada, assustaram investidores pelo tamanho dos investimentos em infraestrutura de IA, pressionando a Nasdaq.

Já o Dow Jones aparece mais resiliente, se beneficiando dessa rotação defensiva de capital para setores como saúde, indústria e consumo, segundo a mesma reportagem. Petróleo também segue no radar: o barril tipo Brent chegou a romper os cem dólares antes de recuar para perto de 96,78 dólares, em meio a rumores de conversas de desescalada entre Estados Unidos, Paquistão e Irã.

De acordo com a CNBC, na sexta-feira, dia 24, o S&P 500 fechou praticamente estável, em 7.411,98 pontos, enquanto a Nasdaq recuou 0,64%, a 24.975,82 pontos, pressionada pelas ações de semicondutores. Já o Dow Jones subiu 0,46%, a 51.947,25 pontos, impulsionado por um salto de mais de 3% nas ações da Apple.

Para os próximos dias, a Charles Schwab destaca que a amplitude de mercado, ou seja, a proporção de ações negociadas acima da média móvel de 200 dias, caiu tanto no S&P 500 quanto na Nasdaq na última semana, um sinal de que a alta recente está cada vez mais concentrada em poucas empresas.

Brasil: Ibovespa pressionado, Copom no centro das atenções

Por aqui, segundo a Rio Times Online, o Ibovespa fechou a última sexta-feira em queda de 0,46%, aos 176.724 pontos, acompanhando as perdas em Wall Street, com o real se desvalorizando 0,58%, cotado a 5,0841 por dólar.

O grande destaque da semana, conforme apurado pela Bloomberg Línea, é a divulgação da ata do Copom, após o comunicado da reunião anterior ter gerado certa confusão entre os agentes de mercado sobre o ritmo dos próximos cortes na Selic. Gestores de fundos internacionais, aponta a mesma fonte, já reduziram suas expectativas para o Brasil e aumentaram os níveis de caixa, adotando uma postura mais defensiva.

Segundo o Boletim Focus, a mediana de inflação para 2026 está em 5,15%, ainda acima do teto da meta, o que deve manter o Banco Central cauteloso quanto ao ritmo de cortes de juros nas próximas reuniões.

O que observar nesta semana

Do lado brasileiro, o principal ponto de atenção é a ata do Copom, que pode trazer mais clareza sobre o ritmo de cortes da Selic pelo restante do ano. Do lado americano, o mercado segue de olho nos resultados de mais empresas de tecnologia, incluindo a Microsoft, e em qualquer sinalização adicional do Federal Reserve.

Para quem acompanha os dois mercados, o cenário da semana reforça um ponto já conhecido: o apetite por risco em Nova York segue diretamente ligado ao humor dos investidores por aqui, especialmente em um momento de incerteza dupla, entre a inflação persistente no Brasil e os receios com os gastos bilionários em inteligência artificial nos Estados Unidos.

Fontes consultadas

Sunday Guardian, CNBC, Charles Schwab, Rio Times Online, Bloomberg Línea e Boletim Focus/Banco Central do Brasil.

Por Maickel Katz.