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Depois do pico de US$ 5.500, ouro busca chão perto de US$ 4.200 — e o investidor brasileiro precisa entender as regras do jogo

O ouro viveu em 2026 um dos ciclos mais violentos de sua história recente. Em 29 de janeiro, o metal bateu recorde nominal, superando US$ 5.500 por onça na referência de Londres, coroando uma escalada que já vinha de 2025 — ano em que os preços dispararam 65%, o maior ganho anual desde 1979. A alta continuou firme no começo deste ano: só nos primeiros 26 dias de janeiro, o ouro subiu 15%.

Mas o que sobe rápido demais costuma corrigir com a mesma intensidade. Dias após o pico, começou uma correção que se estendeu por meses, com o fundo em torno de US$ 3.994 no fim de junho — uma queda de cerca de 27% em relação à máxima. De agosto a meados de setembro, o metal encontrou uma zona de acomodação entre US$ 4.300 e US$ 4.600, sustentada por compras de bancos centrais e pelas preocupações recorrentes com a dívida pública americana.

Nesta semana, o quadro mostra o ouro um pouco abaixo dessa faixa. Na terça-feira, 13 de outubro, o metal à vista fechou a US$ 4.184,28 por onça, alta de 0,28% no dia, em um movimento puxado por um dólar mais fraco e por rendimentos dos Treasuries em queda — combinação que historicamente atrai compradores de volta ao ouro. A prata também segue em patamar historicamente elevado, perto de US$ 60,53.

O duelo de bancos centrais que move o mercado

Se existe uma variável que explica boa parte do nervosismo recente do ouro, é a postura do Federal Reserve. Depois de meses de expectativa de cortes, o Fed surpreendeu e elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4% em 16 de setembro — a primeira alta desde 2023. Isso importa porque o ouro não paga juros nem dividendos: quando os títulos do Tesouro americano voltam a remunerar mais, o custo de oportunidade de carregar o metal aumenta, e parte do capital migra para a renda fixa em dólar. Não à toa, analistas do site EBC projetam outubro com viés de queda ou lateralização, já que o mercado atribui boa chance de uma nova alta de juros já na reunião de 27 e 28 de dezembro do Fed, com o ouro oscilando entre US$ 4.000 e US$ 4.300 no cenário-base.

No Brasil, o movimento é espelhado — e invertido. O Copom deu seu quinto corte seguido de Selic em 16 de setembro, levando a taxa básica de 14,00% para 13,75% ao ano, numa sequência que vem desde março. A inflação dá sinais de arrefecimento, com o IPCA acumulado em 12 meses caindo para 4,22% em agosto, mas o próprio Banco Central reconhece riscos assimétricos para cima, citando expectativas desancoradas e inflação de serviços resistente. Esse contraste entre Fed apertando e BC afrouxando tende a pressionar o câmbio e, por tabela, o preço do ouro em reais, além de redesenhar a atratividade relativa entre a renda fixa doméstica e um ativo de proteção como o metal.

A China como personagem central da demanda física

Enquanto o mercado financeiro discute juros, a China compra ouro em ritmo recorde. Dados de alfândega mostram que o país importou mais de 1.000 toneladas do metal nos primeiros oito meses de 2026, num valor recorde de US$ 158,8 bilhões — superando sozinho o total importado em todo o ano de 2025 (886 toneladas, US$ 96,5 bilhões). Some-se a isso o apetite dos bancos centrais globais, que compraram 53 toneladas líquidas só em outubro de 2025, levando o acumulado do ano a 254 toneladas até aquele mês. É esse pano de fundo de demanda física persistente que ajuda a explicar por que, mesmo após uma correção de 27%, o ouro não desabou — e por que projeções de longo prazo, como as do BofA (acima de US$ 6.000) e do Goldman Sachs (US$ 5.400), ainda circulam entre analistas mais otimistas.

Como o brasileiro acessa o ouro na B3 — e como isso é tributado

Para quem acompanha esse cenário e quer entender as portas de entrada disponíveis, a B3 oferece hoje pelo menos quatro caminhos. O GOLD11, primeiro ETF de ouro do país, investe em cotas do iShares Gold Trust, listado em Nova York, com taxa de administração de 0,3% ao ano. O OURO11 replica o mercado futuro local em reais. O GOLB11, da BTG, também opera futuro de ouro, mantendo parte do patrimônio em caixa remunerado pela Selic como colateral. Há ainda os BDRs, como GOLD34, BIAU39 e ABGD39, que replicam ETFs estrangeiros.

Um ponto que gera confusão recorrente é a tributação. Diferente das ações, que têm isenção de R$ 20 mil mensais para pessoa física, os ETFs de ouro não têm isenção alguma: qualquer ganho de capital na venda é tributado a 15%, sobe para 20% em day trade. Já quem opta pelo ouro físico ou joias segue outra regra, com isenção de R$ 35 mil por mês. É uma distinção técnica, mas que separa “ouro-papel” de ouro físico na hora de declarar o Imposto de Renda — e vale a pena conferir com atenção antes de montar qualquer posição, já que erros nessa separação entre as fichas de Bens e Direitos e de Renda Variável são comuns entre investidores iniciantes.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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