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Mercado Financeiro

Ibovespa recua 1,52% nesta quarta-feira, 29 de julho, com Fed dividido e petróleo em disparada

O pregão desta quarta-feira (29/07) foi de aversão a risco na B3. O Ibovespa fechou em queda de 1,52%, aos 173.885,34 pontos, depois de ter chegado a bater máxima de 176.564 pontos ainda pela manhã. O giro financeiro somou R$ 16,6 bilhões, ligeiramente abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões — sinal de que o investidor preferiu observar de fora em vez de operar pesado num dia carregado de notícias. Lá fora, o clima não foi diferente: Dow Jones caiu 0,68%, S&P 500 recuou 1,29% e Nasdaq, mais sensível a juros e tecnologia, despencou 2,13%.

O Fed dividido: o detalhe que pesou mais que a decisão em si
Como esperado, o Federal Reserve manteve a taxa básica americana entre 3,50% e 3,75%, a quinta reunião consecutiva sem mexer nos juros. Só que o placar da votação chamou mais atenção do que o próprio resultado: três dos doze membros do comitê (FOMC) discordaram e defenderam alta de 0,25 ponto percentual — a maior dissidência dentro do Fed desde 2016. Um comitê rachado desse jeito é lido pelo mercado como sinal de que a porta para juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos segue bem aberta, o que ajuda a explicar a queda das bolsas americanas e, por tabela, o humor ruim por aqui.

Petróleo dispara com escalada no Oriente Médio
Do lado das commodities, o barril de petróleo teve um dia de forte alta, com o Brent avançando mais de 7% e o WTI seguindo o mesmo ritmo, refletindo a piora das tensões geopolíticas na região — que voltou a registrar confrontos envolvendo Estados Unidos, Irã e forças aliadas no Iraque. Petróleo mais caro é sempre um ingrediente delicado para o cenário de inflação global, e ajuda a justificar por que parte do mercado teme que o Fed tenha, de fato, motivo para manter a cautela.

Petrobras nada contra a maré
Em meio a um dia de índice no vermelho, a Petrobras foi uma das exceções: as ações preferenciais da estatal subiram 1,92%, após a companhia divulgar produção recorde de petróleo e gás no segundo trimestre. É um caso raro em que o petróleo mais caro lá fora e um dado operacional forte aqui dentro se combinam a favor do papel, mesmo com o índice como um todo puxado para baixo por outros setores.

Bancos sob pressão, dólar cede de leve
O setor financeiro também não ajudou o Ibovespa hoje, com bancos operando pressionados na esteira do balanço do Santander Brasil, que abriu a temporada de resultados do setor sem entusiasmar o mercado. Do lado cambial, o dólar teve um comportamento mais ameno que o das bolsas: fechou cotado a R$ 5,1084, com queda de 0,27%, mostrando que o desconforto de hoje ficou concentrado mesmo na renda variável.

O que fica da leitura de hoje
O dia resume bem o momento atual dos mercados: o noticiário deixou de ser dominado só pela dose local de inflação e juros e passou a somar duas frentes externas de uma vez — a leitura mais dura do Fed e a escalada geopolítica no Oriente Médio, com efeito direto sobre o petróleo. Vale repetir o alerta de sempre: dia isolado não faz tendência, e decisões de investimento merecem análise própria, considerando o perfil e os objetivos de cada um — este espaço é para comentar o mercado, não para indicar compra ou venda de ativos específicos. Seguimos acompanhando de perto os próximos desdobramentos, tanto do lado da política monetária americana quanto do conflito no Oriente Médio.

— Maickel Katz

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