Mercado em foco — perspectivas para 30 de setembro de 2026
A B3 encerra hoje o terceiro trimestre de 2026 embalada por um alívio recente, mas cercada de sinais mistos que pedem cautela. Na terça-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 183.827,59 pontos, rompendo uma sequência de quatro pregões seguidos de queda. O volume financeiro, no entanto, ficou modesto — R$ 0,95 bilhão —, o que relativiza a força do movimento. No acumulado, o índice ainda mostra números expressivos: alta de 3,61% no mês e 14,09% no ano. O dólar, por sua vez, recuou 0,18% na véspera, a R$ 5,2170, mas o contrato futuro subiu 0,62%, sinalizando que a moeda pode abrir o dia com viés de leve alta.
Wall Street sob pressão dos juros longos
O pano de fundo externo segue desafiador. Dow Jones e Nasdaq recuaram na véspera, puxados pela continuidade das vendas no mercado de Treasuries: o rendimento dos títulos de 10 anos atingiu o maior nível em 19 anos, e o de 30 anos chegou ao patamar mais alto desde 2004. É um movimento que reflete a preocupação dos investidores com o impacto da alta dos preços de energia sobre a inflação e, por consequência, sobre a política monetária americana — lembrando que o Federal Reserve já elevou juros neste mês, o primeiro aumento desde 2023. Esse é o tipo de ruído que tende a manter a liquidez global mais cautelosa, mesmo sem dados robustos ainda disponíveis sobre o fechamento de Ásia e Europa nesta madrugada.
Agenda decisiva nos EUA antes do payroll
O dia é carregado de indicadores que devem balizar o humor dos mercados até sexta-feira, quando sai o payroll oficial. Às 9h15, a ADP divulga a variação de empregos privados de setembro — há divergência relevante entre as projeções, com estimativas que vão de cerca de 23 mil a 73 mil vagas, o que por si só já é um sinal de incerteza no mercado de trabalho americano. Na sequência, às 9h30, saem o PIB do segundo trimestre (projeção de 1,5% de crescimento, ante 2,1% no trimestre anterior) e o índice de preços PCE de agosto, termômetro de inflação acompanhado de perto pelo Fed.
Brasil: fiscal e preços no radar da manhã
Por aqui, a manhã reserva uma bateria de dados fiscais e de preços. Às 8h30, o Balanço Orçamentário deve mostrar déficit projetado de R$ 109,4 bilhões, ante R$ 97,6 bilhões em julho — um número que, se confirmado, reforça a sensibilidade do mercado ao quadro fiscal. A Dívida Bruta do Governo Geral, que estava em 82,5% do PIB, tem projeção de subir para 83,1%. Já o Índice de Preços ao Produtor de agosto sai às 9h, após ter registrado queda de 0,83% na leitura anterior. Não há reunião do Copom hoje — a Selic segue em 13,75% ao ano, com a próxima decisão só em 3 e 4 de novembro.
Eleições continuam no centro das atenções
O componente político segue como pano de fundo relevante para o fluxo de capital estrangeiro. O rali recente de 11 sessões seguidas de alta, associado ao avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, já levou o Citi a retirar o real da cesta de carry trade para emergentes, num movimento de cautela pré-eleitoral. Ainda assim, uma pesquisa do Bank of America com 30 gestores latino-americanos mostra otimismo estrutural: 73% projetam o Ibovespa acima de 180 mil pontos até dezembro, e quase metade enxerga o índice batendo 200 mil pontos ou mais. Do ponto de vista técnico, o Safra Invest aponta tendência de alta no médio prazo, com resistências em 191.500 e 200.000 pontos, e suportes em 177.800 e 166.500 pontos.
Empresas sob holofote
No corporativo, Romi e Blau passam a negociar ex-JCP hoje. A JSL confirma cronograma de dividendos de R$ 421 milhões, com a primeira parcela paga já na sexta-feira. CSN e CSN Mineração devem repercutir o corte nas projeções de produção de minério para 2026, enquanto a prévia do Safra para a Ambev no terceiro trimestre traz viés negativo. No mercado de trabalho, o Caged de agosto trouxe surpresa positiva, com abertura de 165.827 postos formais, alta de 183,1% sobre julho — dado que ajuda a explicar parte do otimismo recente com a atividade doméstica, mesmo em meio às incertezas externas.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças