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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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O que moveu o mercado nesta sexta-feira, 07 de agosto

A semana na B3 fechou com o pé no freio. O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira em queda, aos 175.546 pontos, depois de oscilar entre uma mínima de 175.514 e uma máxima de 177.720 pontos ao longo do dia. Mesmo com Wall Street em clima de festa lá fora, por aqui o humor foi outro — e vale entender por quê.

Copom cortou, mas o mercado não gostou do tom

O gatilho mais direto veio do próprio Banco Central. O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, dentro do esperado. O problema não foi o corte em si, e sim o comunicado que veio junto: o tom mais cauteloso do Copom foi lido pelo mercado como um sinal de que o ritmo de flexibilização à frente é incerto, o que tirou parte do otimismo que vinha embalando os ativos locais nos últimos dias.

Bancos pesam, Petrobras é exceção

O setor financeiro puxou o índice para baixo. Itaú (ITUB4) recuou 1,30%, Bradesco (BBDC4) caiu 1,94% após o balanço do segundo trimestre mostrar aumento da inadimplência, e Banco do Brasil (BBAS3) foi o destaque negativo, com queda de 3,66%. Do lado das commodities, a Vale (VALE3) cedeu 1,66%, acompanhando a queda do minério de ferro no mercado internacional, enquanto papéis como Smart Fit, Brava Energia e Mercado Livre também fecharam no vermelho. A exceção ficou por conta da Petrobras (PETR4), que subiu 0,48% na contramão do dia.

Dólar estável, mas com sinais de saída de estrangeiro

O dólar operou próximo da estabilidade frente ao real, cotado perto de R$ 5,10, sem grandes sobressaltos. O dado mais relevante do dia, porém, não foi tanto o nível do câmbio, e sim os sinais de saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira — um movimento que chama atenção justamente num momento em que os juros americanos caminham para ficar mais baixos, o que teoricamente deveria favorecer ativos de mercados emergentes como o nosso.

Lá fora: payroll fraco anima Wall Street, petróleo recua

O contraste com o exterior foi nítido. Nos Estados Unidos, o payroll de julho mostrou perda de 23 mil vagas — bem abaixo da expectativa de criação de 83 mil postos —, e a taxa de desemprego só não subiu porque a participação da força de trabalho caiu para o menor nível em mais de cinco anos. Um mercado de trabalho fraco, paradoxalmente, foi lido como boa notícia pelos investidores americanos: aumentou a aposta em afrouxamento monetário à frente, e as bolsas de Nova York fecharam em alta, com o S&P 500 subindo 0,62%, o Nasdaq avançando 1,3% e o Dow Jones ganhando 0,28%.

No mercado de commodities, o petróleo Brent segue em recuo depois do pico provocado pela escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã no mês passado. Com o adiamento de uma ação militar americana contra o Irã e a retomada de negociações, o barril voltou a operar abaixo de US$ 80, aliviando parte da pressão inflacionária que vinha preocupando os bancos centrais.

O que fica de hoje

Na minha leitura, o pregão de hoje resume bem o momento do mercado local: não falta gatilho positivo lá fora, mas os problemas de casa — política monetária, qualidade de crédito nos bancos, fluxo estrangeiro — continuam pesando mais do que o cenário externo favorece. É um lembrete de que, por mais que o exterior ajude, o dever de casa da economia brasileira ainda precisa ser feito. Bom fim de semana e até a próxima coluna.

Maickel

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