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Selic cai pela quinta vez seguida, mas ciclo de corte perde fôlego para 2027

O Copom voltou a cortar a Selic na noite desta quarta-feira, 16 de setembro, em decisão unânime que já era amplamente esperada pelo mercado. Foi a quinta redução consecutiva de 0,25 ponto percentual, movimento que confirma o ciclo de afrouxamento monetário iniciado meses atrás, mas que segue sendo conduzido com bastante parcimônia pelo Banco Central. Há uma pequena divergência entre fontes sobre o número final divulgado — enquanto parte da imprensa registra a Selic em 13,75%, o consenso de mercado antes da reunião já apontava para esse patamar, partindo dos 14% fixados em agosto. O ideal é sempre conferir o comunicado oficial do BC para o número exato, mas o recado central da decisão é claro: o BC segue cortando, porém sem pressa.

Por que o corte veio, mas sem euforia

O pano de fundo ajuda a entender a cautela. O IPCA-15 de agosto trouxe recuo de 0,40%, sinal de que a inflação está arrefecendo, e os dados do PIB do segundo trimestre confirmaram perda de ritmo da atividade econômica — dois fatores que abrem espaço para juros menores. Ainda assim, o Banco Central manteve o discurso de cautela diante dos riscos fiscais, algo que não é trivial em ano eleitoral. O Boletim Focus projeta a Selic fechando 2026 em 13,75%, o que na prática significa que resta apenas mais um corte de 0,25 p.p. até dezembro, distribuído entre as reuniões de 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. Depois disso, a trajetória projetada é de queda mais lenta: 12% em 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.

A reação do setor produtivo

Do lado empresarial, o alívio é visto como insuficiente. A Fiemg classificou o corte como “um passo necessário, mas ainda insuficiente para aliviar os efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira”, destacando que a Selic “permanece em patamar elevado e continua encarecendo o crédito, restringindo investimentos e reduzindo a competitividade da indústria”. Na mesma linha, o presidente da ACMinas, Marcos Brafman, resumiu bem o dilema: “o empresário precisa de crédito, previsibilidade e confiança para investir. Juros menores ajudam, mas a solução passa também pela responsabilidade fiscal.” É um ponto que vale reter: cortar juros sem equacionar a trajetória fiscal tende a ter efeito limitado sobre o ânimo de investimento produtivo.

O que muda — e o que não muda — no bolso

Para quem tem dinheiro na poupança, a notícia é de pouca mudança prática. A regra de remuneração só é alterada quando a Selic cai para 8,5% ao ano ou menos; enquanto isso não acontece, os depósitos continuam rendendo 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. Em termos de renda fixa atrelada ao CDI, o efeito de cada corte de 0,25 p.p. é marginal, mas didático: uma aplicação de R$ 10 mil a 14% ao ano geraria R$ 1.400 em doze meses, contra R$ 1.375 a 13,75%. A diferença é pequena isoladamente, mas some ao longo de um ciclo inteiro de cortes — e é justamente esse acúmulo que interessa a quem pensa em alongar posições em renda fixa prefixada ou pós-fixada nos próximos meses.

O que observar daqui para frente

A ata do Copom, prevista para 22 de setembro, deve trazer mais pistas sobre o ritmo dos próximos passos — em especial sobre como o comitê está lendo o equilíbrio entre a atividade econômica mais fraca e os riscos fiscais do período eleitoral. Com apenas mais um corte projetado para 2026, o mercado tende a olhar cada vez mais para 2027 como o ano em que a política monetária de fato começa a aliviar de forma mais perceptível o custo do crédito. Até lá, o cenário é de juros ainda elevados, ganho real considerável em renda fixa e um debate que segue dividido entre o alívio parcial festejado pelo mercado financeiro e a insatisfação do setor produtivo, que segue enxergando espaço — e necessidade — de cortes mais agressivos.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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