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Educação financeira e investimentos para decisões mais seguras

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Mercado em foco — perspectivas para 17 de setembro de 2026

O pregão desta quinta-feira na B3 começa sob o peso de uma “Superquarta” que entregou o que há tempos não se via: bancos centrais de Brasil e Estados Unidos caminhando em direções opostas, no mesmo dia, por razões que dizem muito sobre o momento distinto de cada economia. Sem indicadores relevantes na agenda doméstica de hoje — a única referência de peso é a inflação de agosto na zona do euro —, o mercado deve passar a sessão digerindo os efeitos cruzados dessas decisões.

Fed surpreende com alta e reacende o petróleo como problema

O Federal Reserve, já sob a presidência de Kevin Warsh, elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00%, em decisão unânime. O movimento contraria a leitura que prevalecia meses atrás, quando o mercado apostava em cortes por parte do BC americano. O comunicado do Fed justificou o aperto pela combinação de atividade econômica ainda sólida com inflação persistente acima da meta de 2% — e deixou a porta aberta para mais uma alta ainda em 2026, algo que o CME FedWatch já vinha precificando com força.

O pano de fundo que empurrou essa decisão é geopolítico: ataques à infraestrutura petrolífera saudita tiraram de operação o oleoduto leste-oeste do país, e a paralisação de campos na Líbia somou-se ao quadro de tensão no Oriente Médio. O resultado foi um salto de quase 3% no Brent, que se aproximou dos US$ 109. Wall Street reagiu mal a essa combinação de juros mais altos e petróleo mais caro, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fechando em queda, enquanto os Treasuries de 10 anos bateram a maior taxa desde 2007. É um sinal de que o mercado americano ainda está calibrando o quanto de aperto monetário adicional pode vir pela frente — e o petróleo caro complica justamente o lado da inflação que o Fed diz querer combater.

Copom segue na direção contrária: quinto corte seguido

Enquanto isso, o Banco Central brasileiro reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano — o quinto corte consecutivo desde que o ciclo de calibração começou em março, quando a taxa saiu do patamar de 15%, mantido por dez meses. A decisão, unânime e amplamente esperada pelo mercado, teve reforço de um dado de atividade fraco: o IBC-Br caiu 0,2% em julho, pior que o esperado, sugerindo uma economia perdendo fôlego.

O que chama atenção é a comunicação enxuta do Copom sobre os próximos passos. Não há sinalização explícita para novembro, e o comitê preferiu deixar em aberto se o ciclo continua, pausa ou muda de ritmo. Com o Focus indicando Selic em 13,75% no fim do ano — mesmo patamar de agora — e expectativas de inflação ainda desancoradas, em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027, existe a leitura de que o corte de ontem pode ter encerrado o ciclo neste ano. Mas o próprio BC evitou fechar essa porta.

Ibovespa e câmbio: dia de digestão

O Ibovespa fechou a quarta-feira em queda de 0,59%, aos 185.394,66 pontos, renovando mínimas à tarde após a decisão do Fed. O dólar, por sua vez, teve dia de volatilidade intradiária expressiva — chegou a cair para R$ 5,1368 antes da decisão americana e depois subiu até R$ 5,1670 —, fechando praticamente estável, a R$ 5,1519. Nos destaques corporativos, a B3 (B3SA3) subiu quase 1% com a recuperação de volumes de agosto, enquanto Braskem (BRKM5) despencou mais de 15% após cortes de recomendação de analistas.

O que observar daqui para frente

A dinâmica do petróleo — ligada diretamente ao noticiário da Arábia Saudita e da Líbia — tende a seguir como termômetro de curto prazo tanto para o câmbio quanto para papéis ligados a energia. No campo dos bancos centrais, o mercado deve monitorar falas de dirigentes do Fed sobre a chance de novas altas em outubro ou dezembro, além da ata do Copom, que deve trazer mais pistas sobre se o corte de ontem foi mesmo o último do ano ou se ainda há espaço para mexidas na Selic antes do fim de 2026.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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