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Mercado em foco — perspectivas para 14 de outubro de 2026

O pregão desta quarta-feira começa sob um contraste e tanto. De um lado, um alívio vindo de fora, puxado por sinais mais brandos do Federal Reserve. De outro, a tensão política que já vinha empurrando o mercado brasileiro para baixo nos últimos dias. É nesse meio-termo nervoso que o investidor vai precisar navegar hoje.

O que ficou da terça-feira

O Ibovespa fechou ontem com queda de 1,04%, aos 206.887,52 pontos, depois de oscilar entre uma máxima de 209.071,98 e uma mínima de 206.146,15 pontos, com giro financeiro de R$ 45,50 bilhões. O dólar, por sua vez, subiu 0,71%, para R$ 5,020 — movimento que chama atenção justamente por ir na contramão do enfraquecimento do dólar lá fora, com o DXY recuando 0,38%, a 102,20 pontos. Ou seja: o real perdeu valor mesmo com a moeda americana mais fraca no cenário global, sinal de que o problema estava em casa, não fora.

Essa sessão reverteu parte do otimismo que havia aparecido dias antes, quando o Ibovespa chegou a subir 0,9% e o dólar recuou a R$ 5,18, após o Tesouro americano sinalizar que vai dobrar as operações de recompra de títulos de 10 a 30 anos.

O fator político no centro da equação

A explicação para a piora de terça tem nome e sobrenome no noticiário político: o apoio de Flávio Bolsonaro à PEC do fim da escala 6×1 e a crise aberta no TSE em torno de uma decisão do ministro Nunes Marques sobre o canal “Exército do Lula” pressionaram o pregão. A curva de juros futuros sentiu o impacto, interrompendo uma sequência de quedas e abrindo prêmio, com os vértices mais longos subindo até 24 pontos-base. Some-se a isso o Boletim Focus, que elevou a projeção de inflação para 5,22% em 2026 — acima do teto da meta — e reduziu a expectativa para o câmbio, além de um corte de previsão do FMI. No book de ações, o estrago mais visível ficou com VAMO3 (-9,33%), RENT3 (-6,40%), CEAB3 (-5,82%) e LREN3 (-4,38%).

Por fora, o humor virou da água para o vinho

Enquanto o Brasil digeria a crise político-eleitoral, a Ásia vivia sua própria turbulência na terça: o KOSPI despencou 5,5% em meio a preocupações com os avanços da China em chips de inteligência artificial, com Samsung e SK Hynix caindo 7,4% e 10%, respectivamente — queda tão abrupta que a Korea Exchange chegou a restringir temporariamente a venda programada. O Nikkei 225 fechou cerca de 1,8% mais baixo.

Mas o quadro mudou da noite para a madrugada. Segundo a Bloomberg, as bolsas asiáticas caminhavam para ganhos amplos nesta quarta, puxadas pela recuperação das ações americanas após o presidente do Fed de Nova York, John Williams, dizer que ainda vê espaço para mais uma alta de juros este ano, mas não enxerga necessidade de novo aperto em 2027. A fala aliviou os Treasuries, ajudou o S&P 500 a fechar praticamente estável e enfraqueceu o dólar globalmente. Na Europa, o movimento já havia sido de alta na terça, com o Stoxx 600 subindo 0,34% e praças como FTSE 100, DAX, CAC 40 e FTSE MIB em terreno positivo, sustentadas pela temporada de resultados do terceiro trimestre e pela força do setor de energia.

O que pode mexer com o pregão de hoje

O grande catalisador doméstico do dia é a pesquisa Quaest/Genial sobre o segundo turno presidencial, que mede a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), ouvindo 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro, a menos de duas semanas da votação marcada para 25 de outubro. No primeiro turno, Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula — uma diferença estreita o suficiente para manter o mercado em alerta máximo a cada nova rodada de pesquisas. O Datafolha divulga seus números amanhã, então é bem possível que o Ibovespa e o câmbio passem o dia de hoje reagindo em tempo real aos primeiros resultados da Quaest, antes mesmo de qualquer fator macroeconômico mais estrutural.

Vale notar que, antes da virada de humor em Nova York, o Ibovespa futuro para outubro ainda operava perto dos 206.865 pontos, em queda — um reflexo do clima mais cauteloso herdado de terça. Não há reunião do Copom hoje; a Selic segue em 13,75% ao ano, definida no encontro de 16 de setembro, com o próximo movimento do comitê esperado só para o fim de outubro ou início de novembro.

Balanços começam a ganhar espaço

Em paralelo ao ruído político, a temporada de resultados do terceiro trimestre começa a disputar atenção dos investidores, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Por aqui, já aparecem movimentos como a elevação do preço-alvo de Magazine Luiza (MGLU3) pelo Itaú BBA, sinal de que parte do mercado tenta olhar para além do calendário eleitoral e recalibrar expectativas para o varejo e o setor financeiro conforme os números trimestrais forem saindo.

No fim das contas, o dia promete ser decidido num cabo de guerra entre dois humores opostos: o alívio externo trazido pela sinalização mais branda do Fed e o nervosismo renovado pela política doméstica, com a pesquisa Quaest como protagonista. É um contexto que pede cautela redobrada de quem acompanha o mercado — menos pelas certezas que ele traz, e mais pela velocidade com que esse quadro pode mudar nas próximas horas.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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