Mercado em foco — perspectivas para 11 de setembro de 2026
A sexta-feira chega com a B3 funcionando normalmente — o único feriado da semana já ficou para trás, na segunda-feira (7), quando Brasil, Estados Unidos e Canadá pararam por conta do Dia da Independência e do Labor Day, respectivamente. Mas normalidade de calendário não significa dia tranquilo: o pregão de hoje concentra dois dos dados mais aguardados do mês, divulgados com meia hora de diferença um do outro, e chega embalado por um pano de fundo externo que mistura petróleo em disparada, juros longos em alta nos EUA e um Banco Central Europeu mais rígido.
A herança da quinta-feira
O Ibovespa fechou ontem em alta de 1,42%, voltando a superar os 188 mil pontos (188.268,59), sustentado principalmente pelo setor bancário — Bradesco PN subiu 3,88%, Banco do Brasil ON avançou 2,8% e BTG Pactual Unit valorizou 2,35%, com Santander Brasil Unit na contramão, em leve queda de 0,13%. Petrobras também deu apoio relevante ao índice, na esteira de um salto de mais de 6% no petróleo internacional — o barril fechou a US$107,63, alta de 6,34%, puxada pela escalada de ataques a petroleiros no Oriente Médio. O volume financeiro do dia somou R$30,94 bilhões, e o índice oscilou bastante ao longo da sessão, entre mínima de 184.601,20 e máxima de 188.538,85 pontos.
O dólar teve comportamento típico de dia de pesquisa eleitoral, com forte volatilidade intradiária: chegou a marcar R$5,1472 na máxima da manhã e depois recuou para R$5,0824 na mínima, antes mesmo da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg às 14h30, que mostrou Flávio Bolsonaro com 46,4% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,2% de Lula — margem estatisticamente apertada, mas que segue como termômetro observado de perto pelo mercado. Uma pesquisa do BTG Pactual/Nexus trouxe leitura na mesma direção, reforçando a leitura de corrida acirrada.
Sinais mistos vindos de fora
Enquanto o Brasil comemorava bancos e petróleo, Wall Street fechou em tom fraco, com o S&P 500 recuando 0,58%, movimento que veio acompanhado de um salto expressivo no rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano, que passou de 4,837% para 4,9626% em uma única sessão — variação relevante que tende a pressionar ativos de risco em mercados emergentes como o brasileiro. O BCE, por sua vez, elevou juros em 25 pontos-base e reforçou o discurso de que o conflito no Oriente Médio segue gerando pressões inflacionárias, com expectativa de inflação acima da meta por período prolongado. Na Ásia, o quadro também foi predominantemente negativo na quinta: Shanghai Composite caiu 0,4% e Hang Seng recuou 1,3%, enquanto o Nikkei foi na contramão, com ganho modesto de 0,2%.
O dia decisivo para inflação nos dois lados do equador
Hoje o mercado tem encontro marcado com dois indicadores de peso quase simultâneos. Às 9h, o IBGE divulga o IPCA de agosto — o Bradesco projeta variação mensal negativa de 0,26%, puxada pela queda nos preços de energia elétrica em razão do bônus de Itaipu, com núcleos de inflação estáveis. Meia hora depois, às 9h30 no horário de Brasília, sai o CPI americano de agosto, com expectativa de alta de 0,4% no índice cheio e 0,2% no núcleo — leitura tratada como a última grande peça de inflação antes da reunião do Federal Reserve marcada para os dias 15 e 16 de setembro, justamente a mesma semana em que o Copom também se reúne no Brasil.
Não é coincidência que o mercado trate a semana que vem como decisiva: o relatório de emprego americano de agosto já havia surpreendido, com criação de 162 mil vagas ante expectativa de apenas 55 mil, alimentando a dúvida sobre se o Fed terá argumentos para subir juros já na próxima reunião. O CPI de hoje deve ajudar a calibrar essa aposta.
Fluxo estrangeiro e corporativo
Do lado positivo, dados da B3 mostraram entrada renovada de capital externo na bolsa, com saldo positivo em setembro subindo para R$5,98 bilhões, ante R$5,34 bilhões até o dia 4 — sinal de que o apetite estrangeiro por ativos brasileiros segue vivo, mesmo em meio ao ruído eleitoral e institucional, este último incluindo o afastamento de diretores da Polícia Federal por decisão do STF, fator que o mercado tem monitorado como risco político adicional.
No campo corporativo, o dia também marca o pagamento da remuneração complementar do Banco do Brasil referente ao segundo trimestre — R$0,102 por ação ordinária, valor que sobe para R$0,105 com a atualização pela Selic, com crédito efetivo caindo justamente nesta sexta-feira.
Diante desse cenário, a abertura tende a ser mais cautelosa que a alta de ontem sugeriria à primeira vista. Entre a alta expressiva do petróleo, o aperto sinalizado pelo BCE, os yields americanos em disparada e a expectativa pelos dois indicadores de inflação, o mercado brasileiro deve passar boa parte da manhã reagindo a números antes de definir direção mais clara para o resto do dia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças