Mercado em foco — perspectivas para 2 de outubro de 2026
A reta final antes do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo, chega a esta sexta-feira dividindo espaço com um calendário internacional pesado. O payroll americano de setembro, divulgado às 9h30 no horário de Brasília, é o grande catalisador do dia e deve calibrar as apostas sobre o próximo passo do Federal Reserve. No Brasil, o mercado também mastiga a produção industrial de agosto, medida pela PIM do IBGE, e o IPC-Fipe — fechando uma semana que já trouxe Focus, IGP-M, Caged, dados fiscais e o PMI industrial.
O que vem de ontem
A quinta-feira terminou com o Ibovespa em alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos, após renovar a máxima do dia em 187.436,73 pontos — embora boa parte do pregão tenha sido de lateralização. O giro financeiro surpreendeu: R$ 26,2 bilhões negociados na B3, bem acima da média móvel de 50 pregões, que está em R$ 19,4 bilhões. Isso sugere um mercado mais ativo do que o normal, com investidores reposicionando carteiras às vésperas da eleição.
Quem puxou o índice foram as blue chips ligadas a commodities: Petrobras subiu 1,32% nas preferenciais e 1,80% nas ordinárias, enquanto Vale avançou 0,56%, movimento diretamente relacionado à alta do petróleo Brent. É um padrão que vale observar hoje também, já que a tensão geopolítica no Oriente Médio segue pressionando o preço do barril e, por tabela, tende a beneficiar o desempenho de papéis ligados à estatal — sem que isso signifique, claro, qualquer garantia de repetição do movimento.
Dólar forte, e não só aqui
O real sofreu ontem. O dólar comercial fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,220, depois de oscilar entre R$ 5,170 e R$ 5,237. No mercado futuro, a alta foi ainda mais forte, de 0,82%, para R$ 5,255. O detalhe relevante é que o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, subiu 0,63%, para 102,0 pontos — o maior nível desde abril de 2025. Isso indica que o movimento foi global, não um problema isolado do real, ainda que o fator eleitoral certamente contribua para a cautela com ativos brasileiros nesta reta final.
O pano de fundo eleitoral
Setembro fechou como o melhor mês para o Ibovespa desde janeiro, com alta de 1,37% só no último pregão do mês. Mas a aproximação do primeiro turno trouxe o que analistas da Ágora Investimentos chamaram de “trade eleitoral”, citando a expectativa em torno de nova pesquisa Datafolha e de debate entre candidatos como fatores que devem seguir limitando o apetite por risco até domingo. Declarações de líderes estrangeiros sobre a disputa brasileira, como a repercussão das falas do presidente argentino Javier Milei, também entraram no radar do mercado, alimentando esse clima de expectativa.
Juros parados, olhos no exterior
Não há reunião do Copom hoje — a Selic segue em 13,75% ao ano, definida em 16 de setembro e em vigor desde o dia seguinte. A próxima decisão só sai em 3 e 4 de novembro, o que significa que o tema juros doméstico fica em segundo plano por ora. Quem deve mexer com a curva brasileira nesta sexta é o payroll americano: um número de emprego mais forte que o esperado tende a reduzir as apostas de cortes de juros nos EUA, pressionando ativos de risco globalmente; um número fraco pode abrir espaço para alívio.
Vale uma ressalva de apuração: o calendário de divulgações do governo americano tem sofrido com paralisações em outros momentos do ano, então é prudente confirmar, só no fechamento do dia, se o BLS manteve o cronograma normal do payroll ou se houve algum atraso.
Resultados corporativos
Não há divulgações relevantes de balanços previstas para hoje. A temporada do terceiro trimestre das empresas listadas na B3 só deve ganhar corpo a partir da segunda quinzena de outubro.
Em resumo, o pregão de hoje tende a ser guiado por uma combinação pouco usual: indicador de emprego americano, dados industriais domésticos, petróleo em alta e, pairando sobre tudo isso, a expectativa pelo resultado das urnas no domingo. É um dia para observar reações mais do que para tirar conclusões definitivas — o verdadeiro teste para o mercado brasileiro só vem mesmo na segunda-feira.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças