Mercado em foco — perspectivas para 20 de outubro de 2026
O mercado brasileiro abre esta terça-feira em compasso de espera, com um pé na política doméstica e outro nos balanços corporativos — tanto daqui quanto de Wall Street. Depois de um pregão de segunda-feira marcado por leve queda do Ibovespa e nova baixa do dólar, o dia promete ser mais técnico do que macroeconômico, já que a agenda de indicadores no Brasil está esvaziada. O protagonismo, hoje, é de outra natureza.
O pano de fundo internacional
A sessão de ontem lá fora deixou um retrato misto que deve ecoar na abertura brasileira. Os futuros de Wall Street operaram em alta na segunda, tentando se recuperar da forte correção de sexta-feira — quando a S&P 500 rompeu uma sequência de 55 dias sem quedas diárias superiores a 1%, a mais longa em mais de seis anos, fechando a semana com baixa de quase 2% e o Nasdaq recuando mais de 4,4%. O gatilho foi o receio em torno das condições de financiamento dos investimentos bilionários em inteligência artificial, tema que volta a pautar os mercados nesta semana, justamente quando nomes como Meta Platforms e SpaceX divulgam resultados.
Na Europa, o humor segue negativo, contaminado pela instabilidade política francesa: o CAC 40 liderou as perdas de segunda, caindo 1,3% em meio a protestos estudantis e distúrbios ligados ao custo de vida, movimento que também pressionou DAX e FTSE 100. Já na Ásia, o tom foi oposto — Kospi, Kosdaq, Xangai, Hong Kong, Índia e Austrália fecharam em alta, impulsionados por um PIB chinês do terceiro trimestre que surpreendeu, crescendo 4,5% na comparação anual e superando a leitura anterior, graças à demanda externa por tecnologia compensando a fraqueza do setor imobiliário e do consumo interno.
O petróleo, por sua vez, recuou após a alta de quase 5% da semana passada, com o mercado reagindo a sinais de que sanções americanas à Rússia podem, paradoxalmente, manter mais petróleo russo disponível a compradores internacionais.
Ibovespa: divergência que merece atenção
O índice brasileiro fechou segunda-feira em queda de 0,17%, aos 205.079 pontos, com volume de R$ 31,80 bilhões — um pregão discreto, mas que chamou atenção por um detalhe técnico: o Ibovespa caiu justamente no dia em que Wall Street tentava se recuperar, uma divergência que analistas de mercado, como os do Itaú BBA, monitoram de perto. O índice está hoje 1,9% abaixo de sua máxima de 52 semanas (209.067 pontos), com suporte técnico em torno de 202.000 pontos. Um fechamento consistente acima de 206.000 pontos seria o sinal de que esse descolamento em relação ao exterior foi apenas um ruído pontual, e não o início de um movimento mais duradouro de correção.
Eleições seguem no centro das atenções
Com o segundo turno marcado para domingo (25/10), entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, o mercado opera sob o peso do calendário eleitoral — faltam apenas quatro pregões até a definição. O primeiro debate presidencial, realizado na véspera, não trouxe sinalização capaz de alterar a leitura dos investidores, segundo analistas que acompanharam o pregão. Pesquisas recentes (BTG/Nexus e AtlasIntel) mostraram recuo nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro e avanço de Lula, movimento que o mercado tende a monitorar de perto nos próximos dias.
Começa a temporada de balanços
Do lado corporativo, o grande marco do dia é o início oficial da temporada de resultados do terceiro trimestre na B3. Romi e Neoenergia abrem a rodada nesta terça, com divulgação prevista para depois do fechamento do mercado. A agenda ganha corpo nos próximos dias, com WEG e Bradesco Saúde amanhã, Gerdau na próxima semana, Vale no fim do mês, e o grosso dos bancos — Itaú, Bradesco, BTG, Banco do Brasil — concentrado entre 3 e 12 de novembro, já no rescaldo do segundo turno.
Juros: Copom nos bastidores
Não há reunião do Copom nesta semana, mas o tema já está no radar. A próxima decisão sai em 4 de novembro, dias depois da eleição, com a Selic hoje em 13,75% ao ano e expectativa de mercado apontando para um possível corte adicional até o fim do ano. O período de silêncio da autoridade monetária começa em 28 de outubro, reforçando que o resultado das urnas chega primeiro, e só depois vem a sinalização sobre juros.
Com Wall Street tentando se recuperar, Europa pressionada pela crise política francesa, Ásia animada com a China e o dólar global mais firme, a cautela deve ser a tônica do pregão brasileiro — pelo menos até que o quadro eleitoral e a temporada de balanços comecem a entregar respostas mais claras.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças