Mercado em foco — perspectivas para 22 de setembro de 2026
O pregão desta terça-feira começa com o mercado brasileiro respirando o mesmo ar otimista que tomou conta de Wall Street e da Ásia na véspera. Mas antes de qualquer euforia, vale lembrar: o dia tem um compromisso doméstico que pode pesar mais do que qualquer notícia vinda de fora — a ata do Copom, divulgada logo às 8h.
O embalo externo
Não é todo dia que se vê o S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq fecharem simultaneamente em recorde histórico, como aconteceu na segunda-feira em Nova York. O S&P subiu 114,20 pontos, a 7.764,70; o Dow somou 366,19 pontos, a 52.048,83; e o Nasdaq avançou 599,55 pontos, a 27.122,09. O gatilho foi a combinação de petróleo em queda — o Brent recuou 3,4%, a US$ 100,34 — com o alívio nos rendimentos dos Treasuries, um coquetel que tirou pressão das ações, especialmente as ligadas a chips e inteligência artificial, setor que continua sendo o motor por trás da expectativa de lucros corporativos nos EUA. No acumulado do ano, o S&P já sobe 13,4%, o Nasdaq 16,7% e o Dow 8,2%.
Dito isso, é sensato não ignorar os alertas. O Morgan Stanley já sinalizou que o S&P 500 pode perder até 7% se os preços de energia voltarem a subir e o Treasury de 10 anos permanecer perto de 5%. Rali histórico não é sinônimo de ausência de risco.
Ásia em alta, Japão fora do jogo
Na Ásia, o clima também foi de otimismo generalizado na segunda: Kospi subiu 1,65%, Hang Seng avançou 1,18% e Taiex ganhou 1,14%. O destaque ficou com os semicondutores — a Samsung disparou 4,98% depois que dados oficiais mostraram exportações de chips de memória da Coreia do Sul saltando 350,7% na comparação anual entre 1º e 20 de setembro, e o Goldman Sachs elevou o preço-alvo da ação. Vale um adendo importante: o Nikkei continua fechado por feriado e só volta a operar na quarta-feira, então esse vetor de comparação asiática fica incompleto hoje.
A cúpula que todo mundo está de olho
Se tem um evento que resume o apetite por risco global nesta semana, é a cúpula entre Trump e Xi Jinping, marcada para quinta-feira em Washington. Pequim já confirmou a visita de Xi entre 23 e 25 de setembro, com tarifas, inteligência artificial e acesso a minerais críticos na mesa. As conversas prévias entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng foram descritas como bem-sucedidas, e isso ajuda a explicar boa parte do otimismo que vimos ontem — e que provavelmente ainda vai reverberar hoje.
Por aqui: Ibovespa, dólar e a Selic no radar
O Ibovespa fechou a segunda-feira em alta de 0,74%, aos 186.595,60 pontos, com volume de R$ 19,4 bilhões, puxado pelos bancos — BTG Pactual subiu 3,42%, Itaú 1,77%, Santander 1,53% e Bradesco 0,94%, exceção para o Banco do Brasil, que caiu 0,91%. O dólar seguiu na faixa dos R$ 5,10, acompanhando o recuo dos Treasuries.
O grande evento doméstico do dia, porém, é a ata do Copom às 8h, referente à reunião que reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano. O mercado vai garimpar o texto em busca de sinais sobre o grau de convergência entre os diretores e sobre até onde vai o ciclo de flexibilização. O Boletim Focus já trouxe pista relevante: a projeção para a Selic no fim de 2026 caiu para 13,50%, mas a expectativa de inflação subiu, com o IPCA revisado para 4,92%.
O fator eleitoral, que não sai do radar
Levantamento do BTG/Nexus mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, e isso continua sendo tratado pelo mercado como fonte de incerteza — e também de oportunidade, dependendo do desenho fiscal que vier a seguir. O JPMorgan chegou a estimar que uma vitória da oposição aliada a garantias de disciplina fiscal poderia liberar uma alta de até 28% na bolsa brasileira. É um cenário, não uma certeza, e cabe ao investidor calibrar isso com cautela.
Para o pregão de hoje, os sinais externos apontam para viés positivo no Ibovespa e possível continuidade do dólar mais fraco, mas a leitura da ata do Copom deve ser o fiel da balança. Vale também observar o comportamento do petróleo, que caiu forte ontem e tende a influenciar Petrobras e Prio, e do minério de ferro, referência para Vale.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças