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Mercado em foco — perspectivas para 23 de outubro de 2026

O pregão desta sexta-feira chega carregado de um peso que vai muito além dos números. É o último dia de negociação na B3 antes de o país decidir, no domingo, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e isso se reflete em cada detalhe da agenda — do IPCA-15 da manhã ao debate final que a Globo promove hoje à noite. Em dias assim, o mercado não para, mas negocia com um olho no preço e outro na urna.

O ponto de partida: um fechamento de quinta-feira já nervoso

O Ibovespa encerrou ontem em queda de 1,15%, aos 204.120,21 pontos, depois de oscilar entre uma mínima de 203.051,87 e uma máxima de 206.493,11 pontos, com volume financeiro de R$ 39,45 bilhões. O dólar subiu pelo segundo pregão seguido, fechando a R$ 5,038 (+0,22%), em sessão de maior aversão a risco tanto no exterior quanto por causa da cautela eleitoral. Vale o contraponto: mesmo com a correção recente — o índice acumula queda de 2,67% desde o recorde intradiário de 209.713,45 pontos, em 9 de outubro —, outubro ainda é um mês positivo para a bolsa brasileira, com alta de 9,54% e entrada líquida de R$ 20 bilhões de capital estrangeiro até o dia 20. É um lembrete de que o fluxo de curto prazo nem sempre apaga a tendência do mês.

Wall Street e Ásia: tecnologia sob pressão

Lá fora, o roteiro de ontem foi de realização pesada em tecnologia. Em Nova York, o Dow Jones ficou praticamente estável (+0,02%), mas o S&P 500 caiu 1,21% e o Nasdaq recuou 2,60%, com o VIX subindo para a casa dos 19 pontos — sinal de que o apetite por risco minguou. Na Ásia, o movimento foi ainda mais agudo: Nikkei (-2,65%), Hang Seng (-3,03%, com o setor de tecnologia tombando 5%, a maior queda desde abril de 2025), Kosdaq (-3,62%) e papéis como Samsung e SK Hynix em forte baixa, em meio a dúvidas sobre o retorno dos pesados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Até o fechamento desta apuração, não havia dados consolidados da sessão asiática desta sexta nem dos futuros de Nova York, então vale acompanhar se esse humor negativo se mantém ou dá trégua na abertura brasileira.

IPCA-15: o dado doméstico que pode roubar a cena

Às 9h, o IBGE divulga o IPCA-15 de outubro, com expectativa de forte desaceleração — entre 0,40% e 0,49%, ante 0,70% em setembro, puxado por energia elétrica mais barata. No acumulado em 12 meses, as projeções variam de 4,70% a 4,83%, todas ainda acima do teto da meta de 4,5%. É um número tecnicamente relevante para o rumo da Selic nos próximos meses, mas que hoje disputa espaço com o nervosismo eleitoral — o mercado pode simplesmente não ter atenção sobrando para precificá-lo com a frieza de um dia normal.

A lógica do “trade eleitoral”

Pesquisas recentes mostram a disputa dentro da margem de erro — Datafolha apontou 45% para Flávio e 44% para Lula. O mercado, segundo analistas, já embute boa parte de uma eventual vitória do senador nos preços atuais, o que cria uma assimetria: notícias favoráveis a Lula tendem a provocar reações mais fortes do que sinais positivos a Flávio, justamente porque o cenário alternativo está menos precificado. É por isso que o debate desta noite ganha importância menos pelo conteúdo e mais pelo possível efeito sobre pesquisas de boca de urna e tracking polls nas próximas horas.

O risco de cauda que ronda a segunda-feira

Um estudo em circulação no mercado — e que deve ser lido como cenário extremo, não como expectativa central — estima que uma eventual vitória do atual presidente poderia provocar uma desvalorização intradiária mediana de 11,3% no Ibovespa já no primeiro pregão pós-eleição, na segunda-feira. É o tipo de número que ajuda a entender por que a volatilidade tem subido mesmo sem fatos novos concretos: o mercado está precificando incerteza, não um resultado específico. Resta à sexta-feira cumprir seu papel de última parada antes do veredito das urnas — e ao investidor, o exercício de separar ruído de sinal nesse fim de semana decisivo.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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