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Mercado em foco — perspectivas para 24 de setembro de 2026

O Ibovespa chega a esta quinta-feira tentando digerir uma quarta-feira de sinal misto, em que o índice cedeu acompanhando o exterior, mesmo com Petrobras sustentando parte do pregão em alta. Depois de fechar terça-feira em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos, o índice inverteu a rota na quarta e chegou a ceder 0,23%, aos 186.991 pontos, por volta de 13h33. É um recuo modesto em termos numéricos, mas simbólico: mostra que o mercado local segue refém do humor externo, especialmente do câmbio e dos juros americanos.

Dólar pressionado por Treasuries e pesquisa eleitoral

O real voltou a perder terreno na quarta-feira, com o dólar à vista subindo 1,02%, a R$ 5,1528 na venda, revertendo a leve baixa de terça (-0,08%, a R$ 5,1040). A explicação combina três fatores que merecem atenção nos próximos dias: o avanço dos rendimentos dos Treasuries americanos, a alta do petróleo e os resultados da pesquisa Atlas/Bloomberg. É a velha equação de sempre — quando juro lá fora sobe e commodity sensível como o petróleo se movimenta, o dólar tende a se fortalecer globalmente, e o real, como moeda de mercado emergente, sente o impacto de forma mais aguda.

Petrobras nada contra a maré, Vale segue o minério

Chamou atenção o desempenho de Petrobras, com as preferenciais subindo 0,7% e as ordinárias 0,6%, mesmo em um dia de bolsa fraca. Vale também avançou 0,4% na quarta, embora dados mais recentes de pregão mostrem a mineradora cedendo 0,88% na contramão do minério de ferro, que fechou em leve alta em Dalian (0,07%, a 712 iuanes, ou US$ 106,18 a tonelada). Entre as maiores altas domésticas, Hypera liderou com 3,6%, seguida por TOTVS e Suzano, ambas com 2,8%. Do lado oposto, Vivara foi a maior perda do dia, com queda de 4,4% — movimento que vale acompanhar para entender se é ajuste pontual ou início de tendência mais dura para o papel.

Wall Street: divergência nos números, mas sinal negativo

Aqui é importante fazer uma ressalva de apuração: há versões diferentes sobre o fechamento de Wall Street na quarta-feira. Uma cobertura aponta que o Nasdaq estendeu sua sequência de recordes enquanto o Dow recuou 0,36%; outra, da espanhola elEconomista, descreve uma reversão completa ao longo do pregão, com quedas superiores a 1% no fechamento. Prefiro ser honesto aqui: o número definitivo de Nova York ainda precisa ser confirmado, mas o consenso das duas versões aponta na mesma direção — o dia foi de piora ao longo da sessão, não de fortalecimento. Para a Europa, a expectativa desta quinta já é de abertura em baixa, com o EuroStoxx sem conseguir romper a resistência dos 3.650 pontos, pressionado pela recuperação do petróleo.

Trump e Xi: o evento que pode mexer com o humor global

O fato geopolítico mais relevante do dia é o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, com foco em sinais sobre a prorrogação da trégua comercial firmada no ano passado. A Oxford Economics vê o encontro como sinal de que a relação entre as duas maiores economias do mundo está ficando mais previsível — leitura que, se confirmada em declarações concretas, tende a aliviar parte do nervosismo que ronda ativos de risco globalmente. O encontro foi precedido por conversas em Nova York entre o secretário do Tesouro americano e o vice-premiê chinês, com pauta envolvendo inteligência artificial, tarifas e terras raras, temas que continuam no centro da rivalidade econômica entre os dois países.

Petróleo ainda no radar

Vale lembrar o contexto do petróleo, que saiu de perto de US$ 70 em junho, após o memorando EUA-Irã, para algo próximo de US$ 100 em setembro, com a retomada de tensões geopolíticas e a paralisação do oleoduto Leste-Oeste saudita. A Fitch mantém leitura mais construtiva para a oferta no médio prazo, mas o quadro de curto prazo segue tenso — e é justamente essa tensão que ajuda a explicar por que o dólar segue forte e por que o Ibovespa tem dificuldade de engatar uma tendência mais clara nesta quinta-feira.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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