Mercado em foco — perspectivas para 29 de setembro de 2026
O pregão desta terça-feira começa sob um cardápio pesado de variáveis externas e domésticas, e não é exagero dizer que o investidor brasileiro acorda hoje com mais perguntas do que respostas. Wall Street fechou a véspera em queda firme — Dow, S&P 500 e Nasdaq recuaram entre 0,67% e 0,92% — em meio à escalada de tensão entre Washington e Teerã, que empurrou o petróleo Brent a fechar a US$ 105,28 por barril, depois de tocar US$ 108,83 intradia. Some-se a isso os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos operando perto de máximas de vários anos, e temos um coquetel que tende a pressionar o apetite por risco em mercados emergentes, Brasil incluído.
O fio condutor: geopolítica e juros americanos
A rejeição pública de Trump a uma proposta iraniana sobre o Estreito de Ormuz foi o estopim da aversão a risco na segunda-feira, ainda que ele tenha sinalizado à Axios esperar retomada das negociações nos próximos dias. O mercado, como de costume, reagiu primeiro e perguntou depois: o Dow chegou a cair mais de 400 pontos intradia antes de recuperar parte das perdas com notícias de que Washington estaria aberto a algum alívio de sanções. É um lembrete de como esse tipo de crise se move em ziguezague, e vale cautela para quem tenta extrair sinal de ruído nesse tipo de notícia picotada.
Ibovespa e dólar: eleição no centro do palco
No mercado doméstico, o Ibovespa cedeu 0,26% na segunda, a 182.991,13 pontos, com Petrobras servindo de contrapeso ao humor externo negativo graças à alta do petróleo. Já o dólar disparou 0,83%, a R$ 5,22, maior patamar em seis meses. O diagnóstico do estrategista-chefe da Eleven Financial resume bem o momento: as pesquisas eleitorais estão “meio neutras”, sem sinalizar um vencedor claro, e a expectativa é de uma semana “bem volátil”. Com o primeiro turno marcado para domingo, dia 4, e o cenário de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro confirmado pela pesquisa BTG/Nexus (42% a 37% no primeiro turno, 46% a 44% num eventual segundo turno), é natural que o câmbio funcione como termômetro de ansiedade política nos próximos pregões.
Focus e a curva de juros
O boletim Focus trouxe poucas surpresas, mas confirma um cenário de inflação um pouco mais resistente: a projeção para 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, e a Selic segue esperada em 13,50% neste ano ante os atuais 13,75%. Não há reunião do Copom hoje, mas o mercado já opera com a leitura de que o ciclo de cortes deve continuar, ainda que em ritmo cauteloso diante do quadro fiscal e agora também eleitoral.
Agenda do dia: emprego em destaque
A atenção doméstica se volta para a Pnad Contínua de agosto, com o mercado projetando estabilidade da taxa de desocupação em 5,3%, além dos números do Caged — que divide analistas entre uma geração de vagas formais de 87 mil (segundo estimativa mais conservadora) e 115 mil (na leitura do Itaú) — e do IGP-M de setembro, com alta mensal estimada em 1,7%. Nos Estados Unidos, o relatório Jolts e a confiança do consumidor completam o quadro que deve calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Diante de tantas frentes abertas — geopolítica, juros longos nos EUA, eleição brasileira e indicadores de emprego dos dois lados do Atlântico —, o pregão de hoje tende a repetir o padrão recente: muita oscilação intradia e pouca direção clara até que o cenário eleitoral comece a se desenhar com mais nitidez nos próximos dias.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças