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Selic a 13,75%, Ibovespa nos recordes e Bitcoin em compasso de espera: o retrato do mercado nesta segunda-feira

O Copom fez o que o mercado já esperava: cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na reunião de 16 de setembro. Foi o quinto corte seguido do mesmo tamanho, decisão unânime do comitê. Mas é preciso ter cuidado para não confundir “quinto corte consecutivo” com “afrouxamento monetário agressivo”. Na prática, o Banco Central segue pisando no freio com bastante cautela, citando o conflito no Oriente Médio, a política monetária incerta em economias avançadas e a volatilidade de commodities como fatores que exigem prudência de países emergentes como o Brasil.

O corte que pouco muda no bolso, por enquanto

Numa conta simples, sem impostos nem taxas, uma aplicação de R$ 10 mil a 14% ao ano renderia R$ 1.400 em doze meses; a 13,75%, cai para R$ 1.375. A diferença é real, mas modesta — o tipo de corte que sinaliza direção sem mudar drasticamente a vida de quem tem dinheiro aplicado ou de quem paga um financiamento. Vale lembrar que a poupança nem sentiu o movimento: enquanto a Selic ficar acima de 8,5% ao ano, a remuneração continua em 0,5% ao mês mais TR, regra que só muda quando a taxa básica cair abaixo desse patamar — algo que, pelas projeções mais conservadoras do mercado, não deve acontecer tão cedo.

E aqui mora a divergência interessante: enquanto o Boletim Focus, segundo a Gazeta Mercantil, projeta Selic ainda em 13,75% no fim de 2026 e uma trajetória lenta até 10% só em 2029, a Rico trabalha com uma queda um pouco mais rápida, a 13,25% até dezembro deste ano. Não é só uma questão de casas discordando por discordar — é um retrato de como o mercado ainda não tem certeza sobre o ritmo dos próximos passos do Copom, que se reúne mais duas vezes em 2026, em novembro e dezembro.

Inflação: a deflação que engana

O IPCA de agosto trouxe uma deflação de 0,32%, puxada principalmente pela energia elétrica, levando o acumulado em 12 meses para 4,22%. À primeira vista, parece boa notícia. Mas os núcleos de inflação e, principalmente, a inflação de serviços — aquela que pesa mais no dia a dia de quem vive de salário — seguem resistentes. A leitura da Rico é direta: cautela, porque setembro já deve reverter parte desse alívio, com o fim do Bônus de Itaipu, alta de alimentos in natura e passagens aéreas mais caras. A projeção da casa para o ano é de IPCA em 5%, ainda dentro da banda de tolerância, mas longe de ser um número que anime consumidor.

Ibovespa: recordes, tombos e uma recuperação de fôlego curto

A bolsa brasileira viveu 2026 como uma montanha-russa. Em fevereiro, bateu recorde histórico encostando nos 190 mil pontos, embalada por entrada forte de capital estrangeiro. Em março, veio a ressaca: queda de mais de 4% no mês, pressionada por um IPCA-15 mais forte que o esperado e pelo salto nas tarifas aéreas. Setembro trouxe nova sequência positiva, com 11 pregões seguidos de alta no início do mês e o índice fechando o dia 22 aos 187.422 pontos, em sessão movimentada pela repercussão da ata do Copom, queda do petróleo e discurso de Lula na ONU. É um mercado que reage rápido a notícias — e que mostra como o fluxo estrangeiro continua sendo peça central do humor do Ibovespa.

Bitcoin: preso entre a cautela e o apetite por risco

O Bitcoin abriu esta segunda-feira em queda de 2%, cotado perto de US$ 82 mil, depois de ter rompido a barreira de US$ 85 mil na semana anterior — maior preço spot desde janeiro. Ainda assim, o ativo segue quase 33% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080. Analistas descrevem o momento como de indefinição técnica: um fechamento consistente acima ou abaixo da faixa atual é que deve indicar a próxima direção, com um cenário otimista mirando US$ 88 mil e depois US$ 92 mil. O Índice de Medo e Ganância em 70 pontos mostra que o mercado ainda está inclinado ao otimismo, mas sem euforia.

Um dado que chama atenção: nos Estados Unidos, o número de caixas eletrônicos de Bitcoin caiu 36,9% em 2026, de quase 31 mil para pouco mais de 19,5 mil. É um sinal de que a infraestrutura física do setor está se reorganizando, mesmo com o preço em recuperação — prova de que crescimento de mercado e expansão de infraestrutura nem sempre andam juntos. Do lado institucional, a Coinbase lançou empréstimos de USDC com taxa fixa garantidos por Bitcoin, via protocolo Morpho Midnight, reforçando a tendência de crédito colateralizado em cripto ganhando espaço fora do varejo especulativo.

Drex: menos blockchain, mais utilidade prática

Enquanto isso, o Drex segue amadurecendo em ritmo mais lento do que o anunciado originalmente. Em 2026, o projeto está em fase de piloto restrito com bancos, fintechs, B3 e Visa, com expansão ampla ao público prevista para 2027 — embora o histórico de atrasos do Banco Central sugira que esse prazo pode escorregar para 2028. A aposta mais concreta, por ora, é usar a moeda digital para resolver um problema bem prático: verificar se um mesmo bem já foi dado como garantia em mais de um banco, reduzindo fraude e risco no crédito. É uma ambição mais modesta do que a promessa inicial de pagamentos programáveis e tokenização ampla, mas talvez seja o tipo de aplicação que realmente convence o mercado a levar o projeto a sério.

No conjunto, o cenário de fim de setembro mostra um Brasil de juros ainda altos e inflação de serviços teimosa, uma bolsa que segue dependente do humor do capital estrangeiro, e um mercado cripto que testa resistências técnicas sem convicção plena. Para o investidor, o recado é o de sempre: entender o contexto antes de tirar conclusões precipitadas sobre qualquer um desses mercados.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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